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Gislebert de Mons
Tradução: Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes) Revisão: Prof. Dr. Francisco Vieira Balduíno V, o Corajoso (1171-1195) O novo cavaleiro, o jovem Balduíno V, ouviu dizer que nas terras de Hainaut moravam muitos ladrões e bandidos que viviam ousadamente com o favor de muitos poderosos, cujo sangue também lhes pertencia. Ele os fez buscar e capturar e uma vez feitos prisioneiros, enforcou aqueles que tinha a certeza de sua infâmia, queimando-os na fogueira, afogando-os na água ou enterrando-os vivos, e com ninguém levou em consideração a importância de sua parentela. Além disso, Balduíno V foi a todos os torneios que se celebravam em sua época e neles tentou ganhar como aliados e companheiros de armas os cavaleiros mais valerosos e de maior fama. Uma ocasião ocorreu, entre os muitos torneios que o jovem Balduíno percorria, que Filipe, poderoso conde de Flandres e Vermandois – que seu pai Balduíno IV, ele mesmo e também os homens de Hainaut sempre mantiveram rancor, ódio e ameaças – convidou alguns francos para participar combatendo contra ele em um torneio entre Gournay e Ressons. Balduíno V ouviu dizer que o conde de Flandres iria ao torneio com grandes forças, compostas por numerosos cavaleiros de grande valentia e por soldados a cavalo e a pé. Então, por causa do rancor que guardava consigo, decidiu, contra o costume dos homens de Hainaut, que tomavam parte naquele torneio junto aos de Flandres, passar com seus homens para o lado dos francos, que eram poucos. Lutou com eles e resistiu virilmente contra o conde de Flandres e os seus. O conde Filipe, aceso então pela ira, dispôs suas forças de homens a cavalo e a pé quase como para uma guerra e fez frente aos francos e aos de Hainaut com um rigor excessivo. Então, um cavaleiro valente e cruel com as armas, chamado Godofredo, chamado de Tuelasne, companheiro de Balduíno V, advertiu o dano que seu senhor Balduíno e seus homens receberiam.Correu ao encontro do conde de Flandres suportando a lança com firmeza e lhe desferiu um golpe no meio do peito, que em língua vulgar se chama “golpe de feltro”. [105] O conde de Flandres conseguiu se manter no cavalo mas ficou longo tempo sendo dado como morto com todos os seus apinhados a seu redor. Muitos dizem que nesta ocasião o conde de Flandres foi feito prisioneiro, mas que conseguiu fugir graças a um cavaleiro probo, Egido de Aulnois. Por isso se afirma que Balduíno V obteve a vitória sobre os de Flandres com os francos. Naquele tempo, Henrique, conde de Namur e de Luxemburgo, tentou transgredir o mencionado compromisso que havia contraído por juramento com Balduíno IV, conde de Hainaut, com sua esposa, a condessa Adelaide, e com o filho de ambos, Balduíno V, sobre suas possessões. O conde Henrique desejava possuir novamente a cidade de Maastrich, que havia empenhado junto com sua mãe ao imperador por mil e seiscentos marcos de prata, e sem temer a ira do conde de Hainaut, já muito velho, tomou por esposa a Inês, filha do muito nobre conde de Gueldre, Henrique, e consanguínea do conde Balduíno IV. Através desse matrimônio, o conde de Gueldre prometeu ao conde de Namur conseguir do imperador que em troca de dinheiro lhe devolveria Maastrich, mas como este pacto nunca se cumpriu, o conde de Namur reteve Inês durante quatro anos sem dividir o leito com ela, devolvendo-a depois. Mais tarde, como veremos em seguida, ele a retomaria, fato que trouxe infinitos males. O casamento de Balduíno V No ano do Senhor de 1169, um ano depois de ter sido feito cavaleiro, no mês de abril durante o tempo da Páscoa, Balduíno V, filho do conde Balduíno IV e da condessa Adelaide, com o consentimento do Conselho dos homens de Flandres e de Hainaut, tomou Margarida por esposa, mulher de grande nobreza, muito bela e ornada de toda a honestidade e bondade, irmã de Teodorico, conde de Flandres e de Vermandois, de Mateo, conde da Bolonha e de Pedro, bispo eleito de Cambrai. Por este matrimônio lhe foram outorgadas trezentas libras, além das duzentas libras que seu pai, Balduíno IV, conde de Flandres, já recebia anualmente, em compensação da perda do castelo de Douai. Estas quinhentas libras foram entregues anualmente sobre o vinágio de Baupaume. [106] O conde de Hainaut e o de Flandres então firmaram um pacto de federação, dando-se mutuamente fé e jurando-a sobre os Santos Evangelhos. Por ela, o conde de Flandres ajudaria ao de Hainaut em toda a necessidade e contra todos os homens, exceto contra seu senhor lígio, o rei da França, e o conde de Hainaut ajudaria ao de Flandres contra todos os homens, exceto contra seu senhor lígio, o bispo de Liège. Oh, quão gloriosa foi a celebração desse matrimônio! Quantos homens ilustres, quantos príncipes poderosos e sábios e quantas damas dentre as mais nobres, honestas e prudentes estiveram presentes! Deus, vendo do alto a fé de ambos, ampliou largamente seus bens e seu poder, situando-os acima de todos e lhes outorgando uma prole gloriosa ao qual nos referimos extensamente. Balduíno V, após ter desposado Margarida, sempre foi obediente e nunca ofendeu seu pai, o conde Balduíno IV. No outono desse mesmo ano, o conde de Namur e Luxemburgo, Henrique, entrou em guerra com Godofredo, duque de Louvain, consanguíneo do conde de Hainaut, que tinha por esposa a uma irmã do duque Henrique de Limbourg, do mesmo consanguínea do conde Balduíno IV. Este e seu filho Balduíno V, tal como sempre haviam feito quando o conde de Namur lhes necessitava, lhe ofereceram seu auxílio. Reuniram o exército e aguardaram próximo de Ecaussines. Dos setecentos cavaleiros em armas que compunham o exército do conde de Hainaut, todos eram da terra de Hainaut, exceto dois cavaleiros mercenários chamados Gautier e Gerardo de Sotteghem. O conde e seu filho entraram em guerra com este exército em auxílio do conde de Namur e contra o duque de Louvain, conseguindo uma paz honesta para o conde Henrique de Namur. Balduíno V engendrou uma filha em sua esposa Margarida, Isabel, de gloriosa memória, que contraiu matrimônio com o poderoso rei da França, Filipe, e foi uma rainha aprazível, religiosa e amada por todos. Margarida deu a luz a esta filha em Lille, em Flandres, no mês de abril do ano do Senhor de 1170. Nesse mesmo ano faleceu Balduíno de Tosny. No mês de agosto foi proclamada a celebração de um torneio em Trazegnies, e Balduíno V, filho do conde de Hainaut foi participar. Mas como o duque de Louvain lhe inspirava desconfiança, para estar mais seguro no torneio levou consigo cerca de três mil soldados a pé. De sua parte, Godofredo foi ao torneio preparado quase como para uma guerra, com quantos cavaleiros pôde conseguir e com um exército de cerca de trinta mil homens armados. Quando cruzaram o outro lado do bosque de Carnieles e viram as forças do duque, Balduíno V e os seus, se pudessem, teriam retrocedido rapidamente. Mas era difícil voltar a atravessar o bosque sem perder muitos homens. Por isso, se prepararam para enfrentá-los. O duque e os seus se apressaram a atacar Balduíno, mas este, adotando um ânimo enérgico e firme, desceu do cavalo no meio do riacho de Pieton para que os seus, vendo-o a pé, não o abandonassem e se animassem a lutar. Quando foram alcançados pelos homens do duque, soberbos e ferozes, Balduíno e os seus resistiram virilmente, e com a ajuda de Deus, venceram. As escassas forças do conde prenderam muitos do duque que quiseram fugir e outros foram mortos. Do exército do duque morreram uns dois mil e cerca de seis mil foram feitos prisioneiros. A vitória foi de grande proveito para Balduíno V e pleno de gozo a seu pai, o conde Balduíno IV e aos homens de Hainaut mas produziu grande dor e causou graves danos ao duque de Louvain e aos homens de Brabante. No ano seguinte, no mês de julho de 1171, Margarida, esposa de Balduíno V, deu a luz em Valenciennes a um filho, Balduíno VI, que após a morte de seu pai e de sua mãe possuiria o condado de Flandres e o de Hainaut. Enquanto Margarida estava de cama por causa do parto, houve um incêndio na cidade de Valenciennes, que queimou em sua maior e melhor parte. As casas que arderam foram cerca de quatro mil. Naquele tempo, Filipe, conde de Flandres, chegou a um acordo com o ilustre conde de Champagne, Henrique, que tinha por esposa a uma filha do rei Luís da França, e cuja irmã havia tomado em terceiras núpcias este mesmo rei, e firmou com ele um pacto de matrimônio segundo o qual o primogênito do conde de Champagne, que também se chamava Henrique, tomaria por esposa a Isabel, filha de Balduíno V de Hainaut e Margarida, que ainda era donzela. Por outro lado, o filho primogênito de Balduíno V e Margarida, Balduíno VI, que ainda era muito pequeno, tomaria por esposa a filha do conde Henrique, quando chegassem à idade núbil. Se algum dos filhos morresse antes de contrair matrimônio, o filho primogênito sobrevivente lhe substituiria, e se alguma das