A melancolia na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)

Ricardo da COSTA

Trabalho apresentado no
12° Congresso Internacional de Estética
O Trágico, o Sublime e a Melancolia
,

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), UFMG,
no dia 14 de outubro de 2015.

Conferência proferida no
Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFPA,
no dia 19 de fevereiro de 2016.

In: FREITAS, Verlaine, COSTA, Rachel, FERREIRA, Debora Pazetto (orgs.).
O trágico, o sublime e a melancolia. Volume 3.
Belo Horizonte: ABRE Associação Brasileira de Estética, 2016,
p. 192-206 (sem as imagens).
ISBN 978-15-40544-93-3.
 

Resumo: Em seus escritos, o filósofo catalão Ramon Llull (1232-1316) abordou o tema da melancolia sob o prisma metafísico-científico então vigente: as qualidades e naturezas dos doze signos do Zodíaco e dos sete planetas (Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e a Lua), em combinação com as quatro compleições elementais (ar, fogo, água e terra) presentes no Cosmo proporcionavam as “essências temperamentais”, definidas pela Teoria humoral hipocrática (sanguínea, fleumática, colérica e melancólica). Os filósofos deveriam levar essa estrutura metafísica do Universo – defendida pela tradição greco-romana – em suas considerações filosóficas e debates intelectuais (tanto cristãos quanto judeus e muçulmanos aceitavam essas condições aprioristicamente). A proposta do trabalho é apresentar a melancolia em alguns textos do filósofo (como, por exemplo, a Doctrina pueril [c. 1274-1276], os Començaments de Medicina [c. 1274-1283], a Arbre de Ciència [1295-1296] e o Tractat d’Astronomia [1297]) e relacioná-los com imagens do final do período medieval que sintetizam o universo filosófico que abrangia o tema. Assim, com essa metodologia interdisciplinar e comparativa (Filosofia e Artes), pretendemos apresentar um quadro filosófico-artístico compreensivo e que abranja todo o universo mental do período.

Abstract: In his writings, the Catalan philosopher Ramon Llull (1232-1316) addressed the melancholy theme in the metaphysical and scientific perspectives which were common at his time periodin. There were the qualities and natures of the twelve signs of the Zodiac and the seven planets (Saturn, Jupiter, Mars, Sun, Venus, Mercury and the Moon), in combination with the four elemental complexions (air, fire, water and earth) present in the Cosmos, which provided the “temperamental essences”, defined by the Hippocratic humoral theory (blood, phlegmatic, choleric and melancholic). Philosophers should have taken into account this metaphysical structure of the universe, when they were making their philosophical meditations and intellectual debates (Christians, Jews and Muslims accepted these aprioristic conditions). The purpose of this study is to present the melancholy in some texts of the philosopher Ramon Llull (such as Doctrina pueril [c. 1274-1276], Començaments de Medicina [c. 1274-1283], Arbre de Ciència [1295-1296] and Tractat d’Astronomia [1297]) and connect them to images from the end of the medieval period that synthetised their philosophical universe. So, with this interdisciplinary and comparative methodology (Philosophy and Arts), we intend to present a comprehensive philosophical and artistic perspective, covering the worldview of the period.

Palavras-chave: Melancolia – Teoria dos humores – Ramon Llull – Filosofia Medieval – Arte medieval.

Keywords: Melancholia – Humorism – Ramon Llull – Medieval Philosophy – Medieval Art.

***

I. Rupturas

I.1. Freud (1856-1939) e a melancolia como luto

Imagem 1

A Melancolia (1902), de Picasso (1881-1973).

Estudar um tema filosófico-artístico é estudar os registros da passagem do tempo no pensamento, na Arte. Debruçar-se sobre a sincronia, a diacronia e, hoje, sobretudo, o anacronismo intrínseco da imagem.1 Pensar as permanências, as transformações, as revoluções ou, para utilizarmos a bela metáfora marítima de Fernand Braudel (1902-1985), as grandes marés (o tempo quase imóvel), as ondas (o tempo do ritmo lento) e suas espumas (o tempo dos acontecimentos).2 Com a melancolia, hoje também chamada de depressão3 (C. S. Lewis [1898-1963] preferia denominá-la neurose4), não é diferente. Ao caminhar para trás, ao levantar os véus do tempo e fazer minha própria regressão temporal, do século XXI ao XIII, percebo basicamente três rupturas.

