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Comissão Brasileira de Filosofia Medieval
O mandato de Luis Alberto De Boni
Luis Alberto De Boni
As eleições dentro de nossa
Comissão foram sempre por aclamação. Na verdade, minha proposta e de todos
os colegas era de que o Prof. José Antonio continuasse na direção. Compreendemos,
porém, que motivos de toda ordem justificavam que passasse a coordenação
a alguém outro e, como sempre defendi que não existe sociedade bem instituída
se alguém não assumir com disposição o comando, acabei por aceitar a indicação.
Supunha que não durasse mais que dois ou três anos. Como ocupava o cargo
de Diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, sabia
que poderia contar, em parte, com o auxílio da secretaria do Instituto
para o trabalho de correspondência e organização de eventos futuros.
Olhando o
que recebera, senti pesar em meus ombros a responsabilidade, pois o Prof.
José Antonio fora muito eficiente; ele instituiu no Brasil a associação
de professores de Filosofia Medieval. Creio que fomos, no país, o primeiro
grupo estruturado na área da Filosofia. Além disso, tornava-se necessário
percorrer outras trilhas, pois a direção da UniSantos comunicara que não
pretendia, no futuro, patrocinar os encontros do grupo, e que não haveria
de ceder espaço na revista Leopoldianum para a publicação das atas de
nossos eventos.
Entrementes,
passara-se o ano de 1991. Na metade de 1992 solicitei aposentadoria na
UFRGS, tendo sido já anteriormente convidado para lecionar no PPG em Filosofia
da PUCRS. Duas tarefas estavam pela frente: a organização de um encontro
de Filosofia Medieval e o congresso internacional da SIEPM. Quanto a este,
a insistência de colegas, a fim de que um grupo mais numeroso se fizesse
presente em Ottawa, acabou surtindo efeito. Estávamos inscritos José Antonio
C. R. de Souza, Carlos Arthur R. do Nascimento, Francisco M. Tomás Ramos,
Newton Bignotto, José Carlos Estêvão, Moacir Novaes e eu. Valeu o encontro
e os contatos mantidos dariam frutos nos anos seguintes.
Ao solicitar
verbas para o IV encontro do grupo, acabei encontrando uma fonte
de apoio ainda hoje atuante. O que foram, para a direção anterior, o Pe.
Waldemar do Vale Martins e a UniSantos, foram para mim Mons. Urbano Zilles
e a revista Veritas da PUCRS. Mons. Zilles, na qualidade de Pró-Reitor,
garantiu-me um auxílio mínimo, caso fosse necessário, para realizar o
congresso e, além disso, dispôs-se a publicar as atas do mesmo. Além disso,
propôs-me que aceitasse coordenar, todos os anos, o número de setembro
de Veritas, dedicando-o à Filosofia Medieval. Como, na qualidade de Pró-Reitor,
ele era também presidente do Conselho Editorial da universidade, abriu-se
aí o espaço que nosso grupo soube muito bem aproveitar.
Quanto à publicação
de livros, a Edipucrs foi lançando aos poucos, geralmente na coleção ‘Filosofia’,
trabalhos que lhe foram encaminhados. Hoje é a maior editora do pensamento
medieval em língua portuguesa. Cito os títulos:
U. Zilles, Fé e razão no pensamento medieval (1994);
S. R. Strefling, O argumento ontológico de santo Anselmo (1994);
L. A. De Boni, Bibliografia sobre Filosofia Medieval (1994);
L. A. De Boni (org.) Lógica e Linguagem na Idade Média (1995);
J. A. de C., R. de Souza, O reino e o sacerdócio (1995);
L. A. De Boni (org.) Idade Média: Ética e política (1996);
C. R. Cézar, O conhecimento abstrativo em Duns Escoto (1996);
P. R. Matinez, O argumento ‘único do Prológion (1997);
A. Ghisalberti, Guilherme de Ockham (1997);
J. A. de C. R. de Souza e J. M. Barbosa, O reino de Deus e o reino
dos homens (1997);
A. R. dos Santos, Pensando a Filosofia: Prólogo do Comentário de Guilherme
de Ockham às Sentenças (1997);
U. Zilles, O problema do conhecimento de Deus (1997);
F. P. de A. Fleck, O problema dos futuros contingentes;
P. Lugon, Os princípios da Filosofia de santo Tomás de Aquino: as vinte
e quatro teses fundamentais (1998);
I. J. Sangalli, O fim último do homem: da eudaimonia aristotélica à
beatitudo agostiniana (1998);
J. I. Iskandar, Avicena: a origem e o retorno (1999);
T. M. Verza, A doutrina dos atributos divinos no Guia dos Perplexos
de Maimônides (1999);
M. R. N. Costa, Santo Agostinho: um gênio intelectual a serviço da
fé (1999);
Anônimo, O livro das causas (2000);
L. A. De Boni, Filosofia Medieval: textos (2000);
R. Ullmann, A universidade medieval (2000);
L. A. De Boni (org.), A ciência e a organização dos saberes na Idade
Média (2000);
