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Ramon Llull (1232-1316)
Tradução: Eliane Ventorim (GPM I) e Prof. Dr. Ricardo da Costa (UFES) Revisão final: Prof. Esteve Jaulent (Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio) * A Deus,
que é Ato puro, muito elevado e excelente, inteligível
e amável sobre todos os atos: eu, um pobre homem pecador, com
Vossa graça e ajuda, fiz este Livro dos Anjos de tal modo
que Vos possa amar e conhecer através dos Atos de Vossas Divinas
Dignidades.
Do Prólogo A Primeira Parte é para provar a existência dos anjos.
2. A condição da existência da Primeira Parte é mostrar de que modo as sete Dignidades ordenam, regulam e são princípios de todo o Livro, e como as explicações que nele se encontram se constituem e se regulam por estes sete Princípios - as sete Dignidades - e mostrem como os Princípios melhor se convêm uns com os outros. 3. A condição da existência desta Segunda Parte é mostrar como se ordenam e regulam suas partes sob as Divinas Dignidades e como, gradativamente, se ordenam entre si. 4. A condição da existência desta Terceira Parte é mostrar como a fruição das sete Dignidades Divinas tem lugar nas sete propriedades dos anjos, as quais provêm da influência das Divinas Dignidades. Estas propriedades são criadas e chamadas com um nome semelhante ao das Dignidades, porque cada Dignidade incute, à sua semelhança, uma propriedade nos anjos benignos; assim como por exemplo, a Bondade incriada incute a bondade criada nos anjos, a Grandeza incriada incute a grandeza criada, etc. 5. A condição da existência desta Quarta Parte é mostrar como a locução dos anjos segue a regra das sete Dignidades em suas sete propriedades, e como se efetua mediante os atos da inteligência, vontade e conveniência. 6. A condição da existência desta Quinta Parte é para que a Glória dos Anjos esteja nas sete Dignidades de Deus, e os Atos da Inteligência, Vontade e Memória estejam na entidade nascente, e que através daqueles Atos exista mérito nas Propriedades dos Anjos, segundo o que se convém. 7. A condição da existência desta Sexta Parte é para que os Demônios tenham pena no sentido contrário da condição dos Anjos benignos. Começa a Primeira Parte, onde se prova a existência dos Anjos Para provar a existência dos Anjos convêm que sejam feitas oito provas, isto é, que se prove onde existem a Inteligência, a Vontade e a Memória no Ente, e que o Ente seja Substância abaixo das Potências as quais são Atos pelos quais estejam as sete Propriedades ditas acima. Logo, provada a existência deste Ente, tentaremos provar a existência dos Anjos, a qual prova atribuímos oito razões, das quais esta é a primeira, e assim as outras sucessivamente. I. Da Bondade A Bondade existe em Deus com Grandeza, Poder, Sabedoria, Amor, Justiça e Perfeição, sendo a Bondade amável porque a Amabilidade se convém em Grandeza, Poder e etc. com a Bondade. E se a Bondade e a Amabilidade não são convenientes, também não seriam convenientes a maioridade de bem na Grandeza e a menoridade de bem seria conveniente contra a Justiça, o Amor, a Grandeza e a Perfeição. E a Amabilidade não seria conveniente com a Justiça, o Amor, a Grandeza e a Perfeição, e isto é inconveniente e contra as condições deste Livro. E porque a Bondade e a Amabilidade são convenientes, e sem a Inteligência não poderiam ser convenientes com a Grandeza, a Sabedoria, o Amor, a Justiça e a Perfeição — segundo as condições e a concordância da Bondade, Grandeza, Amabilidade, Inteligência, etc. — logo é necessário que seja conveniente que Deus tenha criado o Ente onde esteja a Inteligência, sendo materializada na Bondade, Grandeza, Poder, etc., e estes Entes sejam os Anjos, os quais indagamos através dos Atos das Divinas Dignidades. II. Da Grandeza A Grandeza existe em Deus com a Bondade, o Poder, a Justiça, etc., a qual Grandeza é tão grande na Bondade, no Poder, etc., que convém ser objeto da Inteligência criada para que a entenda grandemente na Bondade, no Poder, etc. E se a Grandeza não fosse conveniente objeto da Inteligência, a ignorância conviria com a Grandeza, a Inteligência com a menoridade, sendo a ignorância conveniente com a Bondade, com o Poder, etc., que seriam convenientes com a Grandeza, e a Justiça seria conveniente com a injustiça, e a imperfeição com a Perfeição, e