A primeira com Freud (1856-1939) – afinal não somos, em maior ou menor grau, filhos do pensamento do século XIX? No início do radical período que posteriormente denominamos de Entreguerras (1919-1939)5, no final de 1919, o psicanalista austríaco definiu as nuances clínicas da melancolia: desinteresse pelo mundo exterior, abatimento e indiferença pelo trabalho e pelo amor. Um deleitável auto-tormento, semelhante ao luto. Com tendências suicidas, os melancólicos se autodepreciam e têm uma espécie de fúria psíquica masoquista que os incita à autopunição. Trata-se de uma forma extrema e mórbida do que costumamos chamar de consciência (mais tarde Freud denominaria de superego).6

Os traços freudianos da melancolia estão muito bem expressos no apático e frio olhar da mulher do quadro A Melancolia (1902), de Picasso (imagem 1). A indiferença face ao mundo da Melancolia encarnada é acentuada pela intensidade do ambiente azul e seus diferentes tons (e como a fase azul e rosa [1901-1906] do pintor espanhol se adequou bem para expressar a morbidez da melancolia!)7, pelos braços cruzados da personagem, mas especialmente pelo distante, gélido, fixo e meditativo olhar que o pintor espanhol tão bem acentuou.8

I.2. A melancolia romântica

Imagem 2

A Melancolia (1801), de Constance Marie Charpentier (1767-1849). Óleo sobre tela, 130 x 165 cm. Musée de Picardie, Amiens.

O segundo véu que recobre o século XIII de nós: o Romantismo. A ruptura da onda romântica precedeu a fria e científica perspectiva freudiana sobre o tema. É mais uma camada a ser revolvida para quem se pretende arqueólogo do tempo. O ansioso, melancólico e irrealizável desejo do Infinito associado à ânsia de resolver e unir as antíteses vida/morte e mente/coração expressaram a perfeição da autorepresentação do ser romântico: beleza e melancolia se complementavam.9 A melancolia proporcionava o ansiado tom taciturno à existência, matiz magistralmente expresso em uma Ode de um dos ícones do período, John Keats (1795-1821):

Ode sobre a Melancolia

Não! Não vás para o Letes, nem tristes raízes
   Tortures para obter o vinho que te acena;
Nem no pálido rosto os beijos cicatrizes
   Da beladona, que Prosérpina envenena.
Não faças teu rosário com amoras parcas,
      Nem permitas que o escaravelho ou a falena
         Sejam tua Psique, nem que o mocho do abandono
Partilhe dos mistérios do teu ser que pena,
      Pois logo vem, de sombra em sombra, o lento sono
         Para apagar da alma insana as negras marcas.

Mas se acaso o veneno da melancolia
   Cair do céu, chuva de nuvens, que se espalha
Nas flores e as reflora ao som da chuva fria,
   E apaga os verdes montes no abril da mortalha,
Purga, então, o amargor numa rosa da aurora
      Ou no arco-íris entre o mar e o sal e a areia.
         Ou numa imperial peônia globular;
Ou se em tua amante algum ressentimento aflora,
      Toma-lhe as mãos e ouve o que a incendeia
         E, olhos nos olhos, colhe o seu mais belo olhar.

A Beleza é seu lar; Beleza que se esvai;
   A Alegria, com mãos e lábios sempre em fuga
Dizendo adeus; e o Amor que atrai e logo trai
   E é já só fel em vez do mel que a abelha suga:
Sim, pois esse amorável Templo do prazer
      Tem na Melancolia o seu nublado altar,
         Só visível a quem com a língua sorver
   A uva da Alegria, lânguida, no céu
Da boca; o travo da tristeza o irá encontrar
   E entre as névoas da dor pousar mais um troféu.
10

Em Keats, a deusa Melancolia, sorrateira, se esgueira, foge: assim como a Beleza, ela só pode ser encontrada recorrendo-se à consciência, não ao veneno. Mais: ela é a plena consciência da transformação natural, cuja forma última é a morte!11 Por isso o olhar ao Infinito da Melancolia de Constance Marie Charpentier (1767-1849) (imagem 2): uma belíssima grega de face rosada, desfalecida, a contemplar a si própria, circundada por um locus amoenus atualizado porque tenebroso, porque misterioso, porque submerso em trevas, escuridão que, contrastada com a alvura da suave túnica a adornar seu corpo, representa a antítese viva da existência.

