Século XIII


1200 — Ação repovoadora de Sancho I de Portugal em Benavente. Sancho I de Portugal atribui aos flamengos várias terras em Azambuja. Para o montante do Tejo, reforçou as posições dos templários no vale do Zezêre. Sancho I de Portugal concede carta de culto ao Santuário de Santa Senhorinha de Basto. O bispo do Porto, Martinho Rodrigues, chega a um acordo com seus cônegos sobre a distribuição das rendas da diocese e do cabido.

1201 — Sancho I de Portugal concede foral à povoação de Sesimbra. Sancho I de Portugal reforça sua soberania organizando o município de Junqueiro da Vilariça, perto de Torre de Moncorvo. Os freires da Ordem de Évora são detentores de vasto patrimônio, e o papa Inocêncio III, através da bula Religiosam vitam (17.04.1201), declara tomá-los sob sua proteção.

1202 — (?) Grande fome em Portugal. Nascimento de Henrique I de Castela, filho de Afonso VIII de Castela.

1202-1204 — Fernando Afonso, filho bastardo de Afonso I de Portugal, toma parte na quarta Cruzada, na Ordem dos hospitalários. Quarta Cruzada: tomada de Constantinopla.

1203 — Ação repovoadora de Sancho I de Portugal em Montemor-o-Novo.

1204 — Fernando Afonso, filho bastardo de Afonso I de Portugal, cavaleiro hospitalário, recebe uma doação do imperador de Constantinopla .

1204 — (Entre 1204 e 1208) Nascimento de Afonso Peres Farinha, futuro prior da Ordem do Hospital em Portugal (foi prior de Portugal duas ou três vezes, e três vezes passou ao Ultramar).

1206 — Afonso I de Portugal confia aos templários a povoação de Idanha-a-Nova.  Um documento de Braga e uma bula papal referem-se a uma grande fome.

1207 — Morte de Fernando Afonso, grão-mestre hospitalário e filho bastardo de Afonso I de Portugal. Violenta chuva de pedra em Santarém o Coruche. O papa Inocêncio III intervêm no Porto e obriga seus cônegos a cumprir o acordo de 1200.

1208 — Conflito de Sancho I de Portugal com o bispo do Porto. Rebelião dos burgueses do Porto contra o bispo (tentativa de autonomia governativa do concelho). Excomunhão de Sancho I de Portugal. Episcopado de Rodrigo Jiménez de Rada em Toledo. Participa da conquista da Andaluzia. Escreve uma história da Espanha. Assenta a primeira pedra da catedral gótica. Sancho I de Portugal reforça sua soberania organizando o município de Rebordãos. Grande tempestade marítima em Portugal, com numerosas vítimas. (?) Inimizade surgida entre Sancho I de Portugal e o cavaleiro Pedro Poiares (família de Baião). Graves questões entre Sancho I de Portugal e o bispo do Porto, D. Martinho Rodrigues da Palmeira (tido cavaleiro Pedro Poiares). Casamento do príncipe D. Afonso (filho de Sancho I de Portugal) com Urraca de Castela (filha de Afonso VIII de Castela): o bispo do Porto, Martinho Rodrigues se recusa a assistir a cerimônia, pois os noivos eram parentes.

1209 — Sancho I de Portugal concede foral a Penamacor e Pinhel. Fernando Sanchez, um nobre, doa metade da Vila Franca de Cardosa, em Castelo Branco, aos templários. O rei Sancho I de Portugal protege por carta as confrarias de pedreiros que trabalhavam nas pontes de vários locais do país. Sancho I de Portugal faz testamento (segundo): nomeia juízes pelo cumprimento o arcebispo de Braga, o abade de Alcobaça, o prior de Santa Cruz de Coimbra, o abade de Santo Tirso, o mestre dos templários, o prior do Hospital e seu meio-irmão Pedro Afonso.

1209-1229 — Cruzada contra os albigenses no sul da França.

