O Livro dos Feitos do rei D. Jaime (c. 1252-1274)
Jaime I (1208-1276)
Trad. e notas: Prof. Luciano Vianna e Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes)

Capítulos 101-150

101. A esse respeito, disse Dom Nuno:

“Senhor, porque estamos aqui convosco? De nada vale tudo o que nós fazemos: as pedras que lançamos não lhes podem causar mal e, lá debaixo, eles não podem ser molestados. É meio-dia, e seria bom que nós descêssemos, pois hoje é dia de jejum, e comeríamos e depois acordaríamos e decidiríamos o que fazer”.

Nós respondemos a Dom Nuno:

“Pela fé que deveis ter, não vos preocupeis nem vos apresseis, que por boa fé tê-lo-emos”.

Disse o mestre do Hospital:

“Dom Nuno, bem nos parece que vós dissestes a razão e a verdade ao rei, mas façais assim: ide comer como rei e, após terdes comido, enviais uma companhia e decidiremos o que faremos”.

Nós respondemos:

“Disse muito bem o mestre”.

Concordamos, nós e Dom Nuno, com aquilo que ele nos disse, e descemos.

102. Enquanto comíamos, o mestre arriou suas bestas, uniu uma com a outra e, com uma boa corda, amarrou um homem na extremidade do arreio e acendeu um fogo de lenha seca em um caldeirão. Com muito cuidado deixaram esse homem vir com esse fogo aceso. Quando ele viu que as barracas estavam à direita, colocou fogo em uma. Como fazia um forte vento, acenderam e queimaram cerca de vinte. Quando vimos aquele fogo enquanto comíamos, tivemos uma grande alegria. Então, o mestre disse para eles se renderem, pois todos seriam mortos.

Eles disseram que fariam o seguinte pleito: na manhã do outro dia, que tinha o nome de dia de São Lázaro, da Quaresma, até oito dias, se aqueles da montanha não os tivessem socorrido, nós os levássemos, pois eles se renderiam, mas não como cativos, e assim eles entregariam tudo o que ali havia.

Veio o mestre a nós com aquele pleito e, antes que nós lhe respondêssemos, ele disse:

“Não concordamos com este pleito a não ser que nós os retenhamos como cativos. Caso contrário, que fiquem esbaforidos e morram, esses vilãos”.

Todos concordaram que isso deveria acontecer dessa maneira. Então, o mestre retornou lá para cima e eles outorgaram que se renderiam a nós como cativos se os da montanha não lhes tivessem socorrido ao cabo de oito dias. E aquele oitavo dia era o dia de Ramos. A esse respeito, os filhos dos dez melhores homens que estavam abrigados nas covas nos foram dados como reféns. E nós repousamos ali esperando aquele dia.

Entretanto, durante aquele tempo, o pouco do pão que nós tínhamos durou somente dois dias. No último dia, nós, juntamente com Dom Nuno e cerca de cem homens que ali comiam, passamos somente com sete pães. [276] Os da hoste não tinham pão, a não ser aquele trigo que encontravam nas alcarias dos sarracenos, trigo esse que tostavam e comiam. Eles vinham pedir se poderiam comer carne, e nós os incentivamos para que pudessem comer. [277]

103. Dom Pedro Massa fez uma cavalgada com cavaleiros e homens da hoste, além de almogávares. [278] Encontraram uma cova em que havia sarracenos e nos endereçaram uma mensagem para que lhes enviássemos balestras, flechas e picaretas, e nós as enviamos. Eles combateram-nos durante dois dias e trouxeram-nos quinhentos sarracenos.