Sua pele alva e sua branca túnica reluzem no espetáculo ao fundo da tristeza infinita. Mais do que um estado de espírito tratável, como pensava Freud, a melancolia no quadro de Marie Charpentier é uma deusa grega a ser desejada, a ser almejada, porque, paradoxalmente, personifica o triste clímax do socrático conhece-te a ti mesmo. E conhecer-se é como mergulhar no tão sonhado (e belo) abismo da alma.

I.3. O nascimento como ruptura: A anatomia da melancolia (1621)

Imagem 3

A Melancholia (c. 1627-1628), de Hendrick ter Bruggen (1588-1629). Óleo sobre tela, 67 x 46,5 cm. Art Gallery of Ontario, Toronto (empréstimo de uma coleção particular).

Como filho de seu tempo, Hendrick ter Bruggen (1588-1629) estava familiarizado com a teoria hipocrática (e medieval) dos quatro humores (como explicaremos a seguir) e a imagem da Melancolia como um tema artístico. Sua contribuição ao tema mostra a Melancolia (identificada pelos especialistas) como Maria Madalena, de luto pela morte de Jesus (imagem 3).12 Imersa em seus pensamentos, os olhos semicerrados da mulher contemplam um crânio porque o espírito melancólico se volta para seu mundo interior e considera o tema dos temas da Filosofia clássica: a morte.13 A Melancolia do artista manifesta uma expressão quase estoica pois, caso seja verdadeira a hipótese de o personagem ser Maria Madalena, a meditação da morte (corporal) do Filho de Deus é a máxima expressão do tema e, por isso, é necessário a representação da máxima melancolia possível. A opção do artista foi ressaltar o momento introspectivo com o jogo de luz e sombra proporcionado pela projeção da luminosidade da vela no rosto do personagem.

No mesmo período em que ter Bruggen pintava sua Melancolia, era lançada a primeira obra especificamente dedicada ao tema: A anatomia da melancolia, do clérigo e professor de Oxford Robert Burton (1577-1640).14 O texto foi um divisor de águas, pois ao mesmo tempo uma síntese do pensamento medieval (a teoria dos quatro humores) mas também um prenúncio do tema como pertencente ao âmbito da Psicologia (outro pano de fundo da obra era o conceito [clássico e renascentista] de psique – ψυχή).15

De fato, como um clímax soturno, o fim da Idade Média presenciou o auge do tema, na Literatura, na Filosofia, nas Artes e, especialmente, na necessidade de um comportamento social que simultaneamente expressasse a tristeza, a fantasia e a meditação consternada. O poeta Eustache Deschamps (c. 1340-1404) sintetizou esse espírito sombrio de seu tempo: nenhum pintor é suficientemente melancólico (merencolieux) a ponto de conseguir pintar a melancolia.16 De fato, não só a Anatomia da melancolia é sintoma de sua época: A Melancolia de ter Bruggen é também a expressão artística do pálido tom da melancolia shakespeariana de Hamlet (c. 1599-1601).17

 

II. A melancolia na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)

5. As compleições são quatro: cólera, sangue, fleuma e melancolia. A cólera é do fogo, o sangue do ar, a fleuma da água e a melancolia da terra. A cólera é quente pelo fogo e seca pela terra. O sangue é úmido pelo ar e quente pelo fogo. A fleuma é fria pela água e úmida pelo ar. A melancolia é seca pela terra e fria pela água. Assim, quando essas compleições são desordenadas, os médicos trabalham para ordená-las, pois o homem fica doente por causa do desordenamento delas.

RAMON LLULL. Doctrina pueril. Cap. LXXVIII (Da Ciência da Medicina, 5).18

Na Idade Média – e, por isso, também no Renascimento19 – o corpo humano se encontrava no centro do universo, na intercessão do macro e do microcosmo.20 No corpo animado, em sua forma, estavam resumidas, concentradas e potencialmente maximizadas as mesmas características presentes em todas as coisas do mundo sublunar, mundo abaixo da Lua, mundo da transitoriedade, do nascimento e morte.