1210 — Templários e Hospitalários detêm uma parte do tesouro régio: conflitos (mal conhecidos) no reinado de Sancho I.  Sancho I de Portugal toma providências para cessarem os abusos sobre as propriedades dos cidadãos e sobre mouros e judeus do rei. O papa Inocêncio III nomeia juízes apostólicos para averiguarem o procedimento dos cônegos do Porto na revolta da cidade. Sancho I de Portugal liberta o bispo de Coimbra. Sancho I de Portugal faz testamento (terceiro) em Coimbra - os cavaleiros da Ordem de Santiago são designados neste testamento por freires de Palmela, e ocupam novamente as terras ao sul do Tejo. Afonso VIII de Castela faz apelo a franceses, italianos, aragoneses leoneses e navarros para uma grande expedição contra os muçulmanos; obtêm do papa Inocêncio III indulgências a favor. Os reinos de Leão e Portugal não se juntam à cruzada de Afonso VIII de Castela. Partem de Portugal muitos membros das ordens militares.

1211 — Morte de Sancho I de Portugal em Santarém aos 57 anos de idade. O papa Inocêncio III, informado dos preparativos dos marroquinos no sul da Espanha, ordena que em França, Alemanha e Itália se pregasse a cruzada em favor da guerra espanhola. O papa Inocêncio III excomunga 20 burgueses do Porto, considerados os líderes da revolta na cidade. Uma bula papal acusa o chanceler Julião Pais de ocultar cartas apostólicas a respeito das questões de Coimbra (oposição da cidade e da maioria do clero à política de Afonso II de Portugal). O papa Inocêncio III nomeou o arcebispo de Santiago de Compostela juiz apostólico para a questão de Coimbra. (Fevereiro) Em bula papal, Inocêncio III censura a excessiva acumulação de bens fundiários nas mãos do clero português. Cúria de

1211: Primeira lei de desamortização, onde se proíbem os mosteiros e ordens religiosas de comprar bens fundiários, exceto para, com seus rendimentos, celebrar ofícios por alma dos reis. Afonso II de Portugal doa aos freires de Évora (Calatrava) o lugar de Avis, com a condição de o povoarem e nele edificarem um castelo.

1211-1216 — Lutas entre Afonso II de Portugal e suas duas irmãs: Gonçalo Mendes de Sousa refugia-se em Leão (era partidário das infantas na questão com o rei Afonso II de Portugal), onde obtêm o governo de Trassara e Estremadura. Os hospitalários protestam junto à cúria romana por terem sido expulsos por Afonso II de Portugal das vilas que a infanta Mafalda lhes concedera. Afonso II de Portugal manda pôr cerco a Montemor-o-Velho e Alenquer, pertencentes, respectivamente às infantas Teresa e Sancha. Pedro Sanches apodera-se de várias povoações em Trás-os-Montes com o auxílio do rei de Leão, de Pedro Fernandes de Castro e de Fernando, filho de D. Teresa e de Afonso IX. Gonçalo Mendes de Sousa auxilia os sitiados de Montemor e derrota as tropas régias, sob o comando do alferes Martim Anes da Riba de Vizela. Os hospitalários são acusados de usurparem e de favorecerem a usurpação de terras da coroa, o que Afonso II de Portugal proibiu.

1211-1223 — Reinado de Afonso II de Portugal. Início de uma vigorosa centralização estatal.

1212 — "Estudio General" de Palencia. Vitória de Afonso VIII, o Nobre, de Castela (Castela-Navarra-Aragão) frente aos almôadas na batalha de Las Navas de Tolosa. Fim do poder militar muçulmano na Península. Afonso II de Portugal, não comparecendo, envia tropas. Primeiras menções documentais a tabeliães régios — implantação do notariado (Canedo, Panóias e Santarém). Em Coimbra, acordo de trégua entre Portugal, Leão e Castela (iniciativa de Afonso VIII de Castela). Afonso IX de Leão obrigou-se a restituir a Portugal os castelos que tomou. Cruzada das crianças.