filhas morresse, uma filha sobrevivente lhe substituiria. Após muitos juramentos, estes acordos em parte foram observados, em parte não, como se verá em seguida. Naquele mesmo ano, no outono, o conde Henrique de Namur e Luxemburgo se viu atraiçoado e atacado por alguns de seus homens lígios e pelos homens dos arredores da terra de Luxemburgo, a tal ponto que temia perder seu castelo se a traição o arrastasse. Seu sobrinho, Balduíno V, filho do conde de Hainaut, veio então com trezentos cavaleiros pagos por ele mesmo, além de outros tantos soldados a cavalo, restituiu aquela terra à vontade do conde, sitiou o castelo de Betringen e, atacando duramente com máquinas de guerra, o tomou com suas forças e o destruiu, pilhando, queimando e devastando as terras até a cidade de Metz daqueles que haviam sido contrários a seu tio. Em seu exército se encontravam cavaleiros probos e de renome: Jacob de Avesnes, Egido de Saint-Albert, Rasão de Gavre e muitos outros cavaleiros valentes que naquele tempo floresciam em Hainaut. Dali Balduíno V regressou alegre e incólume ao condado paterno. Nesse mesmo ano, Balduíno IV, glorioso conde de Hainaut e filho da condessa Yolanda, caiu enfermo em Mons. Temendo a proximidade da morte, quis velar pela saúde de sua alma. Ordenou que alguns direitos que tinha em Valenciennes e em Mons, e que se traduziam em opressão para todos os homens que habitavam naquelas vilas, fossem substituídos por melhores costumes. O conde tinha direito, quando se encontrava em Valenciennes e em Mons, de tomar indistintamente colchão e baixela de cozinha para seu uso e para os seus [107] das casas dos burgueses e de outras caso levasse sua corte. O conde Balduíno IV ordenou, de comum acordo com essas vilas, que elas mesmas proveriam-no com os colchões e as baixelas necessárias, de forma que Valenciennes proporcionaria ao conde escudelas com a outra baixela, mas os restos da comida deveriam ser distribuídos entre os pobres da vila. Por outro lado, Mons não deveria proporcionar escudelas. O administrador de Mons teria que controlar as despesas do castelo em toda a cidade até o fosso, cabendo ao castelão a administração no interior da fortaleza. Na cidade de Mons ficaram excluídos do dever de proporcionar colchões e baixela as casas dos clérigos, das religiosas e dos cavaleiros assim como a fábrica de cerveja de Santa Waldru, de São Germano, dos mansos dos protetorados e a casa contígua ao canal que vai desde a porta de São Germano até a porta chamada Fori. Também ficaram isentas as casas dos soldados com cargo hereditário na corte do conde. Em Valenciennes ficaram excluídas deste dever as casas dos clérigos, dos cavaleiros, dos soldados hereditários do conde e os mansos do lugar chamado Castellum. Nesta ocasião, o conde Balduíno IV também renunciou aos direitos de vinágio que possuía sobre Marchipont e Denain. Com sua morte, no ano do Senhor de 1171, foi enterrado diante o altar maior de Santa Waldru. A “Paz de Hainaut” Balduíno V o sucedeu no condado juntamente com sua esposa Margarida. O novo conde, com o conselho de seus nobres e sábios, pôs fim às guerras e inimizades mortais que há muitos anos se prolongavam entre os poderosos senhores de Trith e Aulnoy. Para isso, de comum acordo com seu Conselho, organizou a “Paz de Hainaut”, jurando ele mesmo e fazendo jurar os principais homens de seu condado. Nesta “Paz” foi disposto que para cada homem que fosse morto se deveria matar o homicida; por cada membro arrancado se deveria arrancar o mesmo membro de quem tivesse feito. E isso não deveria ser feito seguindo um procedimento judicial, mas somente testemunhal. [108] Se alguém escapasse destes crimes e não quisesse aceitar a paz ordenada, seria julgado pelos crimes que lhe imputassem sem ter misericórdia posteriormente, a não ser em comum acordo entre o conde e os próximos daquele a quem houvesse sido perpetrado o crime. Se um nobre matasse um camponês ou lhe arrancasse um membro, o conde poderia ser indulgente e não tirar-lhe a vida ou arrancar-lhe um membro, mas não poderia restabelecer a paz sem a concordância daquele a quem tivesse sido perpetrado o crime. Os próximos dos homens que fugissem e, por soberba ou temor, não quisessem ajudar a instituição da “Paz” e serem regidos por ela, teriam que abjurar de sua consanguinidade com os fugitivos e assim permanecer nesta instituição de “Paz”. O conde Balduíno V de Hainaut, filho do conde Balduíno IV e da condessa Adelaide, recebeu os juramentos de fidelidade de seus homens, tanto dos nobres quanto os de condição servil, amou a paz e a justiça e teve o condado de Hainaut viril e honradamente com grande esforço e enormes gastos. Deus lhe acumulou de graças, exaltando-o de modo admirável em seus atos e aumentando muito seus bens. Ademais, o conde Balduíno V foi esplêndido em banquetes, sua mansão se encontrou sempre provida de honoráveis e magníficos manjares, reconheceu e restituiu os cargos hereditários a seus serventes e naquele lugar de onde se encontrasse os levava consigo com o maior prazer. Sempre às espensas próprias ou com os benefícios dados por cavaleiros probos, reuniu todos os grandes em celebrações de sua magnífica corte e nos exércitos formados para a guerra ou os torneios, e estes foram sempre pronunciados com palavras doces e decentes, sem nunca se deixar levar pela ira ou pronunciar palavras torpes ou indecentes contra eles. Além disso, o conde Balduíno V, ainda que entregando-se com gosto aos prazeres, acostumou-se a assistir os ofícios divinos, as missas e as horas, e tinha compaixão dos pobres, mandando-os generosamente esmolas de sua própria comida. O novo conde, junto com sua esposa Margarida, celebrou o Natal gozosamente em Valenciennes. Quinhentos cavaleiros acudiram à corte. Ali se encontrava Egido de Saint-Albert, homem de grande probidade e renome em toda a terra e que, como grande senescal de Hainaut, organizou os banquetes com outros nobres e serventes com direitos hereditários sobre este cargo. Estava também Arnulfo, nobre de Landas, que morto Egido de Aulnois, copeiro-mor de Hainaut, tomou sua viúva como esposa e como copeiro-mor proveio o vinho das festas junto com outros nobres e serventes que tinham direitos hereditários sobre esse cargo. Depois desse Natal, Balduíno V, novo conde de Hainaut, participou com oitenta cavaleiros em um torneio entre Bussy-le-Châteaux e a cidade de Chalons e dali se dirigiu a Brie, no lugar que chamam Lizy, onde permaneceu saindo e regressando continuamente e mantendo suas expensas a todos esses cavaleiros no espaço de um mês. Durante a Quaresma se dirigiu a Liège e rendeu a devida homenagem ao bispo de Liège, Raul, que era seu primo, devida pelos condes de Hainaut aos bispos de Liège. Depois da Páscoa, no ano do Senhor de 1172, o conde de Hainaut voltou a participar de torneios: em Borgonha, em Montbard e em Rougemont, com cerca de cem cavaleiros. Mas o conde de Nevers, cujos domínios se encontrava castelo de Rougemont, proibiu a celebração do torneio para os que chegaram para participar dele e se negou a hospedar o conde de Hainaut em seu castelo de Rougemont. Contudo, o conde Balduíno V foi hospedado ali mesmo contra a vontade do de Nevers. No dia seguinte, o conde Balduíno V se encontrava com cinco cavaleiros de sua terra; na parte contrária se encontrava o duque da Borgonha, Henrique, que havia chegado com grande soberba e acompanhado de muitos soldados a pé apinhados a seu redor. O conde de Hainaut então cobrou ânimo firme e prudente, fez de seus escudeiros e muitos soldados a pé e os armou como pôde para a defesa, resistiram virilmente frente a muitos cavaleiros da parte contrária e os derrotaram. De regresso, tomou parte no torneio de Rethel e permaneceu ali durante cinco semanas com cerca de cem cavaleiros, todos mantidos por ele, saindo e regressando continuamente. Na festividade de Pentecostes desse mesmo ano, o conde Balduíno V foi ao encontro do rei da Inglaterra, que também era duque da Normandia, da Aquitânia e conde de Anjou, e lhe rendeu homenagem por cem marcos esterlinos [109] de grande peso que lhe correspondiam anualmente, tal e como seu pai os havia possuído em feudo de seu tio Henrique, rei da Inglaterra. [110] Também foram reconhecidos e também fixados alguns feudos que os homens de Hainaut tinham por este rei: quinze marcos de Eustáquio de Roeulx, dez de Gautier de Ligne, dez de Armando de Prouvy, dez de Henrique de Braine e dez de Roberto de Carnières. E nessa ocasião o rei enfeudou trinta marcos a Jacob de Avesnes, graças ao conde de Hainaut. Naquele tempo, o rei Henrique da Inglaterra, duque da Normandia e da Aquitânia e conde de Anjou, cercou seus filhos de afeto e os engrandeceu com bens e honras próprias. Depôs a coroa régia e fez coroar rei a seu filho Henrique. Este era um cavaleiro muito probo e generoso em dons e sempre que podia atraía para seu redor os cavaleiros mais probos de qualquer terra. Tinha por esposa a filha do