A Medicina, por isso, necessitava do auxílio interpretativo de outros conhecimentos: da Astronomia, da Música – por exemplo, o compositor Bartolomé Ramos de Pareja (c. 1440-1522) defendeu que o modo mixolídio (atribuído ao planeta Saturno) que regia a melancolia, por ser em parte lascivo, em parte alegre, poderia ser empregado medicinalmente, já que seria capaz de, com sua melodia, ativar o humor melancólico e devolver a normalidade às pessoas tristes e letárgicas.21

Os médicos e os astrônomos, baseados na tradição grega, afirmavam que quatro eram as possibilidades do temperamento humano (hoje diríamos caráter22): colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico. Esses quatro temperamentos estão exemplificados em quatro xilogravuras de um calendário alemão de 1498: o homem melancólico, por ser frio e seco (frio pela água e seco pela terra), tem uma tendência ao desânimo, ao desalento, ao desencanto. Por isso, na xilogravura alemã, com os olhos semicerrados, a mulher, com um novelo atrás para demonstrar seu ofício par excellence, presencia, angustiada, a condição de seu marido. Com a cabeça na mesa, ele não tem ânimo para nada. Essa era a situação social mais extrema do melancólico, tal qual entendiam os estudiosos da Idade Média (imagem 4).

Imagem 4

A disposição melancólicaCalendário alemão de 1498. Pierpont Morgan Library. InThe World of Shakespeare's Humours. No mundo germânico, na Inglaterra, na França: a melancolia no alvorecer da Modernidade não conhecia fronteiras.

Esse contexto cultural explica o fato de o filósofo Ramon Llull ter tratado do tema no capítulo referente à Medicina em sua obra Doutrina para crianças, escrita na segunda metade do século XIII e dedicada a seu filho Domingo. Os estudiosos medievais consideravam que a principal função da Medicina era reordenar os humores desordenados, origem das doenças corporais. Devido ao fato da teoria humoral ser uma das bases do pensamento de Llull, sua filosofia já foi entendida como uma digressão especulativa humoral.23 Na Doutrina, o filósofo divide assim os ramos da Medicina:

 

 

 

 

 

 

 

Medicina

 

 

 

 

 

Princípio Natural

1) Elementos

2) Compleições

3) Humores

4) Membros

5) Virtudes

6) Operações

7) Espírito

 

 

Princípio inatural

1) Respirar

2) Exercitar (trabalhar e repousar)

3) Comer e beber

4) Dormir e despertar

5) Encher e esvaziar

6) Gozo e tristeza (acidentes da alma)

 

Princípio contra a Natureza

1) Doença

2) Ocasião da doença

3) Acidente

Em resumo, a doutrina médica de Llull exposta na Doutrina para crianças é essa: o corpo é composto pelos quatro elementos (ar, fogo, terra e água). Adoece quando estes se desordenam. Esses quatro elementos proporcionam quatro compleições: colérico (fogo), sanguíneo (ar), fleumático (água) e melancólico (terra). Os temperamentos coexistem simultaneamente no homem, mas cada pessoa é inclinada mais a um do que a outro. Há dois tipos de “relações internas” que influencia o humor de alguém: quando a compleição preponderante se assenhoreia naturalmente das outras, e quando esse domínio é muito intenso  e, para equilibrá-lo, os contrários o mortificam. Por isso os médicos têm dois tipos de cura: a cura natural e cura através dos contrários dos elementos. Fazem isso com mesclas dosadas (graus) de ervas e de sementes, devidamente combinadas e de acordo com suas qualidades (venenas, unguentos, emplastros e letovaris)24, além de dietas, sangrias, vômitos, banhos “e muitas outras coisas” (Doctrina pueril, cap. LXXVIII, 1-27).25

A abordagem médica da melancolia é o tom dos textos em que o filósofo trata do tema. Do mesmo período é o tratado Os Princípios da Medicina (c. 1274-1286). O melancólico é fisicamente diagnosticado por sua urina branca e clara:

A urina melancólica é branca e clara. Branca por D (frio) e clara porque a água é absorvida pela terra, que é uma vasilha seca, pois mortifica C (umidade) em água. Logo, se tu entendes isso, saberás como a terra contém a água contra C (umidade). E para que entendas inteiramente, poderás fechar a vasilha com C (umidade) e com A (calor), caso saibas discorrer teu entendimento pelos graus e pelos triângulos.