Quando chegou o dia de Ramos, após o Sol sair, enviamos uma mensagem aos sarracenos das covas para que eles atendessem à conveniência que nos fizeram. Eles responderam que ainda não era terça, e que devíamos esperá-la. Nós respondemos que eles tinham razão, mas que se preparassem para descer. Eles se prepararam, juntaram as roupas de vestir e nos deixaram, acima, uma grande quantidade de frumento e cevada. Quando havia passado meia hora da terça, eles começaram a descer e saíram mil e quinhentos. Com isso, tivemos dois mil sarracenos, que ocupavam, aproximadamente, uma légua daquela rocha, além de termos tomado na cavalgada cerca de dez mil vacas e aproximadamente trinta mil ovelhas. Assim, nós entramos alegres e contentes na cidade de Maiorca.

104. Chegou a nós uma mensagem de Aragão dizendo que Dom Ato de Foces e Dom Rodrigo Lizana vinham a nós. Estivemos em grande alegria por eles estarem conosco, devido à grande escassez de gente que nós tínhamos.

Dom Rodrigo Lizana fez alugar uma tarida [279], daquelas que haviam estado na passagem de Maiorca, além de dois outros barcos, para que trouxessem as provisões. A tarida era boa para trazer os cavalos, e os outros barcos levavam suas provisões. Ela chegou a Polença, com trinta cavaleiros bem aparelhados e com todo o necessário em armas e provisões.

Dom Ato de Foces alugou uma coca das de Bayona. [280] Quando esteve no mar, a coca fez muita água por dois ou três lugares, e eles tiravam a água em pequenos utensílios, calafetando tudo o que podiam com estopa, pois já queriam estar em terra em qualquer lugar que pudessem sair primeiro, na Catalunha ou em Maiorca. A coca em que vinha Dom Ato de Foces e Dom Blasco Massa, com as companhias de cavaleiros que vinham com eles, teve de retornar, pela força do tempo, que os conduziu, para Tarragona. Todos pensaram que morreriam, pois a coca fazia muita água e era velha, e, a duras penas, eles puderam trazer a roupa e os cavalos, pois, após terem trazido, a coca se abriu e rompeu-se sobre o mar.

105. Depois de estarmos todo aquele verão em Maiorca, veio a nós Dom Bernardo de Santa Eugênia, senhor de Torroella. Nós rogamo-lo que, como havíamos estado em Maiorca por um longo tempo depois que ela foi tomada, desejávamos ir para a Catalunha, mas, para isso, ele deveria permanecer em nosso lugar em Maiorca; para isso, ordenaríamos aos cavaleiros e a todos os outros homens que fizessem por ele o mesmo como fariam por nós.

Ele nos disse que faria, mas nos rogava, para que as gentes soubessem que ele era nosso amado, que lhe doássemos Pals [281], um castelo que está próximo e a poucos dias de Torroella e de Palafragel, pois assim as gentes entenderiam que nós o amávamos. E nós outorgamo-lo. Pois valia mais o amor que nós lhe mostrávamos que o dom, já que aquele local não valia muito de renda.

Após termos feito isso, escrevemos uma carta, dizendo que nós pagaríamos tudo o que ele gastasse na missão que fizesse em Maiorca. Reunimos o Conselho geral, isto é, todos os cavaleiros e povoadores que estavam em Maiorca, e lhes dissemos assim:

“Barões, nós estivemos aqui quatorze meses [282], e, em nenhuma ocasião, não desejamos partir de vós. Agora que chega a entrada do inverno, parece-nos que a terra não teme nada, à mercê de Deus, mas queremos ir, pois poderíamos dar melhor conselho de lá, coisa que não faríamos aqui convosco, além de enviar a vós companhias para que as ilhas possam se defender, ou então vir nossa pessoa, caso vos seja necessário. Pois acredites, de boa fé, que não haverá momento no mundo, de dia e de noite, em que a maior parte do nosso pensamento não esteja convosco. Depois que Deus nos fez tanta graça ao nos doar um reino dentro do mar – coisa que nunca o rei da Espanha pôde concluir – nós edificamos uma igreja de Nossa Senhora Santa Maria [283], além de tantas outras que ali haverá. Saibais que não vos desampararei, mas sim que, por minha ajuda e por minha pessoa, muitas vezes nos vereis e nos tereis freqüentemente.”