M. Attiê Filho, Os sentidos internos em Ibn Sina (2000);
M. P. S. da Cunha, O movimento da alma (2001);
J. Z. de Souza, Agostinho, buscador inquieto da verdade (2001);
P. Leite Jr., O problema dos universais (2001).
Além disso,
encontram-se no prelo:
A. Ghisalberti, As raízes medievais do pensamento
moderno;
J. A. C. R. de Souza, O pensamento social de santo Antônio.
A estes textos
somam-se, em outras coleções: T. de Aquino, Suma contra os gentios
(vol. II) (1996), e T. de Aquino, Compêndio de Teologia (1996).
Há, enfim,
a coleção ‘Pensamento franciscano’, na qual já foram editados 4 volumes:
S. Boaventura, Escritos filosóficos e teológicos (1999); G. de
Ockham, Escritos políticos (1999); G. de Ockham, Lógica dos
termos (1999); R. Lúlio, Escritos antiaverroístas (2001).
Ao todo são,
portanto, 34 títulos diferentes.
Em 1993, tendo
aceito a proposta da revista Veritas, foi possível lançar o primeiro
número dedicado ao pensamento medieval. Foi-me possível prepará-lo com
diligência. Graças aos contatos de outros colegas com pesquisadores estrangeiros,
durante o congresso de Ottawa, pude organizar um volume dedicado exclusivamente
ao pensamento político (Os textos encontram-se em Publicações 1983/2001,
sob o número 6).
Devo confessar
que não percebi de início a importância daquele número: eram 16 textos,
sendo 13 de estrangeiros, todos eles na língua original (entre os trabalhos
encontrava-se o do Prof. Albert Zimmermann, diretor do Thomas-Institut,
em Köln, e que acabara de ser eleito presidente da SIEPM).
Ora, era a
primeira vez que a revista se internacionalizava a tal nível e, sendo
monográfica, passava a ser solicitada e citada por especialistas de diversos
países. Esta experiência valeu. Daí em diante, o número de setembro de
Veritas manteve sempre a mesma abertura para as contribuições de
professores de todo o mundo.
Além disso,
pouco tempo depois, a revista passou a ser empreendimento do Programa
de Pós-Graduação em Filosofia, no qual foi aberta uma área de concentração
para a Filosofia Medieval.
Entre os dias
08 e 12 de novembro desse mesmo ano de 1993, realizou-se o 4º Congresso
Internacional de Filosofia Medieval. O título do evento, com o ‘internacional’
foi obra do então diretor do IFCH da PUC, o saudoso Prof. Odone José de
Quadros: quando fui falar com ele sobre o encontro e mostrei-lhe a lista
dos convidados, ele, que muito bem entendia de publicidade, ao ver o título
‘4º Congresso de Filosofia Medieval’, imediatamente comentou: “Mas
por que não colocamos aí um ‘internacional’, pois há vários convidados
de outros países?
A partir de
então, nosso encontros mantiveram este título, que mais tarde ainda foi
ampliado, quando os colegas argentinos, em 1999, sugeriram que os acrescentasse
também ‘latino-americano’. As dificuldades organizatórias foram as de
sempre, sendo digna de menção a incerteza em que a coordenação se encontrava,
pelo fato de a resposta das agências financiadoras vir há poucos dias
do evento.
O que me animou
a planejar o encontro foi a garantia, da parte de Mons. Urbano Zilles,
de que a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação arcaria com as despesas,
caso não viesse o auxílio solicitado. A fim de reduzir custos, contatei
os freis Capuchinhos, do convento do Partenon, os quais ofereceram pernoite,
refeições e salas para conferências por um preço módico. Poucos dias antes
do início do evento, veio a resposta do CNPq, concedendo boa parte da
verba solicitada. Do mesmo modo, a FAPERGS também concedeu auxílio. Convém
dizer que, no período que dirigi a Comissão, os pedidos feitos ao CNPq
sempre foram atendidos, tendo sido esta agência a principal financiadora
de nossos encontros. Com quantias menores também a PAPERGS e a CAPES sempre
se fizeram presentes.