Assim como o Sol ilumina o ar e forma o dia, quando B (secura) concorda com D (frio) forma a noite, que é de cor negra e espessa. Por isso, manifesta-se a urina com uma cor semelhante, que é negra e espessa, a qual negrura assim se manifesta pela multitude da matéria terrestre e aguada, e a cólera se manifesta pela multitude do resplendor do fogo. Assim, se entendes isso e desejas curar o doente, convém que multipliques a virtude de A (calor) e de C (umidade) por sua matéria sutil, para que a virtude possa entrar na grossa matéria de B (secura) e de D (frio).26

De todas as compleições, a mais desagradável é a da melancolia (“...a natureza do homem se deleita mais na compleição do sangue do que na da cólera, na da fleuma e na da melancolia”).27 Mas o aspecto mais curioso da Medicina medieval é a sua estreita relação com a Astronomia. Como os medievais pensavam que tudo era composto pelos quatro elementos (teoria que remontava a Platão, na obra Timeu [uma dos textos do filósofo grego mais lidos na Idade Média]28, e a Aristóteles, na obra Da Geração e da Corrupção29, consequentemente supunham que os planetas, por também serem compostos dos quatro elementos, influenciavam os temperamentos humanos. No caso da melancolia, elemento terra, seu signo era Saturno, planeta considerado, digamos, pouco auspicioso. O filósofo assim se refere a ele na enciclopédica Árvore da Ciência: “...dizem que o senhor Saturno é mau e da compleição da terra, e o mesmo dos outros, pois é causa da multiplicação da secura, do frio e da melancolia dos homens, razão pela qual têm muitas cogitações más”.30

Os planetas, definitivamente, influenciam as ações dos homens no mundo. No Tratado de Astronomia (1297), o filósofo discorre sobre os efeitos dos planetas nos elementos, nos homens, em seus temperamentos:

(1) Saturno

          Saturno é maldoso porque é da compleição da terra, que é de má compleição se comparada à compleição do ar que, por sua vez, é de boa compleição graças ao sangue, fonte da vida, enquanto a melancolia é fonte da morte.

          Os homens que nascem em sua constelação são melancólicos e graves por causa do peso que recebem da terra e da água, que são naturalmente pesadas. Em contrapartida, por causa da natureza da gravidade, são constantes e firmes em seus apetites e propósitos, e naturalmente olham para a terra. Têm boa memória porque a água é adstringente, cobiçosa e receptiva. Amam as espécies fantásticas e matemáticas. A terra é o sujeito espesso que proporciona a impressão das espécies memorizadas.

          Por isso, os homens melancólicos são predispostos a adquirir elevadas ciências, por causa da capacidade de multiplicar muitas espécies. Os homens melancólicos são, ainda, naturalmente suspeitosos e preveem antecipadamente as coisas graças à sua imaginação, que concorda e é mais harmônica com a melancolia do que qualquer outra compleição. E a razão pela qual a melancolia concorda mais com a imaginação é porque a imaginação considera desmesuras, figuras feias e cores que podem ser melhor impressas na água e na terra pois têm matéria mais espessa que o fogo e o ar (os grifos são nossos).31

Todas as características da melancolia – desejo da morte, desconfiança, gravidade, constância, imaginação (isto é, capacidade de fantasiar a realidade) – são, de acordo com Llull, consequências diretas da influência de Saturno, planeta maldoso!

O próprio filósofo sofria do que hoje chamamos de transtorno bipolar. A melancolia é uma constante em suas obras. Chegou mesmo a ter uma crise profunda – chamada pelos especialistas de Crise de Gênova (1292-1293), uma crise de melancolia ansiosa, pois se preparou para o suicídio (no vocabulário medieval, o martírio: viajar às terras islâmicas e pregar a fé em Cristo), mas desistiu (iria logo depois).32 E isso com sessenta anos!