rei Luís da França. Seu pai, o rei Henrique, reteve de todas as formas para si toda a terra do reino com seus frutos e colheitas e também conservou a tutela do novo rei, seu filho Henrique. No entanto, mais adiante, este filho, com o auxílio do rei Luís da França, se sublevou contra seu pai e quis expulsá-lo do reino, sem sentir horror por isso. Apesar de desprezar os favores de seu pai e de obstinar no pecado, nem ele nem os que o ajudaram conseguiram nada. O rei Henrique da Inglaterra entregou o ducado da Aquitânia a seu segundo filho, Ricardo, e também este se opôs a seu pai em algumas ocasiões. O terceiro filho, Godofredo, adquiriu o condado da Bretanha através de matrimônio. O sítio do castelo de Arlon No outono do ano do Senhor de 1172, o duque Henrique de Limbourg, consanguíneo do conde Balduíno V de Hainaut, havia sembrado de calamidades, mediante pilhagens, rapinas e incêndios as terras de Henrique, conde de Namur e de Luxemburgo, tio do mesmo conde de Hainaut, e além disso havia lhe arrebatado as homenagens de alguns castelos que pertenciam por direito ao conde Henrique. O conde de Namur pediu a seu sobrinho, o conde de Hainaut, o auxílio mais rigoroso, como de costume. O conde Balduíno V se ofereceu com um séquito de trezentos e quarenta cavaleiros e outros tantos soldados a cavalo com lorigas [111] e mil e quinhentos soldados a pé. [112] Sitiou o maior dos castelos do duque de Limbourg, o de Arlon, e com seu tio devastou todas as terras dos arredores, tomou as colheitas e incendiou os campos. O duque de Limbourg não pôde resistir por mais tempo a estas tropas que já estavam a dez dias em sítio e possuíam víveres em abundância: pão, vinho, carne e pescado. Então ressarciu o conde de Namur dos danos causados e lhe devolveu todos os bens que reclamava, livre e pacificamente. Durante o sítio do castelo, o conde de Namur quis que fossem renovadas a este conde de Hainaut Balduíno V, amadíssimo sobrinho seu, os juramentos de fidelidade e as garantias dadas pelos homens de seu condado, nobres ou servos, sobre a promessa de que lhe sucederia em suas possessões. Dali o conde de Hainaut, que havia permanecido distante de suas terras pelo espaço de um mês com todos aqueles cavaleiros e soldados, regressou a seu condado. Formaram parte daquele exército valentes cavaleiros como Jacob de Avesnes, Egido de Saint-Aubert, Rasão de Gavre, Everardo Radou, castelão de Tournai, Eustáquio de Roeulx, o Velho, seu filho Eustáquio, Carlos de Fresne e seu filho Egido, João de Monchecort, Amando de Prouvy, Pol de Villers, Gautier de Lens e seu filho Eustáquio, Egido de Chimay, Nicolau de Barbençon, Gautier de Fontaine, Gautier de Ligne, Guilhermo de Haussy, Balduíno e Mateo, filhos de Adão de Walincourt, Gerardo de Wattripont, Gosuíno de Eighien, Engelberto e seu irmão Bonifácio, Hauvel de Quiévrain, Balduíno de Strepy, Arnulfo e Gerardo de Landas, Rainier de Trith, Estêvão de Denain, chamado Makrellus, Godofredo Tuelasne, Guilherme e Gerardo, irmãos não carnais do conde, Nicolau de Peruwelz, Gerardo de Bruyelle, cavaleiro muito probo apesar de ter somente uma mão, Hugo e Gautier de Croix e muitos outros homens probos. Depois da oitava da Epifania desse mesmo ano, o conde Balduíno deu sua irmã viúva, Laureta, muito bela e honesta, esposa em primeiras núpcias do nobre Teodorico de Alost, ao nobre Bouchard de Montmorency da França. Deste matrimônio nasceram um filho, Mateo, e uma filha. No ano da Encarnação do Senhor de 1173, o rei da Inglaterra, Henrique, o Jovem, empreendeu uma guerra contra seu pai, com o auxílio do rei Luís da França. O rei Luís trasladou seus exércitos da França contra a Normandia. Então, Filipe, conde de Flandres e Vermandois, se sublevou contra seu primo e senhor, o rei da Inglaterra, Henrique, o Velho, e acudiu com grandes forças em auxílio de seu senhor, o rei Henrique, o Jovem. Entrou na Normandia e a oprimiu gravemente. Tomou o castelo de Aumale e sitiou o de Driencourt. Neste sítio seu irmão Mateo, conde de Bolonha, cavaleiro formoso, probo e generoso em dons,recebeu uma ferida mortal, viveu ainda alguns dias mas depois faleceu. Seu irmão Filipe, conde de Flandres, foi considerado culpado por sua morte, pois naquela guerra o poderosíssimo conde de Flandres e de Vermandois poderia ter feito prevalecer a paz. Mais tarde, o rei Luís da França e o conde de Flandres sitiaram juntos a cidade de Rouen, mas não puderam fazer nada contra o velho rei da Inglaterra, Henrique, homem astuto, enérgico e de ânimo poderoso. Firmada a paz, lhe entregaram todas as suas possessões livres de conflitos e reconciliaram filho com pai. Naquela guerra o conde de Hainaut Balduíno V quis prestar auxílio a seu senhor, o rei da Inglaterra, porque tinha um feudo anual de cem marcos de prata, e porque não estava obrigado de modo algum a ajudar o rei da França, nem por homenagem, nem por nenhum afeto especial. Então, se propôs atravessar secretamente a terra de seu genro, o conde de Flandres e de Vermandois, mas quando empreendeu o caminho com seus cavalos e armas, deparou-se com uma emboscada feita por alguns homens de Flandres, Hellin de Wafrin e outros, no lugar chamado Baupame, de forma que não pôde seguir adiante. O castelo de Beaufort Antes de empreender secretamente a viagem por este caminho, o conde Balduíno V havia ordenado a construção de uma fortificação na vila chamada então de Kivins, que agora se chama Beaufort. Esta fortaleza prejudicava a Jacob de Avesnes, mas a construção não ia contra seus direitos. Jacob, que sabia que seu senhor havia partido em segredo e pensava que demoraria por um longo tempo em terras distantes, rogou à condessa de Hainaut, Margarida, que interrompesse as obras já iniciadas, pois iam contra seus direitos. Contudo, sem separar-se de seus direitos, a condessa disse que na ausência do conde terminaria os trabalhos que haviam iniciado sob o direito de seu senhor. Contudo, partindo dali, Jacob se propôs desafiá-la. A condessa advertiu secretamente o exército em todo o condado de Hainaut e se dirigiu a Maubeuge. O conde Balduíno V, que não pôde ir ao encontro do rei da Inglaterra por causa da emboscada feita pelos homens de Flandres, ao regressar às suas terras também se dirigiu a Maubeuge, onde encontrou sua esposa, a condessa, e seus cavaleiros, em armas contra Jacob. Então, temendo alçar-se contra seu senhor lígio, o conde de Hainaut, e contra suas forças, Jacob fez as pazes com ele. E assim o conde Balduíno V construiu naquele lugar uma torre por direito próprio e a fez chamar Beaufort. Era o ano do Senhor de 1173. Nesse mesmo ano, no inverno, Egido de Saint-Albert, cavaleiro probo e de nome preclaro, caiu enfermo quando se encontrava em seu castelo em Bousignies. O conde de Hainaut, que lhe professava grande afeto, foi visitá-lo. Então Egido, com o consentimento de Gerardo, seu filho primogênito, nascido de Berta, sua primeira esposa e tia paterna do conde Balduíno V, e com o consentimento também de seu segundo filho, Egido, nascido de Matilde de Berlaimont, sua segunda esposa, entregou ao conde o castelo de Bousignies que ele mesmo havia construído e que não o tinha por nada, retomando-o em feudo de suas mãos. Por este castelo o próprio Egido e seu segundo filho, Egido, fizeram ali mesmo homenagem lígia ao conde, acrescentando este feudo ao de Berlaimont e ao de camareiro-mor de Hainaut. Durante aquela enfermidade, Egido de Saint-Albert decidiu tomar a cruz. Com ele se fizeram cruzados seu filho Gerardo e muitos outros cavaleiros probos que eram companheiros de armas de Egido. Na Páscoa do ano do Senhor de 1174, Pedro, bispo eleito de Cambrai, do qual já falamos, impelido por seu irmão Filipe, conde de Flandres e de Vermandois, abandonou o bispado, deixou os hábitos e foi ordenado cavaleiro. Depois tomou por esposa em Nevers a condessa viúva, da qual teve uma filha, que se casaria com Roberto de Wafrin, cavaleiro probo e senescal-mor de Flandres. Um homem prudente, poderoso e enérgico o sucedeu no bispado, Roberto, nascido na cidade de Chartres. O conde Filipe de Flandres converteu este Roberto de um pobre clérigo em um dos mais ricos e poderosos de Flandres e de Vermandois. Obteve quase todas as preposituras da igreja de Flandres, e foi sempre chamado “prepósito de Aire”. Quando foi eleito bispo da igreja de Cambrai e recebeu a investidura do imperador de Roma, Frederico, Roberto foi averiguar com grande zelo quais eram os bens do bispado, tendo por isso muitos conflitos com Jacob de Avesnes. Roberto quis passar o outono em sua honra de Meslin, no Brabante, e como desconfiava de Jacob, que o havia ameaçado, pediu ao conde de Hainaut um conduto. [113] Este lhe enviou o nobre Luís de Fresne. No entanto, o bispo, ao passar sem nenhum medo por Condé, que pertencia ao castelo de Jacob, foi descoberto por alguns servos de Jacob, que o assassinaram ignonimiosamente ao descer o poente. Quando o conde Balduíno V recebeu a notícia do crime perpetrado