Poema II

Trad.: Ricardo da Costa e Lorenzzo Cassaro1

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Codex Manesse (c. 1305-1315), UB Heidelberg, Cod. Pal. germ. 848, fol. 71v: Herr Kristan von Hamle.

I.

Companheiros, não posso deixar de inquietar-me
com as novidades que ouvi e vi:
uma dama clamou-me contra seus guardadores.

II.
Diz que não deseja recorrer nem ao Direito, nem à Lei,
e que os três a mantém aprisionada.
Se um afrouxa o arreio, o outro aperta.

III.
Cometem eles aquelas injúrias.
Um é gentil como uma besta de carga,
e os outros causam maior ruído que a mesnada do rei.

IV.
Digo-vos, guardadores, guardai-vos!
Loucos sereis quem não me crer:
dificilmente encontrareis guarda que nunca adormeça.2

V.
Nunca vi dama tão fiel
que, caso não deseje aceitar pacto ou mercê,
não recorra com prazer a maldades a quem a tirou do bom caminho.

VI.
Se lhe rejeitais apropriado adereço,
serve-se daquele mais próximo.
Se não pode ter cavalo, compra palafrém.

VII.
Nenhum de vós pode contradizer-me a respeito:
se lhe negam vinho forte por estar doente,
bebe água antes de se deixar morrer de sede.

VIII.
Qualquer um beberia água antes de se deixar morrer de sede.

 

 

Notas

  • 1. Base da tradução: GUILLERMO DE AQUITANIA. Poesía completa (ed. de Luis Alberto de Cuenca). Renacimiento, 2007.
  • 2. A partir desse ponto, Guilherme adverte os sequestradores que em algum momento a dama lhes surpreenderá, pois as mulheres são, de algum modo, furtivas.