Em seguida, nós choramos, e eles apresentaram suas despedidas. Quando estivemos por um momento, nós e eles, sem poder falar pela dor que tínhamos, dissemos-lhes que deixávamos como líder a Dom Bernardo de Santa Eugenia; que eles fizessem por ele o mesmo que fariam por nós e, se escutássemos alguma coisa, de qualquer parte, que alguma esquadra estivesse vindo sobre eles, nós os socorreríamos com nossa pessoa.

106. Depois disso, nós partimos, e eles tiveram um sofrimento com nossa passagem, pois era o melhor para eles e para nós.

Havia duas galeras, uma, que era de Dom Ramon de Canet, e a outra, de Tarragona. Deixamos os cavalos e as armas com aqueles que permaneceram, pois era necessário. Fomos a Palomera, e nos recolhemos nas galeras: nós, na de Dom Ramon de Canet, pois era uma das melhores galeras do mundo, e na outra, uma partida daqueles que iam conosco.

No dia de Simão e Judas [284], entramos no mar, e estivemos todo aquele dia, a noite e o outro dia. Quando chegou o terceiro dia, à meia-noite, chegamos a Porrasa [285], que está entre Tamarit e Tarragona, com grande bonança. Ali encontramos Dom Ramon de Plegamans, que saudou-nos e beijou-nos a mão. Ao saudar-nos, ele pôs-se a chorar, pela grande alegria que tinha por nós. Ele sabia das conveniências que havia entre nós e o rei de Leão [286], o qual nos devia dar seu reino e sua filha, para que a tivéssemos como mulher.[287]

Ele nos disse que o rei de Leão estava morto. Nós perguntamos se ele tinha certeza, e ele disse que homens de Castela que vieram a Barcelona haviam contado. Pesou-nos muito ouvir aquelas novidades, mas, mesmo com todo o pesar que tínhamos, nos confortamos, pois mais valia, para nossa honra, a conquista que tínhamos feito ao tomar Maiorca que o ganho que obteríamos naquele reino. E, já que Deus não O quis, não devíamos intervir nisso, pois Ele não queria. Assim, dormimos ali até o dia seguinte.

107. Quando o dia clareou, nos recolhemos nas galeras e fomos em regata até o porto que está na praia de Tarragona. [288] As gentes da vila nos acolheram alegremente com bandeiras, tanto homens quanto mulheres. Após termos comido e trazido todo o butim das galeras em que estavam nossos homens e os marinheiros, levantou-se um vento de lebeg. Ele foi tão forte que nas galeras que estavam ancoradas diante do porto – construído pelo arcebispo Dom Espárech em nome de São Miguel – nas quais havia três homens em cada, quatro morreram e dois foram salvos. Aqui nos foi mostrado o grande milagre de Nosso Senhor. Quando estivemos em Tarragona, fomos a Montblanc, a Lérida e à Aragão. E se há algum homem no mundo que pode acolher seu senhor com procissões, alegria e grande prazer, são eles, pois, por todos os lugares onde passamos, eles o fizeram por nós, agradecendo a Deus todo o bem que Deus nos fez.

108. Após passarmos aquele inverno em Aragão, retornamos para a Catalunha. Ao estarmos em Barcelona, recebemos novidades: o rei de Túnis vinha passar por Maiorca e se preparava para isso; diziam também que as naves dos pisanos, dos genoveses e cristãos, tinham sido capturadas. A esse respeito, pedimos conselho àqueles nobres que estavam conosco, e aos bons-homens de Barcelona [289] sobre como nós deveríamos nos comportar em relação àquelas novidades que haviam acontecido. Eles nos disseram que seria bom que soubéssemos aquelas coisas mais certamente, pois muitas novidades que não eram verdadeiras eram contadas de terras distantes.