Igualmente, em 1295, deprimido por não conseguir convencer os poderes instituídos de aplicarem suas propostas de conversão dos infiéis, compôs em Roma, em melancolia (malencolia) e depressão (languiment33), a obra Desconsolo (Desconhort).34

Conclusão

Retirados os três véus mais espessos que recobrem a compreensão do longínquo tempo medieval – os séculos XIX, XVIII e XVII – a melancolia medieval se revela, na pena do filósofo Ramon Llull, como uma área científica do conhecimento de então, âmbito “interdisciplinar” em que se mesclavam a Filosofia, a Medicina, a Astronomia e a Botânica. Acreditava-se que a melancolia poderia ser controlada caso se tratasse da harmonia dos quatro elementos presentes no corpo humano responsáveis, juntamente com os planetas, pelas oscilações humorais das pessoas.

Sobre esse pano de fundo medieval, como vimos, sobrevieram, com o passar do tempo, novas camadas de pensamentos acerca do tema. Aos poucos, a melancolia passava para o terreno da Psicologia, da Literatura (o ideal do espírito melancólico poético) e, por fim, o retorno ao âmbito médico, com Freud. Em outras palavras, o tema fez um grande círculo temporal, da Medicina para o campo clínico da Psicanálise. Como fio condutor de todas as épocas, o sorumbático estado de espírito contemplativo-depressivo que a Humanidade sempre conheceu, mas nem sempre compreendeu.

O filósofo catalão-medieval viveu em si o estado melancólico, com picos depressivos dignos dos mais neuróticos pacientes do médico vienense. E, à guisa de conclusão, para não sairmos do âmbito puramente artístico-estético, concluo com o homem-sangria (imagem 5), síntese imagética da perspectiva astronômico-medieval do homem-microcosmo, jovem corpo envolto por um espesso círculo zodiacal de oito zonas circulares. Submerso, entregue, ele está dilacerado por uma miríade de influências astro-planetárias que entrecruzam os raios vermelhos dos signos zodiacais em múltiplas direções, todas rumo ao corpo humano, centro do universo, local último da melancolia, o pior dos temperamentos humorais.

Imagem 5

bloodletting_man_showing_the_influence_of_zodiac_and_planets_wellcome_l0029316.jpg

homem-sangria no centro do círculo do Zodíaco, com as influências zodiacais e dos planetas. Apocalypsis S. Johannis cum glossis et Vita S. Johannis (textos de Anatomia e extratos de Teologia moral e exempla alegóricos). Wellcome Library, London, c. 1420-1430, folio 41 recto.