contra sua honra, apesar da escolta dada por ele e da justiça de sua terra, incendiou a cidade de Condé e assediou o castelo, provisto naquele tempo de uma torre e de muralhas fortíssimas, que ao final foram libertadas por sua vontade. Por causa desse crime, cometido contra um clérigo seu que havia sido um criado amado e da família, foram devolvidos ao conde de Flandres os castelos que Jacob tinha em Vermandois, Guise e Lesquielles. Jacob, no entanto, teve uma paz mais breve com o conde de Flandres que com o de Hainaut. Roberto foi sucedido no bispado de Cambrai por Alardo, arquidiácono da igreja de Cambrai em Hainaut, homem maduro e honesto. Nesse mesmo ano, no Natal, o conde Balduíno V de Hainaut chamou à sua corte de Mons seus principais homens. Reuniram-se ali muitos cavaleiros probos, cerca de trezentos e cinquenta. Egido de Saint-Albert, que havia tomado a cruz, organizou os banquetes de seu senhor como senescal-mor, aceitando então do conde de Hainaut um dom honesto como reforço para sua viagem, recebendo depois sua licença e a de toda sua corte para partir em peregrinação. Jacob de Avesnes, que também se encontrava ali, recebeu de volta o castelo das mãos de seu senhor, jurando devolvê-lo sempre que aquela fosse sua vontade. Egido de Saint-Albert morreu na viagem por mar; seu filho Gerardo, primo do conde Balduíno V, ao regressar de sua peregrinação, o sucedeu na maior parte de seus bens. O torneio de Soissons No mês de agosto do ano do Senhor de 1175, foi anunciada a celebração de um torneio entre a cidade de Soissons e o castelo de Braisne, no qual foram tomar parte, cheios de soberba e arrogância, os homens de Champagne, cavaleiros probos e preclaros, além de muitos homens da França, todos contra o conde Balduíno V de Hainaut. Este chegou ao torneio com duzentos cavaleiros e mil e duzentos soldados a pé. Além disso, tinha seus cunhados, Rodolfo de Coucy e Bouchard de Montmorency, e junto com eles o conde de Clermont, Raul, cavaleiro probíssimo. Os de Champagne e Flandres se encontraram reunidos em Braisne. Tinham mais e mais fama mas não se atreveram a sair. O conde de Hainaut cavalgou em armas até o monte e os vinhedos de Braisne, permanecendo ali até a tarde. Quando entardeceu, todos se reuniram com o conde para regressar, pois ninguém havia comparecido para enfrentá-lo. Contudo, ele disse que esperaria todo o dia naquele lugar e observaria o pacto firmado para tornear. Passadas as vésperas, quando a maior parte dos cavaleiros do bando do conde de Hainaut já haviam iniciado o regresso e estavam chegando a Soissons e os soldados a pé se encontravam na metade do caminho, o conde empreendeu o caminho de volta quando caiu a noite, mas então os homens de Champagne e da França saíram de Braisne e o perseguiram. Com o conde de Clermont e uns poucos homens armados, Balduíno V conseguiu resistir até que os homens a pé chegaram de volta e puderam pôr em fuga por vales e vinhedos todos os seus adversários, vencendo-os totalmente. Muitos deles e também muitos soldados a pé morreram na entrada da vila de Braisne e muitos caíram na água e se afogaram, outros foram feitos prisioneiros. E assim o conde de Hainaut logrou esta vitória durante a noite, muito auxiliado pela claridade da Lua. Logo regressou gozoso e incólume. Naquele tempo, Henrique, irmão do rei Luís da França, [114] de Roberto de Braisne e de Pedro de Courtenay governava o arcebispado de Reims. Este bispo aumentou enormemente os bens da Igreja em muitos lugares. Construiu os castelos de Septsaulx e de Cormicy e a casa fortificada de Reims, que se encontra junto à Porta de Marte, mas faleceu neste mesmo ano. Guilherme, antes arcebispo de Soissons, o sucedeu no cargo, embora governasse o bispado de Carnoit. Era irmão da rainha da França, Adélia, [115] e dos condes Teobaldo de Blois e Estêvão. Nesse mesmo ano, Gautier, bispo de Laon, encontrando-se débil e cansado, renunciou ao bispado. Foi eleito para sucedê-lo seu sobrinho Gautier, tesoureiro da igreja de Laon, mas depois de ser consagrado em Roma, faleceu na viagem de regresso da cura pontifícia para a sua igreja. Então foi proposto, com a intercessão e o apoio do conde Balduíno V de Hainaut, que Roger, irmão de Rainier de Rozoy e primo do conde de Hainaut ocupasse o posto. Mas uma vez eleito e consagrado foi expulso, e teria causado graves danos à sua parentela se não fossem as sábias ações do conde Balduíno e o auxílio de suas forças com as quais chegou contra o desejo do rei Luís da França, conforme narraremos mais adiante. A discórdia entre Balduíno V de Hainaut e Jacob de Avesnes Também nesse mesmo ano nasceu uma discórdia entre o conde de Hainaut e seu fiel e consanguíneo Jacob de Avesnes. O conde, que pensava que Jacob cometera certas injustiças contra ele, exigiu que lhe entregasse o castelo de Condé, tal como, conforme os pactos, tinha obrigação de fazer se assim o pedisse. Contudo este, apresentando queixas enganosas e vãos subterfúgios, se negou a dar o castelo. Diante destes fatos, o conde convocou seus fiéis em juízo, quer dizer, os pares de Jacob e outros nobres. Ali foi julgado que Jacob não tinha mais direitos sobre aquele castelo, somente os que lhe outorgavam o favor e a vontade do conde. Após conceder muitas tréguas, reiteradamente solicitadas pelo conde Filipe de Flandres, que intercedia por Jacob perante o de Hainaut, Balduíno V reuniu seu exército, e no final da Páscoa do ano do Senhor de 1176, atacou Jacob com firmeza. Não se dirigiu ao castelo de Condé e sim ao maior e melhor de seus castelos: o de Avesnes, e para que seu exército pudesse atravessar mais facilmente o bosque de Avesnes, fez com que suas forças se dividissem de forma que pudessem passar cem homens de frente, sem nenhum impedimento. Jacob se encontrava do outro lado com suas forças compostas de muitos cavaleiros da França, de sua terra e de outros lugares, e por soldados a cavalo e a pé. Mas quando viu o conde de Hainaut, não se atreveu a enfrentá-lo; se jogou armado a seus pés, rogando-lhe misericórdia e lhe devolveu o castelo de Condé. O conde ficou compadecido dele, tomou o castelo e o destruiu, mas lhe devolveu a vila e restituiu a paz. Naquele exército junto ao conde de Hainaut se encontrava seu tio, o conde Henrique de Namur, e também Raul, conde de Clermont, na França. No outono daquele mesmo ano aconteceu um conflito entre Jacob de Avesnes e o poderoso conde de Flandres e Vermandois, Filipe. Este reclamou a Jacob os castelos de Guise e Lesquielles que tinha dele no condado de Vermandois. Como se negou a devolvê-los, o conde de Flandres sitiou o castelo de Guise. O conde Balduíno V de Hainaut firmou confederação, como se diz, com este conde de Flandres, acudindo em seu auxílio e sitiando o castelo de Lesquielles. Jacob, atuando com astúcia nos castelos que tinha do conde de Hainaut, Avesnes, Landrecies e Leuze, os entregou a seu senhor, o conde Balduíno V, para que ele, como feudos lígios, os protegesse. O conde os tomou, os conservou fielmente e quando quis os restituiu. Após sitiar e atacar o castelo de Lesquielles com máquinas, auxiliando assim o conde de Flandres, Balduíno, por vontade desse mesmo conde Filipe, destruiu sua grande torre, edificada na parte mais elevada da colina. O castelo de Guise esteve sitiado por um longo tempo pelas forças do conde de Flandres, até que se rendeu e foi devolvido. Mais tarde o conde Filipe o restituiu a Jacob. No ano do Senhor de 1177, Filipe, conde de Flandres e de Vermandois, tomou a cruz do Senhor. Como não tinha herdeiro direto, pois seus irmãos Mateo e Pedro haviam morrido e sua primeira irmã viúva do conde de Savóia e de Hugo de Disny havia se retirado para o convento de religiosas de Messine, reuniu seus barões em Ile, os fez prestarem juramento de fidelidade e darem garantias a Balduíno V, conde de Hainaut, e à sua esposa Margarida, por seus justos direitos sobre Flandres como herdeiros mais próximos do condado. Concluído isso, com sua terra em ordem e seus fiéis sob proteção, Filipe, conde de Flandres e Vermandois, partiu até Jerusalém com muitos outros homens probos. Nesse mesmo ano faleceu Alardo, bispo de Cambrai, e nessa igreja surgiram grandes disputas sobre a eleição de seu sucessor. O conde Balduíno V de Hainaut trabalhava arduamente para impor naquele bispado seu primo Gaufredo de Tosny, homem honesto e muito sábio. De sua parte, Hugo Oisy, um homem poderoso da região de Cambrai que tinha dois castelos do condado de Hainaut em feudo lígio do conde Balduíno, Crevecoeur e Arleux, tentava de todos os meios possíveis conseguir aquela dignidade para seu irmão Pedro, arquidiácono maior da igreja de Cambrai. Então, diante essa dissensão, Roger de Warvrin conseguiu ganhar o apoio do conde e foi eleito e consagrado bispo da sede de Cambrai. Tempos mais tarde ele morreria em Ultramar, em auxílio do Santo Sepulcro. Nesse mesmo ano, o bispo de Laon, Roger, chamou às armas seus amigos e reuniu o maior exército