a privação de bem com a Bondade, e isto é inconveniente. No entanto, demonstramos que é conveniente que a Inteligência criada materialize a Grandeza, a qual não poderia ser objeto perfeito sem a Vontade, que ama a grande materialização da Inteligência, a qual não poderia materializar perfeitamente sem a Vontade, que entende e ama a Grandeza da Bondade, do Poder, etc. III. Do Poder O Poder de Deus existe segundo Sua própria Grandeza, Bondade, Sabedoria, Amor, Justiça e Perfeição. Por isso, a Grandeza pode criar a Inteligência e a Vontade, e convém que o Poder tenha criado a Grandeza e que seja conveniente com a Inteligência e a Vontade de tal maneira que a Conveniência possa elevar o Poder pelo objeto que existe na Bondade, Grandeza, etc. Porque, se não fossem convenientes, teriam imperfeição ao elevar o Poder Divino a se materializar, o qual seria contrário à Bondade, Grandeza, Sabedoria, etc. se não desse à Inteligência e à Vontade tudo isso que melhor convém aos objetos criados, os quais movem a Inteligência, Vontade e Conveniência, saindo a Conveniência da Inteligência e da Vontade, fruindo a Inteligência com a Vontade, o Poder da Bondade com a Grandeza, etc., sendo conveniente que as sete Propriedades criadas na Inteligência e na Vontade sejam moldadas pelas sete Dignidades incriadas. E convém que esta Conveniência seja uma igual suposição à Inteligência e à Vontade para criar o Poder, a Bondade, etc., de tal Forma que o Poder incriado não seja a maior Grandeza incriada da Bondade, da Sabedoria, etc., e entendido pela Inteligência e amado pela Vontade. IV. Da Sabedoria A Sabedoria concorda com a Bondade, a Grandeza, o Poder, etc. Logo, se a Inteligência, a Vontade e a Conveniência são Propriedades distintas e unidas em um Ente sem distinção nem confusão — estando naquele Ente cada Propriedade em participação e comunicação unidas umas com as outras, recebendo a influência das Dignidades Divinas, estando cada uma das três Propriedades em si mesma, naquele Ente e nas setes Propriedades comuns criadas, formadas à semelhança das sete Dignidades incriadas — segue-se maior concordância que existam e sejam usadas nas criaturas a Sabedoria com a Bondade, a Grandeza, etc. Porque existindo a Inteligência na entidade sem a participação da Vontade e da Conveniência — num Ente que seja entidade distinta pela Inteligência, Vontade e Conveniência, e que estejam ajustadas e que sejam a Essência daquele Ente, no qual esteja a Bondade, a Grandeza, etc. — o Ente não poderia ser tão grande para entender a Bondade, a Grandeza, o Poder, a Sabedoria, o Amor e a Perfeição de Deus, como entende, e é incorruptível, imortal e existe com a Vontade e a Conveniência, e o mesmo se segue com a Vontade e a Conveniência. E porque o Ente se convêm com a Sabedoria de Deus para que melhor seja objeto à Inteligência, Vontade e Conveniência na Grandeza de si mesmo e da Bondade, Poder, etc., isso significa que todas as três Potências e Propriedades existem nos Entes, os quais dizemos que são os Anjos, que estão sujeitos a seus Princípios, os quais são a Inteligência, a Vontade e a Conveniência, que, por sua vez, estão sujeitos, por efeito, à Bondade, à Grandeza de Deus, etc. V. Do Amor O Amor deseja que aqueles Entes — os Anjos — sejam Substâncias sujeitas às três Potências, tendo cada Potência seu próprio Ato, isto é, que o Entender seja Ato da Inteligência, o Desejar da Vontade, e o Convir, o Amar e o Entender da Conveniência. E se o Amor não desejasse isso, existiria contra a Bondade, a Grandeza, etc., que ordenam que a Essência dos Anjos exista através da Inteligência, da Vontade e da Conveniência, assim como a Matéria e a Forma ou os quatro elementos que estão na Essência dos corpos elementais compostos de Matéria e Forma e aqueles corpos estão imóveis nos Entes. E porque cada elemento retém aí (no Amor) sua Virtude e nele está mesclado, aquele Ente — os Anjos — é convertido em Substância, estando os Atos abaixo e sujeitos às Potências. Por esse motivo, a Virtude dos Anjos mescla-se ao corpo e diversifica-se através das Potências e Atos. Logo, como é impossível que o Amor exista contra a Bondade, a Grandeza, etc., na Vontade do Amor — e no que convém ordenar segundo a Grandeza da Bondade, do Poder, etc. — manifesta-se a Substância dos Anjos, na qual se mescla a