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Fontes

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Notas

  • 1. DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante do tempo. História da arte e anacronismo das imagens. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2015.
  • 2. BRAUDEL, Fernand. O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II. Vol. I. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1995, p. 25.
  • 3. Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite”. VARELA, Drauzio. Doenças e sintomas: Depressão.
  • 4. LEWIS, C. S. A Imagem Descartada. Para compreender a visão medieval do mundo. São Paulo: É Realizações, 2015, p. 168.
  • 5. CARR, E. H. Vinte anos de crise. 1919-1939. Uma introdução ao estudo das relações internacionais. Brasília: Editora da UnB, 2001.
  • 6. FREUD. Luto e Melancolia. São Paulo: CosacNaif, 2012; GAY, Peter. Freud. Uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • 7. WALTHER, Ingo F. Pablo Picasso - 1881-1973. O Génio do Século. Köln: Benedikt Taschen, 1994, p. 14-27.
  • 8. POMPEY, Francisco. Picasso, su vida y sus obras. Madrid: Editora Artes Gráficas Iberoamericanas, 1973, p. 124.
  • 9. ECO, Umberto. Historia de la Belleza. Barcelona: Editorial Lumen, 2004, p. 299.
  • 10. Byron e Keats: Entreversos (trad.: Augusto de Campos). São Paulo: Editora da Unicamp, 2009, p. 155-157. O texto original encontra-se em KEATS, John. Ode on Melancholy. Poetry Foundation.
  • 11. BLOOM, Harold. Gênio. Os 100 autores mais criativos da História da Literatura. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003, p. 417-418.
  • 12. JAN BOCK, Marten. “Was Hendrick ter Brugghen a Melancholic?”. InJournal of Historians of Netherlandish Art, Volume 1, Issue 2 (Summer 2009), p. 5.
  • 13. “Logo, Símias, continuou, os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de fato se preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam à idéia da morte (...) Por conseqüência, continuou, ao vires um homem revoltar-se no instante de morrer, não será isso prova suficiente de que não se trata de um amante da sabedoria, porém amante do corpo?” – PLATÃO. Protágoras, Górgias, Fedão (trad. de Carlos Alberto Nunes). Belém: EDUFPA, 2002, p. 264.
  • 14. BURTON, Robert. A anatomia da melancolia (trad.: Guilherme Gontijo Flores). Curitiba: Editora da UFPR, 2011.
  • 15. Para o tema, ver ROBINSON, Thomas M. As origens da alma. Os gregos e o conceito de alma de Homero a Aristóteles. São Paulo: Annablume, 2010.
  • 16. HUIZINGA, Johan. O Outono da Idade Média. São Paulo: Cosac Naify, 2010, p. 50-51. Para o poeta Deschamps, ver DESCHAMPS, Eustache. Selected Poems (translated by David Curzon and Jeffrey Fiskin). New York: Routledge, 2003.
  • 17. CINTRA, Elisa Maria de Ulhôa. “Hamlet e a Melancolia”. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, IV, 4, 2001, p. 30-42.
  • 18. RAMON LLULL. Doutrina para crianças (c. 1274-1276) (trad.: Ricardo da Costa e Grupo de Pesquisas Medievais da UFES III [Felipe Dias de Souza, Revson Ost e Tatyana Nunes Lemos]). Alicante: e-Editorial IVITRA, 2010, p. 63.
  • 19. Cada vez mais há a tendência de se considerar o Renascimento italiano como um desdobramento da Idade Média, ou, em outras palavras, mais um dos vários renascimentos ocorridos no período medieval. Ver BURKE, Peter. O Renascimento Italiano. Cultura e sociedade na Itália. São Paulo: Nova Alexandria, 2010.
  • 20. Como na teoria humoral da abadessa Hildegarda de Bingen (1098-1179): “Os humores, como o leopardo, por vezes se alçam ferozmente e, no entanto, logo se tornam mais suaves. Como o caranguejo, avançam e recuam, e frequentemente mostram uma mudança; como o cervo, saltam e ferem, manifestando por vezes diversidade. Do mesmo modo, os humores, como a rapacidade do lobo e, como ele, com a qualidade do cervo e do caranguejo, como foi dito, por vezes, invadem o homem. Por vezes, também, como o leão, marcam incessantemente nele sua fortaleza; como a serpente, produzem nele ora doçura, ora aspereza; como o cordeiro, por vezes simulam mansidão, mas, como os ossos, também rosnam na ira, e às vezes manifestam com ele a qualidade do cordeiro e da serpente, como mostrado acima. Assim os humores são frequentemente alterados no homem.” – HIDEGARDA DE BINGEN. Libro de las obras divinas (trad. de María Isabel Flisfisch, María Eugenia Góngora e María José Ortúzar). Barcelona: Herder, 2009, p. 218-219 (Terceira visão da Primeira Parte).