O trabalho
de anos anteriores pôde ser percebido no elevado número de inscritos,
num total de 19 que apresentaram trabalho (Os textos encontram-se em Publicações
1983/2001, sob o número 8). Além disso, alunos de graduação e de pós-graduação
da PUCRS, bem como estudantes capuchinhos de Teologia e alunos da Universidade
de Goiás inscreveram-se para o encontro, havendo sessões em que eram mais
de 60 os presentes. Encontro no Rio Grande do Sul significa também um
bom churrasco. Por isso, no dia 10 à noite houve janta com show artístico
no Galpão do CTG 35: colegas estrangeiros e de outros estados foram pródigos
em elogios.
Durante o
evento realizou-se uma assembléia da Comissão, sendo o cargo de presidente
colocado à disposição. Meu nome foi confirmado para o mesmo. Mais importante
ainda: foi comunicado que havia intenção, por parte de Edições Loyola,
de publicar uma nova edição da Suma teológica, reproduzindo exatamente
a edição bilíngüe, cuja tradução portuguesa fora feita pelo Prof. Alexandre
Correa. A unanimidade dos presentes concordou que a antiga edição prestara
um grande serviço aos estudos medievais e à cultura brasileira, mas que
estava superada: apesar da elegância barroca do estilo, havia falhas de
tradução, graves erros gráficos, ausência de uma melhor revisão técnica,
etc., o que recomendava que não se publicasse novamente tal qual como
se encontrava. Com isso estava aberto caminho para a nova tradução da
obra, dirigida pela mesma editora.
No final,
com todos os textos na mão, vi que tanto poderia encaminhá-los para o
próximo número da revista, como publicá-los em forma de livro. Optei pela
segunda alternativa e, pouco mais de um ano depois, surgia, pela Edipucrs,
o volume Lógica e linguagem na Idade Média.
Uma palavra
sobre a revista Veritas. A partir de 1993, como foi dito, um número
anual dela foi reservado ao pensamento medieval. Tornou-se assim o grande
suporte para a divulgação da produção acadêmica da Comissão e o principal
veículo de comunicação com colegas pesquisadores de outros países. Como
se pode ver em Publicações, no presente volume, foi mesmo possível
organizar alguns números monográficos.
Ao final do
evento de Porto Alegre, insistiu-se que, na medida do possível fosse mantida
a periodicidade dos encontros, o que significava que se esperava, para
1995, a realização do 5º Congresso Internacional de Filosofia Medieval.
Por isso, iniciaram-se logo as tratativas, a fim de que o próximo congresso
estivesse à altura dos anteriores e, como seria de esperar, apresentasse
mesmo um acréscimo de qualidade.
Colhidas sugestões
entre os colegas, decidiu-se por uma tentativa de propor um tema específico
e, dentre os diversos aventados, foi escolhido Idade Média: Ética e
Política. A fim de reduzir custos, procurou-se como local do encontro
uma localidade dentro do triângulo Rio-São Paulo-Belo Horizonte. O congresso
da ANPOF, que há vários anos realizava-se em Águas de Lindóia, fez com
que esta localidade fosse a escolhida, graças principalmente à proposta
apresentada por um hotel de ótima qualidade. A data estabelecida foi a
de 28 de agosto a 1º de setembro. O pedido de auxílio, enviado ao CNPq,
foi muito bem acolhido, o mesmo acontecendo com a FAPERGS.
A correspondência
enviada às principais instituições brasileiras de ensino superior, bem
como os convites feitos a colegas no exterior, causaram uma agradável
surpresa: mais de 40 pesquisadores manifestaram interesse. No final, com
as costumeiras defecções, foram 34 os presentes (Os textos encontram-se
em Publicações 1983/2001, sob o número 9).
A direção
de Veritas, a pedido, fez com que a revista estivesse à disposição
dos congressistas no dia da abertura, mantendo, assim, a tradição que
se estabelecera desde o segundo encontro, em Santos.
Na abertura
dos trabalhos, antes que o Prof. Dr. Alessandro Ghisalberti pronunciasse
sua conferência Ideali etici e pensiero politico nel De recuperatione
terre sancte di Pierre Dubois, houve um minuto de constrangido silêncio,
pois, após o último congresso, nada menos que cinco colegas haviam partido
para melhor vida. Eram eles: Francisco da Gama Caeiro, João Morais Barbosa,
José Lourenço d’Aragão Araújo, João Pedro Galvão de Souza e Nicolas Bôer.
À noite, foi
oferecido um coquetel aos presentes, ocasião em que o Prof. José Antônio
de C. R. de Souza, ex-presidente da Comissão, foi homenageado com o recebimento,
não esperado, de O reino e o sacerdócio, volume sobre o pensamento
político medieval, por ele organizado e que a Edipucrs dissera que lançaria
somente no final do ano. Os trabalhos transcorreram normalmente.