Virtude de Sua Essência. E porque é Substância abaixo das Potências, a diversidade da Inteligência, da Vontade e da Conveniência conserva-se nas Potências e nos Atos, sem os quais a distinção que existe na Essência dos Anjos seria confusa, e estes não seriam agentes com Atos que conservassem suas Condições. VI. Da Justiça A Justiça e os Atos da Inteligência, da Vontade e da Conveniência, que fruem a Bondade, a Grandeza, etc., são convenientes. E se a Justiça fosse contra tais Atos, seria contra as Potências, privando de seus Atos o Poder e o Amor contra a Bondade, a Grandeza, a Sabedoria, a Perfeição, pela qual privação de Atos as Potências seriam confusas, e a Entidade dos Anjos não se converteria em Substância, e sua Essência seria mesclada e confusa, na qual, a Inteligência, a Vontade e a Conveniência privariam a Virtude através da menoridade da Justiça contra a Grandeza da Bondade, do Poder, etc. E porque isso é impossível, logo, pelo contrário da impossibilidade, está provado que cada Propriedade nos Anjos retém sua própria Virtude, pela qual (Virtude) cada uma possui seu próprio Ato, pelo qual Ato está provada a existência da Potência, que não poderia existir sem o Ato, o qual Ato seria impossível na privação da Potência se aquela Potência estivesse em privação. VII. Da Perfeição A Perfeição é conveniente com as Potências através dos Atos, e por isso a Perfeição da Bondade, da Grandeza, etc., cria Potências no Ente Angelical para que nele existam Atos pelos quais a Perfeição da Bondade, da Grandeza, etc. se materialize nas Potências, que não poderiam ser materializados sem os Atos. E se os Atos estivessem em privação pelo desejo do Amor — pois são convenientes com o Poder e a Justiça — a Perfeição seria privada naquele desejo com a imperfeição do Poder e da Justiça, e a imperfeição concordaria com a Perfeição da Justiça e do Poder do que com o desejo do Amor, que são uma só coisa em Deus. E porque isso é uma contradição, portanto, pela provação da contradição é manifestado que as Potências dos Anjos são Atos de necessidade segundo o que se convém à Perfeição da Bondade, da Grandeza, etc., sendo tais Atos o Entender, o Desejar e o Convir. VIII. Da Bondade A Bondade da Grandeza, do Poder, etc., possui concordância com a semelhança de si mesma na Grandeza, no Poder, etc., de tal modo que, por aquela semelhança, seja conhecida e amada na Grandeza, no Poder, etc. E por essa concordância, a Divina Bondade com a Grandeza do Poder, etc., dão Propriedades que são grandes na Bondade, no Poder, etc., as quais Propriedades são dadas aos Entes angelicais de tal modo que os Anjos recebem a influência das Dignidades que, sem as Propriedades, não poderiam influir na Graça, na Benção, nem dar manifestação de si mesmas (as Dignidades) nos Anjos. E se as Propriedades da Bondade não dessem mais que o Poder, seu desejo seria contrário à Justiça, Grandeza, Perfeição, Sabedoria e Poder, e tal contrariedade privaria na Bondade a Grandeza da Justiça, da Perfeição, da Sabedoria e do Poder. Por essa privação, a privação de bem, que é mal, participaria com a Bondade, a Grandeza, etc. Logo, como isso é impossível, a Bondade convém com a necessidade, mas não do Ato da necessidade, mas pela necessidade da Benignidade, da Grandeza, etc., que a Bondade dá de sua semelhança à Grandeza, etc., por que a semelhança criada é condicionada ao Ente com tais Propriedades que possam com elas fruir as Dignidades incessantemente, e em qualquer lugar que estejam e em todos os tempos, sem fim e sem outro meio. E se tal Ente não pudesse receber tais Propriedades, existiria na Bondade a imperfeição da Grandeza, do Poder, etc., e tal privação é impossível. Pelas oito razões acima ditas, provamos a existência dos Anjos segundo a necessidade do uso que as Dignidades merecem ter pela nobreza de si mesmas nas criaturas. E provamos sua existência através dos Anjos, porque a privação de muitos Anjos não bastaria para um Anjo receber tudo o que é conveniente a muitos Anjos segundo a Grandeza da Bondade, do Poder, etc. E porque o homem ou qualquer outra criatura possui a disposição que convém ter segundo o que é conveniente ao Ente dado e criado pelas Dignidades, está provado o que os Anjos são, e que possuem a Entidade e as disposições acima provadas pelos Atos das Dignidades. Da Segunda