que pôde, invadindo suas próprias terras para lutar contra os homens das mesmas que, com o apoio do rei, faziam frente comum contra sua igreja. Encontrou os homens da comuna de Soissons, [116] os de Vailly e os de Saint-Médard prestes a defenderem-se com a ajuda de alguma gente do rei da França. Atacou-os virilmente, matou muitos e fez prisioneiros a outros tantos, submetendo-os com facilidade. Com isso, apesar de ter feito pelo bem da justiça e liberdade de sua igreja, ofendeu ao rei Luís da França. O rei, aceso pela ira, enviou o exército, ocupou os bens do bispo de Laon e, atravessando essas terras, se dirigiu às de Hugo de Pierrepont e Reinaldo de Rozoy, irmãos do bispo, para devastá-las, assim como as de Jacob de Avesnes, que havia oferecido auxílio ao bispo Roger. Reinaldo, primo de Balduíno V de Hainaut, Jacob de Avesnes, consanguíneo e homem lígio seu e Hugo de Pierrepont, cuja esposa era prima do mesmo conde, se dirigiram a ele para pedir-lhe auxílio como sumo protetor. O conde Balduíno V reuniu um exército de setecentos cavaleiros e setenta mil homens em armas e chegou a Etreaupont para auxiliar seus amigos contra o rei da França, que havia chegado até o castelo de Nizy e estava disposto a destruir as terras desses nobres. Quando o rei teve notícias do exército de Balduíno V, deixou aquelas terras em paz e retrocedeu, mas ocupou os bens do bispado durante o tempo que quis e só mais tarde, por mandado apostólico e intercessão do conde de Hainaut, os restituiu àquele bispo. Nesse mesmo ano o conde de Hainaut tomou parte em um torneio entre Vendeuil e La Fère. De seu lado havia menos cavaleiros que do outro lado. Apesar disso, prevaleceu sobre os outros e capturou o senhor do castelo de La Fère, Raul, cunhado seu. Também fez prisioneiros muitos cavaleiros de grande probidade, como Raul, conde de Clermont, seu irmão Simão e Mateo, conde de Beaumont, como prisioneiros. A todos deixou partir livremente. No ano do Senhor de 1178, no princípio do mês de agosto, morreu o conde de Soissons e senhor de Nesle, Ivo, de boa memória. Tivera por esposa a Yolanda, irmã do conde de Hainaut, e como carecia de descendência direta, seu sobrinho Conão, castelão de Bruges, que por parte de sua esposa Ágata possuía o castelo de Pierrefonts, o sucedeu em todos os seus bens. Este Conão, com a ajuda do conde de Flandres, do qual era homem e consanguíneo, causou dano e detrimento ao conde de Hainaut, Balduíno, por causa do dotalício de Yolanda, que era a metade de todo o Nesle e Falvy. Nesse mesmo ano regressou de Jerusalém o conde de Flandres e Vermandois, Filipe. Yolanda, viúva, irmã do conde Balduíno V, contraiu segundas núpcias com Hugo de Saint-Pol, cavaleiro probo e jovem, e embora nunca antes tenha dado a luz a um filho, com a idade de quarenta e sete anos teve duas filhas, Isabel e Eustáquia. Fazia já um tempo que durava um cisma na Igreja de Roma a respeito da eleição do Sumo Pontífice. O imperador Frederico, que favorecia uma das partes, obedeceu, contra Deus e a justiça, a três dos papas eleitos, apesar da sentença que os excomungava e apesar de ter sido eleito e consagrado retamente, para a maior glória do Senhor, o papa Alexandre. [117] A este último se submeteram inteiramente o rei Luís da França, todos os francos e todos aqueles cristãos que não vacilavam diante as ameaças do imperador Frederico. Este obrigou os romanos, os toscanos e os alemães a obedecerem a seu eleito. Mas os lombardos, os venezianos e os pisanos apoiaram e obedeceram a Alexandre. Por fim, graças à vontade divina, o imperador abandonou seus maus propósitos , abjurou o papa injustamente eleito que se chamava Vitor e em Veneza, prostrado aos pés do papa Alexandre, pediu misericórdia. Recobrada a paz e a unidade da Igreja, foi convocado em Roma um concílio para esse mesmo ano do Senhor de 1178, e todos os prelados da igreja acudiram no domingo de Letare Jerusalem, [118] celebrado em Latrão. [119] O papa Alexandre, homem prudente e muito sábio, benigno e atento aos desejos e petições justas de todos, prudente reitor da Igreja, obrou um manifesto milagre: nenhum de seus antecessores havia sido papa tantos anos como São Pedro, ele o foi durante mais anos ainda para vencer os cismáticos e permanecer com a Santa Igreja unida. No ano do Senhor de 1179, no primeiro domingo depois da Ascensão, o conde Balduíno V de Hainaut reconheceu e confirmou na cidade de Troyes para Henrique, conde palatino da dita cidade, os pactos matrimoniais firmados primeiro entre este e o conde de Flandres, segundo os que contrairiam matrimônio: Isabel, filha do conde de Hainaut, com Henrique, filho do conde de Troyes, que em língua vulgar chamam Champanha, e a filha deste mesmo conde, Maria, com o primogênito do conde de Hainaut, Balduíno VI. Nesse mesmo dia, naquela cidade, a esposa do conde Henrique de Troyes deu à luz a um filho que se chamou Teobaldo. Nesse ano, no outono, um dos irmãos por parte de pai do conde Balduíno V, Gerardo, cavaleiro probo e corajoso, honesto, pio e bondoso, caiu gravemente enfermo em Mons e faleceu. Seu corpo foi enterrado no monastério de Santa Waldru. Nesse mesmo ano abandonou o século o conde Conão de Soissons, senhor de Nesle, de Pierrepont e castelão de Bruges. Em Nesle e na castelania de Bruges, lhe sucedeu seu irmão João, e no condado de Soissons seu outro irmão, Raul, mas o senhorio e o castelo de Pierrepont passou para sua esposa Ágata, pois lhe pertenciam em herança. Mais tarde, esta, não vivendo com suficiente prudência e honestidade, vendeu o castelo e a maior parte de seus bens ao rei da França, Filipe. A coroação de Filipe Augusto da França (1165-1223) Também em 1179, na cidade de Reims, no dia de Todos os Santos, o rei Luís da França, sentindo-se velho e débil, fez coroar rei a seu único filho, Filipe, nascido da terceira de suas esposas, Adélia, [120] irmã do arcebispo de Reims, Guilherme, e dos condes Henrique, Teobaldo e Estêvão. Assistiram a essa coroação todos os príncipes da França. Acudiu também com muitos cavaleiros armados o poderosíssimo conde Filipe de Flandres e Vermandois, que reclamava para si o direito ao transporte da espada na coroação. Por rogo seu veio também, com oitenta cavaleiros armados, à expensas próprias, o conde Balduíno V, que não se encontrava obrigado com o rei da França, nem por homenagem, nem por confederação, nem por parentesco. E assim Filipe foi ungido com suma veneração e reverência e foi coroado rei. Dali, o conde de Hainaut se dirigiu ao torneio que se celebrava entre Rethel e Châtillon, onde capturou o conde Henrique de Bar, cavaleiro muito probo, primo do novo rei Filipe, e que se encontrava rodeado por muitos cavaleiros também muito probos; conduziu-o até Valenciennes e uma vez ali o deixou partir livremente. Nesse mesmo ano, Roger, o bispo de Laon do qual falamos acima, primo do conde de Hainaut e mal visto pelo rei Luís da França, foi acusado diante o papa de ter assassinado um homem. Para mostrar sua inocência foram nomeados juízes na França: se diante deles o bispo de Laon pudesse provar, por seu próprio juramento e mais o de três bispos, que não assassinou ninguém com suas próprias mãos, e o que tivesse feito com aquele homem fora em prol da liberdade da igreja, ficaria totalmente livre de culpa. Mas como era conveniente fazer tudo isso para a maior paz e com o consentimento e favor do rei da França, já que haviam fixado a celebração da prova da inocência na cidade de Meaux, dentro da oitava do Natal, o bispo de Laon pediu auxílio ao conde Balduíno V de Hainaut para que intercedesse por ele perante o rei da França, embora não fosse nem seu fiel nem seu familiar. O conde o acompanhou perante o rei, quem, junto com sua esposa, a rainha Adela, recebeu-os benignamente e concedeu ao bispo, pelo bom conselho do conde de Hainaut, que sempre estivera em paz, a prova de inocência. O conde Balduíno V celebrou a festa de Natal no burgo de Saint-Denis. Ali chegou a diversos acordos com o abade e a igreja a respeito de um vasto alódio que pertencia a São Dionísio, para construir uma vila nova que se chamaria Forest. Os pactos foram confirmados por escrito e com o selo da igreja de Saint-Denis e do conde. Desde então, a cidade de Forest, que foi construída ali, não pôde passar a nenhum dos herdeiros do conde, somente para aquele que recebera o condado de Hainaut. Dali o conde Balduíno V e o bispo de Laon se dirigiram a Meaux, onde este bispo, com o auxílio dos bispos de Cambrai, Noyon e Arras, levou a cabo a prova de inocência que lhe havia sido concedida. Livre da culpa, regressaram a Paris e obtiveram do rei Luís a restituição dos bens do bispo e a concessão da graça e o favor do monarca. O casamento de Filipe Augusto da França e Isabel de Hainaut em 1180 Nesse mesmo ano, parentes e conselheiros do ancião rei Luís da França começaram a negociar o matrimônio de seu filho, o novo e jovem rei Filipe, com Isabel, filha do conde de Hainaut, donzela