A respeito de alguns pleitos que Dom Guilherme de Montcada tinha com homens de Vic, tivemos que ir até lá. [290] Um dia, quando estávamos em Vic e estava perto da hora da meia terça, chegou um mensageiro enviado por Dom Ramon de Plegamans, que havia viajado por toda a noite. Ele nos disse que haviam recebido novidades em Barcelona que já era certo que o rei de Túnis devia estar em Maiorca.

Ao ouvirmos estas novidades, fomos o mais rápido que pudemos, por temor que nos ocorresse alguma desventura. Jantamos um pouco, e nada mais fizemos a não ser cavalgar para chegar na hora das vésperas em Barcelona. Havíamos feito uma jornada tão grande que repousamos naquela noite.

Ao chegar o amanhecer, cavalgamos na ribeira do mar para ouvir as novidades. Vimos chegar uma vela e esperamos, mas, como havia um bom tempo, eles se foram rapidamente. Aquele era o barco de Maiorca, e um homem daquele barco saiu primeiro em uma barca. Perguntamos quais eram as novidades que ele trazia de Maiorca. Ele esteve diante de nós, pálido, e respondeu:

“Senhor, cremos que já esteja ali o rei de Túnis”.

Nós dissemos:

“Trazeis más novidades, mas temos crença em Deus que estaremos ali antes que ele”.

A respeito desse dia que havíamos iniciado, fomos até Tarragona. [291] A respeito do que haviam aconselhado em Barcelona, nós dissemos:

“Esse não nos parece ser um bom conselho, nem para nós, nem para a terra. Porque a melhor coisa que se fez em cem anos, quis Nosso Senhor que nós a fizéssemos quando tomamos Maiorca. E como Deus nos deu, não a perderemos nem por preguiça, nem por covardia, pois desejamos ir em seu socorro. E este é o nosso conselho: que dêem um dia àqueles que foram conosco tomar Maiorca, e enviem carta a Aragão para àqueles que têm honra conosco e são de nossa mesnada, para que venham socorrer com o que têm e o que podem ter, pois, dentro de três semanas, eles devem estar conosco no porto de Salou, pois mais valeria receber a morte em Maiorca do que perdê-la por nossa culpa. Saibais que não a perderemos; Deus e os homens que não permaneceram conosco saberão isso”.

E da mesma maneira que dissemos em palavras, nós cumprimos, de fato.

109. Naquele dia, e mesmo antes daquele dia, fomos para Tarragona e alugamos naves, tarides e uma galera na qual fomos para saber as novidades, isto é, se os sarracenos estavam em Maiorca. As naves e as tarides foram preparadas para abrigar trezentos cavaleiros e vieram duzentos e cinqüenta, mais cinqüenta que encontramos na terra. Assim, fomos com trezentos cavaleiros.

Mas antes que nós passássemos, veio o arcebispo de Tarragona, que era da linhagem de Barca, e nosso parente, além de Dom Guilherme de Cervera, que era nosso padre de Poblet [292]. Eles pediram-nos, por Deus, pela fé que tinham conosco e pelo bom conselho que nos davam, que não aventurássemos nossa pessoa, mas sim que enviássemos aqueles cavaleiros que havíamos reunido para a passagem [293], além de Dom Nuno, que deveria ser o líder deles.

Puseram-se a chorar tão fortemente quanto podiam, mas nós não tomamos dor desse choro, e respondemos da seguinte maneira: que nós não deixaríamos por nada deste mundo, de fazer a passagem [294]. Eles se esforçaram muito para nos reter, chegando a nos abraçar. Nós nos esquivamos deles, partimos e fomos para Salou. Havíamos feito a troca da terra de Maiorca com o infante Dom Pedro de Portugal, [295] e tínhamos enviado mensagem, uma e duas vezes, para que ele pensasse em socorrer a ilha de Maiorca. Ele respondeu muito bem, mas nunca fez nada nessa obra.