Parte Esta Parte é dividida em cinco, conforme o que está contido no Prólogo, isto é: a Essência, o Ente, a Substância, as Propriedades e as Condições. Logo, primeiramente diremos da Essência e por conseguinte, diremos das outras. I. Da Essência Esta parte sobre a Essência é dividida em três, que são: a Inteligência, a Vontade e a Conveniência. Primeiramente trataremos da Inteligência. I.1. Da Inteligência A Vontade, recebendo a Virtude e a influência das Dignidades — que informam a ela as Propriedades, isto é, a Bondade, a Grandeza, o Poder, etc. — deseja estas Condições à Inteligência, isto é, que a Inteligência seja Forma pura por si sendo uma Propriedade pessoal para que não seja um entrave ao Entendimento, e que por si mesma e por sua própria Virtude entenda incessantemente as Dignidades de Deus, e que de sua própria Entidade e natureza possua a Bondade, a Grandeza, etc., para perceber tudo o que entende a intelectiva pela graça das Dignidades. Se a Vontade não desejasse estas Condições tão altas à Inteligência, e desejasse que ela entendesse mais ordinariamente, estaria contra a Justiça e contra a Grandeza do Poder e da Bondade, do Poder, da Sabedoria e da Perfeição, e contra a Grandeza de si mesma. E se a Vontade desejasse altas Condições à Inteligência, e a Inteligência não as possuísse, a Vontade seria passiva e defeituosa em seu Ato, e privaria a Grandeza da Bondade, etc., e as Dignidades não informariam à Vontade as Propriedades com a Perfeição da Bondade, da Grandeza, etc., e seriam contrárias à Grandeza de sua semelhança na Inteligência e na Vontade. E tal contrariedade da Divina Grandeza estaria na Bondade, no Poder, etc., estando também nas criaturas contra si mesma, e isso é inconveniente. Portanto, as Condições que a Vontade deseja estão na Inteligência, sem as quais a Vontade não teria a Perfeição em suas próprias Condições. A Conveniência convém à Inteligência e à Vontade. E convém que ela dê Condições para que a Inteligência entenda e apreenda mais altamente como o calor quando aquece, a visão quando vê, a claridade quando ilumina e a memória quando relembra. Isto porque o calor não pode aquecer sem o meio e as formas ativas e passivas presentes nos corpos compostos, nem a visão pode ver sem a cor, a claridade e o ar, nem a luz pode iluminar sem o ar e o calor, nem a memória pode relembrar sem o corpo humano, e a ignorância passiva não pode participar da apreensão dos objetos. Por isso, todas estas Potências são defeituosas em Grandeza, Poder, Perfeição e Bondade, e esta imperfeição não é suficiente para tornar a Inteligência conveniente à Dignidade, que é parte essencial dos Anjos e que convém à Inteligência de tal maneira, que os Anjos, com todos os meios, possam entender a Divina Essência e suas Dignidades. A Conveniência convém à Inteligência, para que esteja acima da Essência dos Anjos em Bondade, Grandeza, etc. Por isso, a Justiça Divina dá à Inteligência as Condições convenientes a Ela. Porque se não o fizesse, seguir-se-ia que a Grandeza, criada da Justiça, Bondade, Poder, etc., conviria melhor com a maioridade da Justiça de Deus em Bondade, etc., e isso é impossível. E essa impossibilidade significa que convém à Inteligência estar condicionada para entender as Dignidades de Deus e das criaturas. I.2. Da Vontade A Inteligência entende que, se a Vontade é Forma essencial simples e Propriedade pessoal distinta de si e da Conveniência — sendo Forma, Propriedade e Ato puro sem Matéria — mais alta está quando deseja as Dignidades, e pode conter em si maior Grandeza da Bondade, do Poder, etc., quando deseja através de sua Virtude e Propriedade, sendo a Bondade, a Grandeza, etc., aquilo que deseja. O mesmo acontece com a Inteligência e a Conveniência. E se a Vontade possui estas Condições tão elevadas para entender a Inteligência e as Condições da Conveniência pelo Poder da Grandeza na Bondade, Sabedoria Criada, etc. — e pela Graça do Poder incriado na Grandeza, Sabedoria, etc. — ela entende a Inteligência e concorda com a Inteligência e a Conveniência na Grandeza da Bondade, do Poder, etc. E se a Vontade não possui as Condições ditas acima, é defeituosa em seu desejo, e concorda com a menoridade da Bondade, etc., tornando insuficiente a Grandeza Divina no uso da Perfeição na Grandeza da Bondade Criada, etc. E