jovem, bela e honesta. Mas estas negociações se fizeram sobretudo com o conde de Flandres, Filipe, mais do que com o próprio conde de Hainaut. Por isso, o conde Filipe de Flandres, o conde Raul de Clermont e outros dos principais parentes e conselheiros do rei da França, durante a Quaresma, se dirigiram a Mons para requerer o consentimento do conde Balduíno V e de sua esposa Margarida, permanecendo ali por três dias. O conde de Hainaut via perfeitamente que podia elevar sua filha acima de sua honra, mas, por outro lado, queria observar os pactos que havia firmado com o conde de Champagne e para deixar a salvo seu juramento se resistisse ao rogos do conde de Flandres e dos outros. Finalmente prevaleceu a vontade do conde de Flandres e Balduíno V cedeu, apesar de aflito por deixar sua filha nas mãos do conde Filipe. Este a conduziu até Flandres. Ao conde de Hainaut pesava o fato de que por aquele matrimônio uma parte do condado de Flandres, após a morte do conde Filipe, passaria para o rei da França, pois foi acordado que as cidades de Arras, Saint Omer, Aria e Hesdin, isto é, todas as terras situadas depois de Fossé Neuf, passariam para o rei da França após o falecimento do conde de Flandres e o resto das possessões do condado para o conde de Hainaut, para sua esposa e seus herdeiros. Contudo, se a filha do conde de Hainaut e a esposa do rei da França morressem sem herdeiro direto ou tendo um herdeiro e este morresse sem herdeiro direto, as possessões de Flandres voltariam para o conde de Hainaut e sob nenhuma circunstância se poderia exigir que fossem entregues de volta para o reino da França. O jovem rei Filipe tomou Isabel como esposa no castelo de Bapaume, que pertencia ao conde de Flandres, na segunda-feira depois da oitava pascoal do ano do Senhor de 1180, e no dia seguinte da festa da Assunção do mesmo ano, em São Dionísio, a fez ungir e coroar rainha com a veneração que lhe correspondia. O rei Filipe levou a coroa e a espada régia em honra de sua esposa, a nova rainha, na presença de seu pai, do conde Balduíno V de Hainaut e de seu tio, o conde Filipe de Flandres e Vermandois. Nesse mesmo ano o rei Luís da França, [121] pai de Filipe, abandonou o século, e Filipe, o novo rei, expulsou todos os judeus de suas cidades e castelos, recebendo por isso imensas riquezas dos cristãos da França. Nesse ano, o rei Filipe quis ir a Auvergne para informar-se melhor de seus direitos sobre essas terras. Rogou ao conde Balduíno V que lhe proporcionasse soldados a pé para que o acompanhassem, pois os que tinha em Hainaut naquela época eram muito valentes. O conde de Hainaut quis satisfazer o rei e lhe enviou três mil soldados a pé, pagos e escolhidos por ele e muito bem armados. Quando estes chegaram a Paris, o rei Filipe já havia iniciado sua viagem e os enviou de volta ao conde, com seus agradecimentos. Também nesse mesmo ano o rei da França se indispôs com o rei da Inglaterra, Henrique, o Velho, e só após vários colóquios fizeram as pazes. O conde de Hainaut se encontrou sempre presente junto ao rei da França e ao conde de Flandres nestas reuniões, acudindo a elas a pedido do rei e do conde Filipe com grandes e árduos gastos. No mesmo ano o conde de Flandres e Vermandois, Filipe, que por causa de um certo conflito via com maus olhos a Raul de Coucy, amadíssimo cunhado do conde de Hainaut, declarou guerra a ele durante o inverno. O conde de Flandres convocou então o de Hainaut para que lhe oferecesse seu auxílio na qualidade de confederado. O conde Balduíno lhe enviou o auxílio devido mantendo durante dez dias em Ribemont cem cavaleiros e muitos soldados a cavalo provido de lorigas. Assim mesmo, naquele tempo se indisporam o rei da França e o conde de Flandres, mas pela mediação do conde de Hainaut foram firmadas tréguas entre o rei Filipe da França, o conde Filipe de Flandres e Raul de Coucy. Alguns desses conflitos, como veremos em seguida, acabaram bem, outros mal. No ano seguinte, em 1181, faleceram o conde palatino de Troyes, Henrique, sua viúva, a condessa Maria e seus irmãos. O arcebispo de Reims, Guilherme, o conde Teobaldo e o conde Estêvão renovaram com o conde de Hainaut e com o conde de Flandres, através de intermediários e por meio de juramentos, o duplo pacto cerimonial anteriormente firmado e que estava em parte quebrado pelo matrimônio de Isabel com o rei da França. E assim, o conde Balduíno V, juntamente com o conde Filipe de Flandres, no dia da Ascensão desse ano chegaram ao magnífico castelo de Provins, que pertencia ao conde de Champagne, e ali renovaram solenemente os acordos. Da parte do conde de Hainaut prestaram juramento o próprio conde Balduíno V, o conde de Flandres, o nobre Raul de Coucy e muitos outros cavaleiros, companheiros de armas e fiéis do conde de Hainaut, entre eles o Eustáquio de Roeulx, Otão de Trazegnies, Gautier de Fontaine, Amando de Prouvy e Gautier de Wafrin. Da parte do conde de Champagne juraram a condessa viúva Maria, Adela, mãe do rei Filipe e irmã do falecido conde de Champagne Henrique e dos condes Teobaldo de Blois e Estêvão, o duque de Borgonha Henrique e o conde de Bar Henrique, ambos sobrinhos dos de Champagne, além de muitos outros nobres. O arcebispo de Reims foi nomeado fiador de ambas as partes e se acordou que o filho primogênito dos condes de Champagne, Henrique, tomaria por esposa a Yolanda, outra das filhas do conde Balduíno V, e o primogênito do conde de Hainaut, Balduíno VI, teria por esposa a Maria, filha do conde de Champagne. Se alguns desses morressem antes de contrair matrimônio seria substituído pelo filho primogênito sobrevivente ou, no caso das filhas, por outra delas. Nesse mesmo ano, o prepósito de Douai, Gerardo, cavaleiro rico, poderoso, rodeado de uma importante parentela em Hainaut, em Flandres e em Vermandois e possuidor de feudos lígios do conde de Flandres e do de Hainaut, feriu um primo seu, Bernero de Roucourt, em certo conflito que houve entre ambos. Quando, de regresso de um torneio celebrado em Blangy, o conde de Hainaut se inteirou disso, considerou que Gerardo havia transgredido a justiça e a paz de sua terra, e por isso queimou completamente sua mansão de Emerchicourt, em Ostrevant, destruiu sua fortaleza nesta mesma vila e ocupou no outono todos os bens que este possuía no condado de Hainaut. Um sobrinho do prepósito, o cavaleiro Guilherme de Roeulx, irmão de Hugo, deixando-se levar pela ira, matou, para ofender o conde Balduíno V, a um de seus servos, durante a Páscoa, na cidade de Dechy. Então, o conde acudiu a Ostrevant com urgência, incendiou a vila de Roeulx e, para que a vingança fosse maior, incendiou as casas e vilas de todos os consanguíneos de Gerardo, mesmo sem terem culpa. Por fim, fez com que todos os seus próximos e amigos abjurassem dele, incondicionalmente. A guerra entre Filipe de Flandres e Raul de Coucy No ano do Senhor de 1182, o conde Filipe de Flandres e Vermandois, indisposto com o rei da França e esperando secretamente a melhor ocasião, convocou seu exército contra Raul de Coucy. Para isso pediu, como de costume, o auxílio do conde de Hainaut. Este, em consideração ao afeto que os unia e ao pacto de confederação, foi ao rio Oise, entre Origny e Macquigny, onde o conde de Flandres havia reunido seu exército, com quatrocentos cavaleiros e sessenta mil soldados, a cavalo e a pé. Os homens do conde de Flandres eram cerca de mil cavaleiros e duzentos mil soldados a cavalo e a pé. Reunido todo aquele exército contra Raul de Coucy, foi somente graças aos emissários do rei da França e a intercessão do conde de Hainaut que se acordou uma trégua. O conde Balduíno V, de regresso daquela expedição teve que dirigir-se com todo o seu exército rapidamente em auxílio do conde de Namur, Henrique, seu tio, que se encontrava em guerra. Juntos sitiaram o castelo de Rochefort. Restabelecida honestamente a paz, graças a um número tão grande de forças, o conde Balduíno V de Hainaut, que já havia se demorado muito e com grandes gastos em outras terras entre a expedição do conde de Flandres e a do de Namur, regressou a seu condado. A guerra entre o conde de Flandres e Filipe Augusto da França Mais adiante, por conselho do diabo, explodiram graves conflitos entre o conde de Flandres e Vermandois e seu senhor, o rei Filipe da França. Diziam que a culpa era em parte devido aos maus conselhos do conde Raul de Clermont, que exercia grande poder nas assembléias do rei. Nem o rei da França havia injuriado de nenhuma maneira o conde, suas honras ou herdades, nem o conde de Flandres estava contra o rei por motivo de alguma terra ou honra. Contudo, ambos, confiando em sua ferocidade ou poder, se prepararam para a guerra. Por isso, o conde, chegada a ocasião, reclamou do conde Raul de Clermont que lhe entregasse o castelo de Breteuil, que tinha por ele. Este, apoiado pelo auxílio do próprio rei da França, se negou a devolvê-lo. Então, o conde de Flandres, cheio de ira contra o rei, reuniu seu