1213 — Batalha de Muret: derrota e morte de Pedro II (8o. rei) de Aragão; fim da expansão ultrapirenaica da coroa aragonesa. O papa Inocêncio III ordena aos juízes eclesiásticos que absolvam Afonso II de Portugal de excomunhão, além da multa de 50.000 cruzados (o rei recorre ao papa e é parcialmente dispensado). Afonso II de Portugal confirma o juízo régio sobre os domínios das infantas. Morte de Muhammad al-Nasir, filho de Yacub al-Mansur: enfraquecimento do império almôada. Morte do 4o. sultão almôada, Mohammed ibn Yacoub.

1213-1223 — Sultanato (5o.) almôada de Abou Yaoub.

1213-1276 — Reinado de Jaime I, o Conquistador, de Aragão (filho de Pedro II de Aragão).

1214 — Afonso II de Portugal doa o restante da herdade da Vila Franca de Cardosa, em Castelo Branco (vasta zona da Beira Baixa). O mestre do Templo em Portugal, Pedro Auvito, dá o foral a Castelo Branco. Batalha de Bouvines: a coligação anti-francesa é derrotada pelo rei Felipe Augusto. O infante D. Fernando, agora conde de Flandres, é aprisionado pelo rei francês. Sancho I de Portugal oferece uma cruz de ouro ao mosteiro de Santa Cruz de Alcobaça (ano da Encarnação). (Julho) Afonso II de Portugal redige seu primeiro testamento — primeiros documentos redigidos em português. São feitas treze cópias para enviar aos arcebispos de Braga, Santiago e Toledo, aos bispos do Porto, Lisboa, Coimbra, Évora e Viseu, aos mestres do Templo e do Hospital, ao abade de Alcobaça e ao prior de Santa Cruz. Em Guimarães, os mais antigos instrumentos tabeliônicos conservados. Morte de Afonso VIII, 2o. rei de Castela.

1214-1217 — Reinado (3o.) de Henrique I de Castela, filho de Afonso VIII de Castela.

1215 — Criação da universidade de Salamanca. São Domingos funda a ordem dominicana. IV Concílio de Latrão: prescrição de insígnia distintiva para os judeus e sarracenos vivendo em terras cristãs. O bispo Sueiro de Lisboa, presente, pede autorização para reter os cruzados que eventualmente passassem nas costas espanholas e levá-los à guerra contra os mouros. Morte de Julião Pais, chanceler português. Sucedeu-lhe Gonçalo Mendes, que conservou o cargo até 1228. Aproximação entre Portugal e Castela, através de proposta de casamento entre Henrique I (que tinha 12 anos de idade), herdeiro de Afonso VIII, e Mafalda, irmã de Afonso II de Portugal — o matrimônio foi cancelado pelo papa. Já é dado o nome de Avis à Ordem de Évora (Calatrava).

1215-1250 — Frederico II, rei alemão.

1216 — Grandes intempéries em Évora, Santarém e Coruche. A partir desta data, Gonçalo Mendes e Pêro Anes da Nóvoa, auxiliares da autoridade régia e inimigos dos poderes senhoriais, dominam a política régia. Bula papal que assegura ao bispo de Évora a jurisdição sobre todo o território povoado por cristãos entre os limites de sua diocese e os infiéis: a reconquista vai avançando em direção ao Baixo Alentejo, talvez por iniciativa das ordens militares.

1216-1227 — Papado de Honório III, romano.

1216-1272 — Henrique III, rei da Inglaterra.