Na reunião
do grupo, o nome do Prof. Luis Alberto De Boni foi confirmado para mais
um período na direção da Comissão e sugeriu-se que no próximo congresso
fosse igualmente apresentado um tema específico a ser desenvolvido. A
última conferência coube ao Prof. Dr. Jürgen Miethke, da Universidade
de Heidelberg, que falou sobre Lordship and Freedem in the Political
Theory of the Early 14th Century. Uma constatação, feita entre os
presentes, foi mencionada pelo Presidente nas palavras de encerramento:
referia-se ao fato de que a presença e participação de colegas argentinos
e portugueses nas atividades da Comissão desenvolvera-se de tal forma
e tão ao natural que, dentro do espírito universalista da Filosofia Medieval,
não se podia mais dizer que eles eram visitantes de outros países.
O número da
revista, com aquela riqueza de textos, passou a ser solicitado por pesquisadores
de várias áreas e, em pouco tempo, não estava mais disponível. Era a primeira
vez que, em menos de um ano, um número de Veritas ficava esgotado.
A solução foi providenciar pela publicação como livro, mantendo o mesmo
título. Em início de 1996 a obra já se encontrava no mercado. Dos países
de língua neolatina passaram a vir inúmeros pedidos, havendo resenha nalgumas
das principais revistas da área, como, por exemplo, em Mediaevalia.
Em encontros de Filosofia ou de Medievalistas, como os da ANPOF e da ABREM,
os livreiros informam que se situa sempre entre os livros mais vendidos.
Por uma série
de fatores, o congresso seguinte não pode realizar-se em 1997, principalmente
porque neste ano haveria o 10º Congresso da SIEPM. Para esse evento, que
aconteceria em Erfurt, como de costume, foi enviada correspondência aos
colegas, houve insistência através de telefonemas e de conversas, insistindo
na importância de nossa presença. Para mim foi uma grata surpresa quando
recebi a programação, germanicamente bem organizada, na qual constavam
os nomes de 17 brasileiros inscritos: O. F. Bauchwitz, F. J. César,
L. A. De Boni, J. C. Estêvão, F. R. Évora, J. I. Iskandar, J. E. Lupi,
P. R. Martines, F. B. de Souza Neto, M. Novaes, S. P.L. de Almeida, E.
Perini Santos, F. P. de Almeida Fleck, L. F. Pondé, F. M. Tomás Ramos,
S. Randall Paine, e C. A. Ribeiro do Nascimento.
Pouco tempo
depois, lá estávamos nós, participando dos trabalhos, naquela agradável
cidade medieval da antiga Alemanha Oriental. Pela primeira vez, a presença
dos brasileiros, como grupo, foi percebida pelos colegas de outros países.
Ao concluírem-se os trabalhos, havia uma certeza: o próximo encontro,
a realizar-se em 2002, haveria de localizar-se em um país de fala portuguesa,
pois a cidade do Porto lançara-se oficialmente para sediá-lo e, como já
vínhamos pensando há mais tempo, Porto Alegre também haveria de candidatar-se.
Dois anos depois, Porto foi a vencedora.
A fim de que
o ano de 1997 não transcorresse em branco, aproveitou-se o lançamento
da tradução para o português do livro Guilherme de Ockham, do Prof.
Alessandro Ghisalberti, para organizar um pequeno colóquio em Porto Alegre,
tendo como tema específico o pensamento de Ockham (Os textos encontram-se
em Publicações 1983/2000, sob o número 15). Não houve apoio de instituições
financiadoras. O encontro realizou-se no primeiro semestre, nas dependências
da PUC. Os textos, acrescidos de alguns outros sobre o mesmo autor, possibilitaram
a publicação do número monográfico de Veritas no ano de 2000.
Em 1998, portanto,
deveria realizar-se o 6º Congresso Internacional de Filosofia Medieval.
Proposta acolhida no encontro anterior, e confirmada em conversa com colegas,
propôs como tema A ciência e a organização dos saberes na Idade Média.
Havia uma certa apreensão quanto a recursos financeiros, pois a crise
financeira que já atingira outros países, parecia não estar muito longe
do Brasil. Além do mais, era ano de eleições presidenciais. Ouvia-se,
da parte das autoridades econômicas, que as verbas dos ministérios estavam
sendo reduzidas, e isto fazia supor que, como sempre, recursos para educação
e cultura, bem como para saúde, seriam os mais atingidos.