  • 21. RAMIS DE PAREJA. “Musica Practica”. In: Armonía de las Esferas. Um libro de consulta sobre la tradición pitagórica en la Música (introd. y ed. Joscelyn Godwin). Girona: Ediciones Atalanta, 2009, p. 226-227.
  • 22. “Um dos sintomas dos caracteres humanos é a sua compleição, isto é, caráter, no sentido moderno. Mas eu acredito que a palavra ‘compleição’ jamais teve esse sentido no inglês medieval. A palavra deles para o que chamamos de compleição era rode (pele)...” – LEWIS, C. S. A Imagem Descartada. Para compreender a visão medieval do mundo, op. cit., p. 168.
  • 23. YATES, Frances A. LULIO Y BRUNO. Ensaios reunidos I. México: Fondo de Cultura Económica, 1996.
  • 24. Vevena era um medicamento líquido que se ingeria oralmente; emplastro (cataplasma), uma mistura de farinha de linho, trigo ou outros cereais ricos em fibra vegetal para explorar a qualidade de absorção da fibra. Era misturado com água quente e um composto ativo (por exemplo, mostarda). Ainda quente, a pasta era colocada em contato com a ferida e, em seguida, coberta com um pedaço de serapilheira ou outro material semelhante para bandagem da área. Por fim, um letovari era um xarope em forma de uma mescla pastosa, de pólvora e mel, e ingerido oralmente. O efeito era como um antidepressivo.
  • 25. RAMON LLULL. Doutrina para crianças (c. 1274-1276) (trad.: Ricardo da Costa e Grupo de Pesquisas Medievais da UFES III [Felipe Dias de Souza, Revson Ost e Tatyana Nunes Lemos]). Alicante: e-Editorial IVITRA, 2010, p. 63-65.
  • 26. RAMON LLULL. Nova Edició de les obres de Ramon Llull. Volum V. Començaments de Medicina. Tractat d’Astronomia (a cura de Lola Badia). Palma: Patronat Ramon Llull, 2002, p. 101 (a tradução é nossa).
  • 27. “...la natura d’home més se delita em la complexió de la sang, que de la cólera de la fleoma e de la malencolia”. RAMON LLULL. “Arbre de Ciència. De les flors de l’Arbre Vegetal”. InObres Essencials I. Barcelona: Editorial Selecta, 1957, p. 593.
  • 28. “Mas como o mundo tinha de ser sólido, e como os sólidos são ligados sempre por duas mediedades, não por uma, a divindade pôs a água e o ar entre o fogo e a terra, deixando-os, tanto quanto possível, reciprocamente proporcionais, de tal maneira que o que o fogo é para o ar, o ar fosse para a água, e o que o ar é para a água, a água fosse para a terra, com o que ligou e compôs a estrutura do céu visível e tangível. A esse modo, e com tais elementos, em número de quatro, foi formado o corpo do mundo e harmonizado pela proporção, da qual recebeu a amizade, de tal maneira que adquiriu unidade consigo mesmo, tornando-se, assim, incapaz de ser dissolvido, a não ser por seu próprio construtor. A estrutura do mundo absorveu tudo o que havia desses quatro elementos; seu autor incluiu nele todo o fogo e toda a água e todo o ar e toda a terra, sem deixar de fora nenhuma porção da força de qualquer desses elementos...”. PLATÃO. Diálogos. Timeu – Crítias – O Segundo Alcibíades – Hípias Menor (trad. direta do grego de Carlos Alberto Nunes). Belém: EDUFPA, 2001, p.68-69 (Timeu 32 b-d).
  • 29. ARISTÓTELES. Sobre a geração e a corrupção (trad. e notas de Francisco Chorão). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009.
  • 30. “...diu hom que En Saturnus é mal e de la complexió de la terra, e enaixí de les altres, car és causa çajús a multiplicar secor e fredor e la malencolia dels homens, per raó de la qual han moltes males cogitacions...”. RAMON LLULL. “Arbre de Ciència. IV. Dels rams de l’Arbre Celestial. 3. De relació”. InObres Essencials I. Barcelona: Editorial Selecta, 1957, p. 718.
  • 31. RAMON LLULL. Nova Edició de les obres de Ramon Llull. Volum V. Començaments de Medicina. Tractat d’Astronomia (a cura de Lola Badia). Palma: Patronat Ramon Llull, 2002, p. 168 (a tradução é nossa).
  • 32. JUAN I VALENTÍ. “Dues crisis en la vida de Ramón Llull”, La Nostra Tierra 7. Palma de Mallorca, 1934, p. 341-356.
  • 33. Languiment significa estado de apatiafrouxidãotristeza por insatisfação do espírito. Ver COLOM I MATEU, Miquel. Glossari General Lul.lià. Mallorca: Editorial Moll, vol. III (G-N), 1984, p. 198.
  • 34. Poemas de Ramon Llull. Desconsolo (1295) – Canto de Ramon (1300) – O Concílio (1311) (trad. Ricardo da Costa e Tatyana Nunes Lemos). Alicante: e-Editorial IVITRA Poliglota, 2010.

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