1217 — Ocupação de Alcácer do Sal por Afonso II de Portugal. Os cavaleiros de santiago, templários e hospitalários participam da conquista (segundo Erdmann, a primeira cruzada portuguesa). Reforço de Pedro Auvites, mestre dos templários de toda a Hispânia. Alcácer do Sal é entregue aos cavaleiros de Santiago (espatários ou freires de Palmela). Morte de Henrique I, 3o. rei de Castela. Reinado (4o.) e renúncia de Berenguela de Castela, mãe de Fernando III. A coroa passa a Fernando (III), o Santo, filho de Afonso IX de Leão. Afonso II de Portugal passa a ir repetidas vezes a Santarém — talvez com o objetivo de tentar curar sua lepra com médicos experientes na tradição árabe. (Novembro) Elaboração do primeiro registro oficial dos diplomas régios. Doação de Aramenha ao mosteiro de Alcobaça: construção do castelo de Marvão.

1217-1252 — Reinado (5o.) de Fernando III, o Santo, de Castela.

1218 — Nascem as cortes de Catalunha. Grandes intempéries em Évora, Santarém e Coruche. (Janeiro) Afonso II de Portugal redige seu segundo testamento. (Abril) Afonso II de Portugal, a conselho dos juristas auxiliares do chanceler Gonçalo Mendes, oferece os dízimos dos direitos régios a todas as dioceses do reino e a algumas ordens religiosas. Afonso II de Portugal recorre novamente ao papa após a renovação do processo de excomunhão movida pelo bispo de Lugo. (Maio) Teresa, ex-mulher de Afonso IX de Leão, é julgada na cúria romana, a respeito de seus direitos senhoriais. João Fernandes da Límia, antigo dapífero de Sancho I de Portugal, regressa à corte, após seu casamento com a antiga barregã de Sancho I, Maria Pais, a Ribeirinha. O mestre da Ordem do Templo doou a Pelágio Farpado e a todos os seus descendentes o lugar de Ceiceira, com a condição de ali fundar uma albergaria "para nela servir a Deus, recolhendo e hospedando a todos os passageiros, fossem pobres ou ricos".

1218-1219 — Cruzadas em Castela, com a participação de tropas portuguesas.

1218-1238 — Gonçalo Anes, irmão de Pêro Anes da Nóvoa (mordomo-mor), grão-mestre da ordem de Calatrava.

1219 — Beatriz de Suábia tenta destronar Fernando III de Leão e Castela. Afonso II de Portugal vai a Santiago de Compostela. Os Sousas voltam à corte portuguesa, juntando-se a Garcia Mendes e a Rodrigo. Desligavam-se, assim, de Afonso IX de Leão. (Março ou abril) Afonso IX de Leão volta a atacar Portugal, conquistando Chaves. (Junho) Tratado de Baronal: Afonso II de Portugal vai a Santiago de Compostela e faz as pazes com Afonso IX de Leão.

1220 — Cinco franciscanos são martirizados no Marrocos — Em Coimbra será construída uma arca tumular para suas relíquias (no século XIV). Primeiras inquirições gerais em Portugal: inovação muito precoce no contexto da centralização régia européia. (aprox.) Franciscanos e dominicanos estabelecem seus  primeiros conventos na Península. Construção da Torre de Ouro em Sevilha. O papa Honório III concede indulgência aos cavaleiros de Évora. (Dezembro) Bula papal que menciona o chanceler de Portugal, Gonçalo Mendes e o mordomo Pêro Anes da Nóvoa como personagens que conduziam o rei à impiedade. Questões entre Afonso II de Portugal e Estêvão Soares da Silva, arcebispo de Braga: este o excomunga, juntamente com o mordomo-mor e o chanceler. Gil Vasques de Soverosa, mordomo-mor, é o principal executor das medidas tomadas contra o arcebispo de Braga. Depredações de oficiais régios sobre o couto de Ervededo: seu governador, Martim Sanches, bastardo régio português a serviço do rei de Leão, pega em armas com gente de Toronho e Límia e se dirige à Ponte de Lima, onde se encontra Afonso II de Portugal. Mendo Gonçalves de Souza, João Pires da Maia e Gil Vasques de Soverosa defendem o rei e são derrotados. Os portugueses se retiram para Braga e Guimarães e os galegos devastam a região. (Dezembro) O papa Honório III encarrega os bispos de Palença, Astorga e Tui de confirmar a sentença de excomunhão contra Afonso II de Portugal.