exército e se alçou contra ele em seus domínios reais. O conde de Hainaut, confederado e conjurado seu, veio em auxílio do conde de Flandres, apesar de desaprovar esta guerra contra seu genro, o rei da França. Acudiu com duzentos e vinte cavaleiros e cento e dez soldados a cavalo armados com lorigas. Na sexta feira antes do Advento, o conde de Flandres assaltou a cidade de Noyon e queimou-a até chegar às muralhas. Dali, junto com o conde de Hainaut, passou a Montdidier. Como a guerra durava muito tempo, o conde Balduíno V, por vontade do próprio conde de Flandres, reenviou à Hainaut cento e vinte dos cavaleiros que havia trazido consigo, mas reteve os outros cem e todos os soldados a cavalo provistos com lorigas, com grandes gastos à suas expensas. O conde Filipe de Flandres então se inteirou que o rei da França havia disposto ao largo de toda a fronteira em suas cidades e castelos cavaleiros e soldados a cavalo e a pé, e, reunido o exército na cidade de Senlis, se propunha atacar Le Valois, terra que pertencia ao conde de Flandres. Alguns dos cavaleiros de Flandres que se encontravam em Crépy, o senescal de Flandres, Hellin de Wavrin, e outros saquearam e incendiaram a terra do rei da França que se encontra nos arredores. Entraram em Damartin, que se encontra em Goële, a incendiaram e prenderam muitos cavaleiros e homens a pé; com seus ataques os francos propagaram o medo até Paris. O conde de Flandres deixou o de Hainaut em Montdidier com alguns cavaleiros e homens a pé para que custodiassem aquelas terras, e logo se dirigiu ao famoso castelo de Crépy, fazendo etapa em seu castelo de Choisy e no de Pierrefonds, que naquele tempo lhe oferecia auxílio pela benevolência de Hugo de Oisy, então senhor da dita fortaleza. O conde Balduíno V ficou em Montdidier, incendiou toda a terra de Saint Just, o castelo do bispo de Belvacen e a terra de Breteuil, à exceção de seus castelos, e levou a cabo esta guerra fiel e virilmente em nome do conde de Flandres, contra todos os seus inimigos. O rei da França, que tinha consigo o rei Henrique, o Jovem, da Inglaterra, com seiscentos cavaleiros, se preparava para uma grande batalha contra o conde de Flandres. O conde Filipe então convocou todos os homens da fronteira. Ordenou que o conde de Hainaut viesse rapidamente. Para isso, Balduíno V teve que atravessar com grande dificuldade as terras do castelo de Thourotte, por causa de algumas inundações, e para chegar ao outro lado passou a noite em Choisy, e só no dia seguinte pôde chegar a Crépy. Para poder hospedar-se melhor, o conde então proveu aquela vila com alimentos para os cavalos e a abasteceu de feno, vinho, trigo, aveia e outros víveres. E como os conflitos entre o rei da França e o conde de Flandres prosseguiam, ambos os bandos estiveram armados e dispostos para a batalha durante dois dias. O conde de Flandres confiou ao conde de Hainaut a honra de ser o primeiro para começar a batalha, e o conde Balduíno V, uma vez armado, entregou seu estandarte, que chamam bandeira, a um fiel seu companheiro de armas, Hugo de Croix, cavaleiro forte e grande, para que o levasse durante a batalha. Mas apesar de estarem a ponto de começar a luta, graças à vontade de Deus não chegaram a enfrentar-se. Depois de o conde Balduíno V de Hainaut ter demorado um largo tempo nas terras de Le Valois, o conde de Flandres o enviou de novo a Montdidier para custodiar aquela terra. Na ausência do conde de Hainaut, Henrique, filho do duque Godofredo de Louvain, jovem e ainda não cavaleiro, a havia vigiado, acudindo àquelas terras com trinta cavaleiros e muitos soldados a cavalo à expensas do conde de Flandres. No Natal desse mesmo ano firmou-se uma trégua até a Oitava Epifania entre o rei da França e o conde de Flandres. O conde de Hainaut, que havia permanecido nesta guerra sempre às expensas suas, pôde por fim regressar à suas terras. O filho do duque de Louvain, o jovem Henrique, que havia sido mantido com seu exército pelo conde de Flandres, obteve quantas graças quis deste conde. O conde Balduíno V esteve fora de suas terras desde que partiu para a guerra até que pôde regressar, cerca de cinco semanas depois, o que lhe custou uns mil e oitocentos e cinquenta marcos de prata de grande peso. Após a Oitava Epifania, o rei da França e o conde de Flandres voltaram a entrar em guerra. Filipe de Flandres avisou o conde de Hainaut, que sempre se encontrava disposto a ajudar-lhe em toda a necessidade, para que acudisse na guerra em seu auxílio, tanto como confederado quanto conjurado. Balduíno V acudiu a Montdidier com oitenta cavaleiros e muitos soldados a cavalo provistos com lorigas e se hospedou na cidade de Faverolles, próxima de Montdidier. Ali permaneceu algumas vezes com o conde de Flandres, outras saía para fazer cavalgadas com os seus e alguns homens de Flandres, apesar do tempo frio e chuvoso. Nessas ocasiões, percorrendo as fronteiras, devastava a terra do rei até as regiões de Compiègne e de Beauvais, incendiando-as e saqueando-as. Assim, após grandes esforços, o fogo destruiu Neuville-Roy, no Beauvais. Na Quaresma voltaram a firmar-se tréguas de ambas as partes e o conde de Hainaut, que já se encontrava em guerra há seis semanas completas desde que partiu de seu condado e sempre suportando os gastos de seu exército, pôde regressar à suas terras. O custo de tudo isso chegou a mil e seiscentos marcos de prata de grande peso. Por outro lado, o filho do duque de Louvain, Henrique, que tinha por esposa a filha do conde da Bolonha, Matilde, sobrinha de Filipe de Flandres, acudiu a esta guerra em auxílio do conde de Flandres com quarenta cavaleiros e outros tantos soldados a cavalo e dez balestreiros, mas esteve sempre às expensas do conde de Flandres e recebeu dele quantas graças quis. O exército do conde de Hainaut, antes e depois do Natal, esteve formado por cavaleiros valentes, de fama, probos e preclaro nome. Entre eles se encontravam Everardo Radou, Eustáquio, o Jovem, de Roeulx, Guilherme, irmão do próprio conde, Eustáquio de Lens, Nicolau de Barbençon, Otão de Trazegnies, Gautier de Wargnies, Roger de Condé, Gautier de Blandain, seu irmão Gerardo de Wattripont, Amando de Prouvy, Pol de Villers, Nicolau de Peruwelz e seu filho Balduíno, Hugo de Croix, Gautier de Fontain, seus irmãos Guido e Fulco e seus sobrinhos Gautier e Arnulfo de Gouy, Hellin de la Tour, Guilherme de Anzin, Gautier de Bierbeek, pequeno, mas de grande coragem, Egido de Bermerain e seu irmão Bovero, Ricardo de Orcq, Guilherme de Flaon, Balderico de Roisy, Gerardo de Malcicout, Nicolau, chamado de o Monge, João Cornudo, Rainier de Trith, Balduíno e Renardo de Strépy e muitos outros, maiores e menores. O torneio de Assche No ano do Senhor de 1182, o conde Balduíno V de Hainaut se encontrava em um torneio em Assche, na região advalense, onde participavam, conforme o costume, os de Hainaut contra os de Flandres. Naquele torneio se encontrava o filho do duque de Louvain, o jovem Henrique, que ainda não era cavaleiro. Seus homens, seguindo um mau conselho, roubaram arneses, vestimentas, palafréns, rocins e outras coisas deste tipo do conde de Hainaut e os de sua equipe. Quando o conde se inteirou disso, queixou-se ao jovem duque Henrique e lhe pediu que lhe devolvesse tudo que fora levado. O filho do duque de Louvain e seu pai Godofredo restituiram ao conde Balduíno V a metade do que foi roubado, prometendo-lhe que devolveriam a outra metade em um prazo estipulado. Contudo, quando ainda não lhe haviam devolvido esta segunda parte, próximo do dia de São Martinho, Henrique ocupou pela força uma fortaleza chamada Wissenaken que o conde de Hainaut tinha no Brabante, tomando de surpresa o que tinha na fortaleza e o próprio conde de Hainaut e fortalecendo-a com homens e armas. Ao inteirar-se disso, o conde Balduíno V pediu auxílio a todos os seus amigos e deixando o exército se dirigiu com poucos cavaleiros até Braine-le-Comte, onde ocupou a fortaleza de Tubize, que pertencia ao duque de Louvain, equipando-a com homens, armas e víveres. Congregou um grande exército e construiu novos fossos e máquinas de guerra em forma de torres. Ali se encontravam junto ao conde Hugo, conde de Saint-Pol, sobrinho do conde, Raul de Coucy, que também tinha por esposa a uma de suas irmãs, Inês, Manassés, conde de Rethel, seu primo, o bispo de Laon e seu irmão, Reinaldo de Rozoy, ambos primos do conde, Roberto de Pierrepont, seu consanguíneo, Raul de Thour, Godofredo de Balham, Guido de Séri e seus irmãos Reinaldo e Balduíno de Donchery, consanguíneos do conde, Raul, conde de Soissons e seu irmão João, senhor de Nesle, amigos seus e consanguíneos de seus filhos, além de muitos outros nobres de Flandres. Entre os de Hainaut se encontravam Jacob de Avesnes, Hugo de Oisy, Rasão de Gavre, Gerardo de Saint Albert, Everardo Radou, Nicolau e Hugo de Rumigny, Nicolau de Barbençon, Eustáquio de Roeulx e seu filho Eustáquio, Otão de Trazegnies, Gautier de Wavrin, Balduíno