neste enfraquecimento as Propriedades tornam-se defeituosas na entidade da Vontade para receber os Atos das Divinas Dignidades através de objetos. Como isso é inconveniente, provamos que aquelas Condições estão na Vontade, que entende a Inteligência com a Grandeza da Bondade, etc. A Conveniência da Vontade convém com a Grandeza da Justiça, na Bondade, no Poder, etc. A Vontade é condicionada de tal maneira que suas Condições concordam com as Condições da Inteligência, para que a Conveniência possua perfeitas Condições pela concordância da Vontade e da Inteligência na Grandeza da Bondade, do Poder, etc. E se tais Condições da Conveniência não fossem convenientes na Vontade, a Conveniência teria uma Grandeza de Justiça defeituosa, e por essa falta, a Vontade não relembraria a influência das Divinas Dignidades segundo a Grandeza da Justiça, e este enfraquecimento é inconveniente — segundo a Grandeza da Inteligência, da Vontade e da Conveniência — com o uso que a Justiça de Deus possui na Bondade, na Grandeza, etc. E porque a Conveniência lembra suas Condições perfeitas na Vontade, esta deseja possuir o uso das Dignidades nas criaturas com a Inteligência, a Conveniência e a Grandeza da Justiça, etc., na Bondade e na Grandeza de Deus. E a Vontade é Propriedade simples possuindo Ato puro e livre na Grandeza da Justiça, etc. E a Justiça deseja seus Atos, os quais possui na Bondade, na Grandeza, etc., participando com os Atos da Inteligência e da Conveniência na Entidade Angelical na qual as três Propriedades pessoais são Essências. Logo, segundo o que foi dito acima, a Vontade e a Conveniência se condicionam, por que possuem tudo o que desejam e convém segundo a Conveniência da Grandeza, na Bondade, no Poder, etc. E se tal Vontade fosse assim condicionada no homem, o homem teria Vontade com a Justiça em tudo o que desejasse, e teria tudo o que desejasse com seu próprio Poder, recebendo a influência por meio da Bondade, da Grandeza, etc., de Deus. I.3. Da Conveniência A Inteligência entende, segundo sua Vontade, que a Conveniência é Propriedade pessoal sendo Forma simples e distinta sem Matéria, possuindo Ato puro na Grandeza da Bondade, do Poder, etc., de tal modo que busque com a Justiça receber a influência das Dignidades Divinas. Por essa influência, a Grandeza da Bondade, do Poder, etc., é perfeita, na qual Perfeição não estaria sem a influência e as Condições ditas acima. E por que a Inteligência entende a Conveniência da Justiça na Grandeza da Bondade, do Poder, etc., entendendo as Condições acima ditas, isso demonstra que as Condições que Inteligência entende a Conveniência e a Justiça estão em Conveniência, porque se não estivessem, seria coisa impossível que a Inteligência concordasse com a Grandeza da Bondade, no Poder, etc., entendendo as Condições que à Conveniência convém. A Vontade desejou que a Conveniência fosse uma suposição igual a si e à Inteligência, na Grandeza da Bondade, do Poder, etc. Porque se a Vontade desejasse que a Conveniência fosse maior que a Inteligência ou a si mesma — para que fosse uma Propriedade nascida das duas — ela também desejaria que a Conveniência e a Inteligência fossem maiores, e seu desejo seria contrário à sua Grandeza e à Grandeza da Inteligência. E porque tal contrariedade engendra na Vontade a injúria e a privação da Grandeza, na Bondade, no Poder, etc., a Vontade demonstra desejo igual ao da Conveniência em si com a Inteligência na Grandeza da Bondade, do Poder, etc. Por essa Grandeza — e porque a Vontade é seu Poder quando deseja com a Perfeição da Grandeza, da Sabedoria, etc. — a Conveniência é simples suposição igual à Inteligência e à Vontade, assim como um homem, filho de seu pai e de sua mãe, que é igual a ambos na entidade da espécie humana. E se a Conveniência não seguisse o que deseja a Vontade com a Justiça, a Grandeza de seu uso estaria nas Dignidades possuidoras de defeitos contra a Bondade, o Poder, etc. na Vontade, e isso é inconveniente. Dissemos sobre a Inteligência, a Vontade e a Conveniência e provamos suas Condições. Agora convém dizer e provar quando todas as três Propriedades estão ao mesmo tempo em um Ente composto, que são os Anjos e todas as três são sua Essência, e segundo suas Condições convém estarem condicionados.
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