1221 — A partir de então, Afonso II de Portugal não voltou a sair de Santarém. Redige em novembro seu segundo testamento. Nascimento de Afonso (X), primogênito de Fernando III de Leão e Castela e Beatriz da Suábia.

1221-1254 — Começa a construção das catedrais de Burgos (lançamento da primeira pedra por Fernando III de Castela e Leão), Toledo (1226) e Leão.

1222 — Consagração do mosteiro de Alcobaça. (Junho) Bula papal que suspende de suas funções clericais os juristas auxiliares do chanceler Gonçalo Mendes por serem considerados instigadores da política de Afonso II (mestre Vicente, deão de Lisboa, mestre Julião, deão de Coimbra e filho de Julião Pais, e mestre Pedro, chantre do Porto). Parte do clero que apóia Afonso II de Portugal é suspensa em bula papal (16.06): o papa Honório III renova a ameaça de expor o reino de Portugal à conquista de outros soberanos e de absolver seus vassalos do juramento de fidelidade. Mestre Vicente, deão de Lisboa, começa a negociar um acordo prévio com a Santa Sé, interrompido com a morte do rei em 1223. O papa Honório III reitera ameaça feita em 1220 de invasão de Portugal por outros reis.

1223 — Morte de Afonso II de Portugal (excomungado). Nos últimos documentos que promulgou já não podia desenhar o sinal de seu punho, devido à lepra. (Junho) Sancho II de Portugal, aos treze anos, faz duas concórdias com suas tias, em Coimbra. As infantas recebem Torres Vedras, Alenquer, Montemor e Esgueira. Estêvão Soares da Silva recebe 6.000 maravedis de indenização (o restante seria calculado posteriormente). (Setembro) Martim Anes, mordomo-mor da corte portuguesa. Morte do 5o. sultão almôada, Abou Yacoub.

1223-1225 — Sultanato (6o.) almôada de Abou Malik.

1223-1226 — Luís VIII, rei de França.

1223-1248 — Reinado de Sancho II de Portugal. Fortalecimento dos franciscanos em Portugal: no início do reinado de Sancho II já possuíam conventos em Guimarães, Coimbra, Lisboa e Alenquer, fundando nos anos seguintes outros em Évora, Leiria, Porto, Guarda, Covilhã, Estremoz e Santarém.

1224 — Fim do domínio almôada em al-Andaluz: início dos terceiros reinos de taifas. (Abril) Henrique Mendes de Sousa, mordomo-mor português. Martim Anes de Riba de Vizela, alferes-mor português. (Outubro) Mestre Vicente recebe grandes elogios do papa. (Dezembro) Gonçalo Mendes (irmão de Henrique Mendes), mordomo-mor português. João Fernandes de Límia, alferes-mor português. Fernando III de Leão e Castela inicia uma vigorosa luta contra os muçulmanos. Sancho II de Portugal faz grandes concessões ao bispo de Évora.

1225 — (Junho) João Fernandes de Límia, mordomo-mor português. Morte do 6o. sultão almôada, Abou Malik. Nascimento de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela, filho de Fernando III, o Santo, de Castela.

1225-1238 — Sultanato (7o.) almôada de Mamoun.

1226 — O rei da Inglaterra Henrique III (1216-1272) passa 100 autorizações de comércio a mercadores portugueses. Regência de Branca de Castela. O arcebispo de Braga, Estêvão, que antes tomara parte ativa na conquista de Elvas, obtêm do papa a faculdade de absolver os guerreiros que lutavam contra os mouros. O infante português D. Fernando, conde de Flandres, é libertado do cativeiro de Filipe Augusto mediante pagamento de pesado resgate oferecido por sua mulher. (Julho) Abril Pires de Lumiares, mordomo-mor português. Martim Anes de Riba de Vizela, alferes-mor português.