e Mateo de Walcourt, Rainier de Trith, Guilherme, irmão do conde, Amando de Prouvy, Gerardo de Wattripont, Gautier de Fontaine e seu irmão, Egido de Chimay, Nicolau de Peruwelz e seu filho Balduíno, Gautier de Lens e seu filho Eustáquio, Gosuíno de Enghien, Gautier de Honnecourt, Bernardo de Saint Valery, poderosíssimo castelão de Beaumetz, Hugo de Roeulx, Hauwel de Quievrain, Carlos de Fraisne, o Velho, Pol de Villiers, Balduíno de Srtepy, Roger de Condé, Hugo de Croix, Balduíno, castelão de Mons, Henrique, castelão de Binche, Gisleno, castelão de Beaumont, João Cornudo, Balderico de Rouzy, Gerardo Makrellus de Denain, o Velho, Estêvão de Denain, Gerardo de Monchecourt, Guilherme de Haussy, Simão de Aulnoy, Fulco de Semeries, o Velho e muitos outros cavaleiros de sua terra e da de seu tio, o conde de Namur. A vila de Lembecq Então o conde mandou fortificar a vila de Lembecq, no Brabante, situada no condado de Hainaut e aceita como garantia de um de seus fiéis, Gosuíno de Enghien, que a tinha em feudo por Gautier de Lens, o qual, por sua vez, devia ao conde de Hainaut a estância do castelo de Mons. Dizia-se que Santa Gertrudis de Nivelles tinha poder sobre certos bens daquela cidade e que o duque Godofredo de Louvain e seu filho Henrique, que afirmavam serem protetores desta Santa, se opuseram à fortificação da vila e se colocaram em marcha com seu exército para impedi-la. O conde de Hainaut reclamou o auxílio do conde Filipe de Flandres, tanto confederado quanto conjurado seu, e também porque havia-lhe servido em todas as ocasiões sempre que solicitado. O conde Balduíno pretendia com isso que, caso o conde de Flandres não quisesse lhe oferecer auxílio, pelo menos se manteria neutro. Balduíno tinha forças mais que suficientes para fortalecer a cidade, mesmo que isso fosse contra a vontade do duque. No entanto, quando o conde de Flandres chegou com seu exército até o Natal, o convenceu com palavras lisonjeiras e com rogos para que firmasse um armistício e concedesse uma trégua ao duque de Louvain até a oitava da Epifania seguinte. Além disso, Filipe de Flandres prometeu ao conde que se interaria da autenticidade de seus direitos e então lhe ajudaria diligente e fielmente em tudo e lhe enviaria quantos homens a cavalo e a pé pudesse conseguir para apoiá-lo. Durante a trégua, o conde fez um acordo em uma assembléia na cidade de Vinoiz com seus amigos, o conde de Rethel, o bispo de Laon e seu irmão Reinaldo, Raul de Coucy, Nicolau de Rumigny, Guido de Séry, Godofredo e Arnaldo de Balham, Roberto de Pierrepont e muitos outros. Todos continuaram mantendo o auxílio a suas terras e acudiram depois com quantos cavaleiros puderam. Também durante a trégua, o conde Balduíno dirigiu-se sem armas a um torneio que se celebrava entre Braisne e Soissons, e ali, com rogos e promessas, atraiu quantos cavaleiros pôde para acudirem em seu auxílio. Passada a oitava da Epifania, reuniram-se em Mons muitos cavaleiros armados. Ali chegou o conde Filipe de Flandres ao encontro do conde Balduíno, que se encontrava com sua esposa, a condessa Margarida, irmã da de Flandres, e com seus filhos, que então ainda eram muito pequenos. Filipe prometeu auxílio e conselho a Balduíno em tudo o que pudesse, e no dia seguinte, partiram juntos até Lembecq, onde Balduíno V havia convocado seu exército. Nela se encontravam, além de seus amigos, muitos outros cavaleiros do Império e do reino da França, assim como os homens de Hainaut. Quando Filipe de Flandres viu as forças reunidas por Balduíno V, entre rogos e palavras lisonjeiras pediu-lhe que voltasse a conceder uma trégua até que o duque Godofredo regressasse de Jerusalém, de onde havia partido após fazer-se cruzado. O conde de Hainaut, que confiava plenamente em sua força e em seu direito, não estava disposto a conceder uma trégua. Contudo, Filipe de Flandres, colocando seu afeto pelo duque de Louvain e seu filho Henrique na frente de seu dever de auxílio para com o conde de Hainaut, disse abertamente que não pensava permitir de nenhum modo que se construísse ali a fortaleza, e que se o conde de Hainaut fosse omisso por seus rogos, ele ajudaria o duque de Louvain. Então, o conde Balduíno, que não queria perder as graças pelos serviços prestados ao de Flandres e esperava obter algum dia seu favor, aconselhado por seus homens e amigos, mesmo sendo-lhe custoso, concedeu a trégua até que o duque regressasse de Jerusalém. Oh, Lembecq funesta! Por ela o Império e o reino da França se inimizaram gravemente, e após os exércitos terem chegado de forma imprevista, o condado de Hainaut ardeu ao largo e ao longo de suas terras. Oh, Lembecq funesta! Por ela as terras do duque de Louvain foram devastadas, submetidas a pilhagens e incêndios. Oh, Lembecq funesta! Por ela o conde de Namur perdeu seu castelo e seu domínio e apesar de o conde de Champagne, Henrique, ter reunido com grandes esforços um poderoso exército, tudo foi inútil. Oh, Lembecq funesta! Por ela foi destruída, repetidamente saqueada e incendiada a maior parte da terra de Jacob de Avesnes. Oh, Lembecq funesta! Por ela o mesmo conde de Flandres, Filipe, o poderosíssimo, um dia perdeu uma de suas cidades e sessenta e cinco castelos, tal como narrarei adiante. Nesse mesmo outono de 1182, o conde Henrique de Namur e Luxemburgo caiu enfermo em Luxemburgo. Fazia anos que um de seus olhos não enxergava e nesta ocasião, pela vontade de Deus, extinguiu-se a luz do outro e ele ficou cego. Quando seu sobrinho, o conde Balduíno V de Hainaut se inteirou disso e foi visitá-lo, o conde de Namur fez com que fossem renovadas as garantias dos nobres de sua terra, dos familiares e dos burgueses de Luxemburgo. Entre os cavaleiros que renderam-lhe homenagem e deram garantias ao conde se encontravam Wery de Walcourt, Arnulfo de Luxemburgo e seu filho João, Gautier de Wiltz e seus filhos Ricardo e Gatuier, Wery de Luxemburgo, sua esposa Isabel e o filho de ambos, Arnulfo, Wecelo de Bertringen, protetor de Luxemburgo, e seu irmão Roberto, Conão de Ouren, seus filhos Arnulfo, Conão, Egido e seu irmão Arnulfo de Larochette, João de Burscheid, Herbrando de Falkenstein, os irmãos Raul, Anselmo, Henrique e Frederico de Kahler, Nicolau de Bettingen, Roger de Useldingen e seu filho Menis, Germano de Neumagen, Gautier de Meisenburg, Mateu de Reckingen, Teodorico de Reuland, Estepo e Henrique de Arloncourt, Bartolomeu de Esch e seus filhos Godofredo, Henrique e Guilherme, e muitos outros cavaleiros, além de soldados e burgueses. * Notas [105] Feltro = parte arqueada e saliente da sela. [106] No original winagium = pedágio sobre o transporte de vinho. [107] “Tomas colchão e baixela de cozinha...”, isto é, dar abrigo para pernoite e comida ao conde e toda a sua corte. [108] "Procedimento testemunhal" = O que definia a verdade em um litígio estabelecido através de inquérito judicial ou processo testemunhal era a palavra empenhada, a veritas cavaleiresca. [109] Marcos esterlinos = Moeda inglesa. [110] Trata-se de feudos de bolsa, isto é, feudos desprovidos de qualquer base territorial, que eram recebidos em forma de um pagamento regular (o feudo não era só uma concessão territorial, como muitas vezes se pensa). [111] Loriga (do latim lorica) = cota-de-malha, túnica curta feita de anéis ou discos de metais entrelaçados. [112] Nesta passagem Gislebert distingue cavaleiros (milites) e soldados (servientes), sendo que estes últimos podiam ser homens a cavalo com ou sem lorigas (equites ou equites loricatii) ou homens a pé (pedites). À frente deles ficavam os cavaleiros mercenários (milites stipendiarii) e os soldados mercenários (servientes stipendiarri). [113] Conduto = No original, conductus, isto é, escolta oferecida para se atravessar um território. [114] Luís VIII (1223-1226, n. 1187). [115] Adélia era filha do conde Teobaldo II de Champanha. Morreu em 1206. Em algumas genealogias aparece como Alix. Foi mãe do rei Felipe Augusto da França. [116] Comuna = comunidade de habitantes de uma vila. [117] Rolando Bandinelli, papa Alexandre III (1159-1181). [118] Domingo de Letare Jerusalem = segundo Domingo do Advento. [119] Trata-se do III Concílio de Latrão (11.° concílio ecumênico), organizado, entre outras coisas, para selar a paz entre Frederico Barba Roxa e o papa Alexandre III. “Para impedir no futuro as disputas sobre a eleição papal, o papa deveria doravante ser eleito por dois terços dos votos. Outras medidas: interdição de possuir diversos ofícios eclesiásticos (cúmulo de benefícios), excomunhão dos cátaros (e de seus simpatizantes), confisco de seus bens. Cada catedral deveria assumir um professor encarregado da instrução dos alunos pobres.” - FRÖHLICH, Roland. Curso Básico de História da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 95. [120] Adélia de Champagne (†1206), rainha da França, terceira esposa do rei Luís VII (1120-1180). [121] Luís VII (1120-1180). |
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