Mas havia
também o outro lado da medalha: A Universidade São Francisco, de Bragança
Paulista, através de seus professores Frei Orlando Bernardi e Alberto
Moreira, comunicou-se comigo, manifestando o desejo realizar algum evento
na área de Filosofia Medieval, sendo levada a isto, entre outros motivos,
pelo fato de estar planejando, juntamente com a PUCRS, o lançamento de
uma coleção de traduções de franciscanos dos séculos XIII e XIV. Propus,
então, que nosso congresso fosse sediado em Bragança Paulista, o que foi
aceito por eles. A data fixada foi de 20 a 24 de setembro, havendo um
motivo econômico para tanto: seguia-se a ela o encontro da ANPOF em Minas
Gerais, o que significava a possibilidade de economia de passagem para
colegas que desejassem participar dos dois eventos.
Com esses
temores e essas esperanças foram encaminhados os pedidos de financiamento.
Para minha surpresa, recebemos bem mais do que esperávamos, acabando por
devolver uma parte dos recursos ao CNPq que, como sempre, foi o principal
financiador. É preciso agradecer duas pessoas desta instituição,
que sempre tiveram um olhar amigo para nossos pedidos: Maria Montandon
e Maria de Fátima Lobo Dinis; pelo mesmo motivo menciono também
Attilio Benetti na FAPERGS.
A generosidade
dos frades franciscanos colocou carros que nos transportaram do aeroporto
de Guarulhos para Bragança Paulista. (e na direção inversa no final do
encontro). Ficamos distribuídos por diversos hotéis da cidade, sendo buscados
para as conferências e refeições, que aconteciam na Universidade. Apesar
de tratar-se de um tema um tanto específico, foram 22 as conferências
apresentadas, cabendo a abertura dos trabalhos ao Prof. Dr. Reinholdo
A. Ullmann, que falou sobre A estrutura do saber em Plotino, e
o encerramento à Prof. Dra. Silvia Magnavacca, com o tema Escolasticismo
e Humanismo: una confrontación ajena a la ‘batalla de las artes’ (Os
textos encontram-se em Publicações 1983-2000, sob o número 12).
Como da vez
anterior, as atas estavam à disposição antecipadamente, através da revista
Veritas. À noite, como não poderia deixar de ser, o grupo reunia-se
em algum dos bons restaurantes da cidade e, como era de esperar, a maioria
optava por churrasco. Os colegas que permaneceram após a conclusão do
evento foram convidados para uma excursão à região montanhosa das proximidades,
de onde é possível uma ampla visão dos férteis vales de São Paulo e Minas
Gerais.
Durante os
dias do congresso tivemos um encontro importante com os diversos colegas
argentinos lá presentes. Estávamos de acordo que, de fato, constituíamos
um único grupo de pesquisadores, acima das divisões de fronteiras, e por
isso nos perguntávamos sobre a possibilidade realizar o próximo congresso
na Argentina. Segundo eles, não existia naquele país a tradição de os
órgãos públicos garantirem o suporte financeiro para eventos na área de
ciências humanas.
Propusemos
a eles que organizassem um congresso, comunicando aos interessados que
não lhes seria possível financiar passagem e estadia. Então, a Profa.
Celina Lértora Mendoza comentou que poderia sondar os freis franciscanos
de San Antonio e, caso houvesse uma resposta positiva por parte deles,
seria possível realizar o encontro no convento dos frades, com diária
a preços módicos. Pouco depois, em Porto Alegre, encontrei-me com os freis
Jorge Bender e Cláudio Conforti, de San Antonio, e expliquei-lhes o que
significava, em termos financeiros e acadêmicos, organizar um encontro
como projetáramos. A partir desta conversa, voltaram a tratar do assunto
com a Profa. Celina. O resultado concretizou-se no ano seguinte, mas isto
já é assunto para o Prof. João Lupi.
Como já acontecera
com as atas do congresso anterior, também desta vez a Veritas esgotou-se,
o que fez com que dois anos depois fossem elas publicadas como livro pela
Edipucrs, sob o título A ciência e a organização dos saberes na Idade
Média.
Em Bragança
Paulista, na reunião da Comissão, solicitei aos colegas que indicassem
um novo presidente. Disse que gostara muito de ter dirigido a Comissão,
que só tivera alegrias e que julgava ter dado continuidade ao trabalho
iniciado por meu antecessor; mas que não me parecia proveitoso permanecer
por mais tempo no cargo e cria mesmo que uma mudança de direção só viria
em proveito do grupo. Por acordo unânime e aclamação, o Prof. Dr. João
Lupi, da UFSC, aceitou assumir o cargo. Encerrei assim um mandato de oito
anos.
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