1226-1270 — Luís IX (Santo), rei de França.

1226-1283 — Os cavaleiros teutônicos conquistam a Prússia.

1226-1238 — Sancho II de Portugal, auxiliado pelas ordens militares (Santiago, Calatrava, Hospitalários), conquista o Alentejo.

1227 — Um documento de Lisboa revela que seus juízes são impedidos de resolverem queixas apresentadas pelos pobres. Tomada de Cáceres e Badajoz pelas tropas leonesas (Afonso IX). O legado papal João de Abbeville consagra a Igreja de Santa Cruz de Coimbra. Uma bula acusa Sancho II de Portugal de intervir abusivamente no Porto. Aos 32 anos, Santo Antônio prega em Roma para o papa Gregório IX.

1227-1241 — Papado de Gregório IX, de Anagni.

1228 — Concílio de Valladolid: proibição aos judeus de Castela de usar capas semelhantes aos clérigos. O infante português Pedro Sanchez conquista Mérida, a serviço de Afonso IX de Leão, além de repelir Ibn Hud, xeque de Sevilha.

1228-1229 — O legado papal João Halgrin de Abbeville exorta os soberanos da Península a recomeçarem a cruzada. Quinta Cruzada, Frederico II obtêm a restituição de Jerusalém através de negociações.

1228-1231 — Pêro Anes da Nóvoa, antigo mordomo de Afonso II de Portugal, novamente mordomo-mor português.

1229 — Reunião das Cortes em Coimbra. (13/03) Morte da infanta D. Sancha, irmã de D. Mafalda, ambas filhas de Sancho I de Portugal. Feira de Castelo Mendo já diferenciada do mercado local. Início da ocupação cristã das ilhas Baleares (Jaime I, o Conquistador, de Aragão). D. Sancho II de Portugal conquista Elvas (dando-lhe foral) e Juromenha.

1230 — Os conflitos entre Portugal e Leão terminam. (?) Conquista de Badajoz pelos leoneses (Afonso IX). (Setembro) Morte de Afonso IX de Leão: seu sucessor, Fernando III unifica Leão e Castela e faz da cruzada seu principal objetivo.

1231 — Tratado do Sabugal: acordo entre Sancho II de Portugal e Fernando III de Leão e Castela: a cidade de Chaves, tomada em 1219, é restituída a Portugal. Fernando III de Leão e Castela percorre o reino de Leão e Galiza para desencorajar qualquer ato de rebeldia. O legado papal João de Abbeville obtêm do papa Gregório IX violentas bulas contra o rei Sancho II de Portugal. (13/06) Morte de Santo Antônio. (Dezembro) Portugal sofre o interdito papal.

1232 — Canonização de Santo Antônio de Lisboa. Afonso Peres Farinha, prior do Hospital conquista Serpa., Moura (indo aí residir), (?) Arouche e Aracena. Início da dinastia násrida em Granada, que durará até 1492. Início da construção de Alhambra de Granada. (Março) Com o objetivo de repovoamento, Sancho II de Portugal doa o território chamado Ocrate (Crato) para a Ordem do Hospital. (?) Tomada portuguesa de Beja. O papa Gregório IX proíbe qualquer eclesiástico de excomungar Sancho II de Portugal enquanto permanecesse em combate contra os sarracenos. Morte do legado papal e bispo João de Abbeville. Início de disputas violentas pelo cargo de bispo. (01/06) Bula Cum dicat dominus — canonização de Santo Antônio.

1232-1234 — Cruzada contra os camponeses do norte da Alemanha.

1233 — (Junho) O papa Gregório IX encarrega o franciscano frei Tiago de absolver Sancho II de Portugal de excomunhão por violência contra clérigos enquanto estivesse em expedição militar. As tropas castelhanas conquistam Úbeda. O bispo Martinho Rodrigues obtêm em Roma várias bulas que acusavam Sancho II de Portugal de não respeitar a jurisdição temporal do bispo sobre a cidade do Porto.