110. Depois da meia-noite, quando levantávamos a âncora da galera e dos outros barcos para passar à frente da dita terra, veio Dom Nuno na orla do mar, e gritaram a altas vozes: “Ei, da galera!”

Responderam: “O que?”

E disseram: “Dom Nuno vos pede que espereis um pouco, pois aqui está o infante de Portugal que deseja falar convosco.”

Nós quisemos mover-nos, mas depois recebemos conselho que, já que aqui estávamos, que o víssemos, pois, por ele, não nos moveríamos. Ele veio, chegou em uma barca, ele e Dom Nuno, e subiu na galera. Perguntamos-lhe o que desejava. O infante respondeu que viera aqui para passar a Maiorca.

“E quantos cavaleiros há convosco aqui?”

Ele respondeu: “Uns quatro ou cinco, e os outros virão.”

E dissemos: “Que Deus vos ajude, pois não vindes aparelhados para passar. Mas vejais aqui nossas naus e as tarides que se moverão pela manhã, e, se vós desejais reunirdes conosco, entrareis em boa hora, pois nós ir-nos-emos de qualquer maneira, já que o rei de Túnis e sua hoste estão em Maiorca.”

Ele respondeu que permaneceria na galera com um cavaleiro e um escudeiro, e que Dom Nuno ordenasse passar os outros. Eles puderam passar, pois, a não ser aqueles quatro cavaleiros que vieram com ele, não havia ninguém, nem ninguém viria. Assim, Dom Nuno saiu da galera e ele permaneceu conosco.

111. Quando ordenamos levantar a âncora, eles puseram as mãos nos remos, e saímos fora, ao pélago. [296] Avançamos a vela e remos e chegamos no segundo dia, por volta do meio-dia, em Soller. Ali encontramos uma naveta de genoveses que, ao nos ver entrar, tiveram um grande e desmedido pavor. Depois, quando viram nossa bandeira, reconheceram que a galera era nossa, caíram em uma barca de panescalm [297] e vieram rapidamente a nós. E perguntamos a eles:

“Barões, quais novidades trazeis de Maiorca?”

Eles responderam: “Boas”.

Perguntamos se ali viera o rei de Túnis, e eles responderam que não havia nenhum sarraceno estranho na ilha. E nós ficamos muito alegres pelas boas novas que nos haviam contado. E trouxeram-nos galinhas. Enviamos dois homens da nau a Maiorca para fazê-los saber que nós estávamos em Soller. E saíram e nos acolheram com grande alegria e conduziram a nós cerca de cinqüenta bestas seladas, para que entrássemos na vila de Maiorca.

- Continua -

***

Notas

[276] Passagem significativamente alegórica.

[277] Trata-se da abstinência que, em certos dias da Quaresma, proibia-se comer carne. Essa licença, como norma eclesiástica, não era competência do rei.

[278] “Llull diz que os Almogávares são ‘guerreiros a pé, armados com lanças, flechas e escudos a fazer caminhadas curtas e longas, de dia e de noite. Há muitos deles na Catalunha, em Aragão e em Castela. Esses homens são muito necessários na conquista de terras. Portanto, é bom que o rei-guerreiro tenha muitos que portem o hábito de sua ordem’. Os Almogávares eram soldados originários dos Pirineus e recrutados principalmente em Navarra, Aragão, mas, sobretudo, na Catalunha. Começaram a ser conhecidos quando acompanharam com Jaime I como tropas fronteiriças na guerra de reconquista na Catalunha. Foram, portanto, soldados de fronteira que não utilizavam armaduras, somente peles de animais, e calçavam um tipo de borzeguim (calçado com um cano, fechado por cordões). Os almogávares praticamente portavam as mesmas armas das legiões romanas: duas pesadas azagaias (lanças curtas) e uma espada curta, além de um protetor para o corpo. COSTA, Ricardo da. Ramón Lllull, la cruzada y las órdenes militares de caballería. Conferência proferida no Seminário “Cristianisme i l'Islam – el cas de Tortosa i Tartous a la Mediterrània”, evento organizado pela Facultat de Ciències Jurídiques i Polítiques da Universitat Internacional de Catalunya (UIC), Barcelona, no dia 03 de outubro de 2005. Apoio: Agència de Gestió d'Ajuts i de Recerca de la Generalitat de Catalunya.

[279] Ver nota 172.

[280] Tipo de nave curta, alta e muito ampla, com um ou mais tetos, utilizada do século XIII ao XV como embarcação de comércio e de guerra.

[281] Pals é hoje um enclave eminentemente turístico em volta de um castelo do qual se conservam muros e torres.

[282] Desde o início de setembro de 1229 até o final de outubro de 1230.

[283] A catedral, dedicada à Santa Maria, não foi dotada pelo rei até 1232. Trata-se de uma mesquita adaptada e dedicada à Virgem, pois o cartório catedralício nos oferece dados que o comprovam.

[284] A festividade destes apóstolos é o dia 28 de outubro.

[285] Pequeno refúgio situado em uma pequena enseada que abriga a ponta da Mora, no extremo meridional da praia de Tarragona.

[286] Trata-se de Afonso IX (1171-1230), o Baboso, que havia deserdado seu filho Fernando, depois Fernando III (1201-1252), o Santo.

[287] Sobre o primeiro matrimônio de Jaime, ver o capítulo 18.

[288] Provavelmente chegaram na praia chamada de “O milagre”, costeando em direção ao sul. É provável que este nome seja um vestígio lingüístico do fato narrado nesse capítulo.

[289] Até aqui, vimos que o termo “bom-homem” é aplicado genericamente. Contudo, nas municipalidades, especialmente na de Barcelona, o termo “bom-homem” se aplicava como título, embora esta denominação tenha variado, inclusive durante a vida do rei Jaime I.

[290] Esses pleitos se iniciaram já no século XII. Contudo, não se pode ainda distinguir qual questão tratava esse caso em especial.

[291] Está documentada a presença do rei em Tarragona no dia seis de maio e, possivelmente, ele ainda se encontrava ali no dia quinze de maio de 1231.

[292] O mosteiro de Poblet era administrado pelos monges de Cister desde sua fundação em 1153.

[293] Uma vez mais, está claro que, para Jaime I, qualquer navegação rumo à Maiorca adquiria o caráter de uma peregrinação, pois, ele sempre se refere a essas expedições como “passagem”. Para esse conceito, ver notas 172, 230, 239 e 248.

[294] Passagem muito ilustrativa dos sentimentos que envolviam os homens na relação feudo-vassálica, isto é, a natureza do amor entre homens, do homem que se torna “homem de outro homem”, dificilmente exprimível nos livros que abordam o tema do feudalismo medieval.

[295] De acordo com o testamento de sua esposa, a condessa Aurembiaux de Urgel (1196-1231), a quem o rei havia restituído seu território (cap. 34-46), o infante Dom Pedro de Portugal (1187-1258) seria o herdeiro. Mas no mesmo dia do óbito de Aurembiaux, em 29 de setembro de 1231, o rei Jaime trocou as ilhas de Maiorca e Ibiza pelo condado de Urgel. O infante Dom Pedro era filho de Dom Sancho I de Portugal (1154-1211) e de Dulce Berenguer de Barcelona (1160-1198), filha de Ramon Berenguer IV (1131-1162), conde de Barcelona. Em 1244, ele cedeu aquelas ilhas ao rei de Aragão.

[296] A saída calculada entre o dia 15 de maio e 7 de julho de 1231, no qual o rei expede um documento já em Maiorca.

[297] Barco dotado de muitos remos que servia para transportar passageiros ou cargas de uma embarcação a outra terra.