1234 — A Ordem de Santiago conquista Aljustrel (Paio Peres Correia). Navarra cai em órbita política da França. O papa Gregório IX induz Sancho II de Portugal a participar da Cruzada à Terra Santa. Em outubro, concede as indulgências de cruzada a quem ajudasse Sancho II de Portugal na guerra contra os mouros e na ocupação das cidades por ele adquiridas. Sancho II de Portugal consegue, junto ao papa, indulgências para seu exército. (?) Revolta de Álvaro Pires de Castro contra Fernando III de Castela e Leão. (Fevereiro a Agosto) Uma série de bulas dão a entender que vários párocos do Porto se recusavam a pagar certos direitos exigidos pelo bispo. Morte de Sancho VI, o Forte, 11o. rei de Navarra.

1234-1238 — Sancho II de Portugal, auxiliado pelas ordens militares (Santiago, Calatrava, Hospitalários) conquista o Algarve oriental.

1234-1253 — Reinado (12o.) de Teobaldo I, de Navarra.

1235 — Fernando III de Castela e Leão conquista Córdova. (Setembro) O novo bispo do Porto, Pedro Salvadores, obtêm do papa Gregório IX a faculdade de absolver da excomunhão os oficiais régios que vexavam a sua diocese. Os cavaleiros da Ordem de Santiago (espatários ou freires de Palmela) recebem de Sancho II de Portugal a terra de Aljustrel, que ajudaram a conquistar.

1235-1260 — Gonzalo de Berceo produz sua obra literária.

1236 — Os castelhanos (Fernando III de Castela e Leão) reconquistam Córdova. O infante D. Pedro, já alheio à sua pátria, vai ao Oriente lutar contra os muçulmanos. As tropas castelhanas conquistam Córdova. Mestre Vicente de Lisboa entrega o cargo de chanceler do reino a Durando Froilaz, dedicando-se ao governo da diocese de Braga. Os cavaleiros da Ordem de Santiago (espatários ou freires de Palmela) recebem de Sancho II de Portugal a terra de Sesimbra, que ajudaram a conquistar.

1237 — Jaime I, o Conquistador, de Aragão, toma Valência. Capítulo Geral dos dominicanos em Burgos. Tibúrcio (bispo de Coimbra) e Vicente (diocese da Guarda) vão a Roma tratar dos limites de suas dioceses.

1237-1238 — Começa a construção do Alhambra de Granada.

1238 — Conquista portuguesa de Mértola por Paio Peres Correia e a Ordem de Santiago — passo decisivo para o domínio definitivo do Alentejo e do Algarve por Sancho II de Portugal. Conquista portuguesa de Alfajar de Pena. Criação do reino nazarí de Granada. Casamento de Afonso (irmão de Sancho II de Portugal) com Matilde, condessa de Bologne-sur-Mer. Tomada de Valência por Jaime I, o Conquistador, de Aragão. (Maio) Acordo entre Sancho II de Portugal e o bispo do Porto e o arcebispo de Braga. Morte do 7o. sultão almôada, Mamoun.

1238-1273 — Reinado (1o.) de Maomé I, de Granada.

1239 — A Ordem de Santiago recebe de Sancho II de Portugal Alfajar de Pena e Mértola (para onde passou o convento da Ordem, até 1284), que ajudaram a conquistar. O papa Gregório IX concede 12 bulas ao infante Fernando de Serpa (irmão mais novo de Sancho II de Portugal) para suas expedições cruzadas. (?) Mécia Lopes de Haro enviuva de Álvaro Pires de Castro, ex-revoltoso de Fernando III de Castela e Leão; casa-se com Sancho II de Portugal.

1240 — (?) Sancho II de Portugal conquista Mértola, Aiamonte, Alvor. A Ordem de Santiago conquista Cacela (Paio Peres Correia) e Aiamonte.

1241 — (Fevereiro) Sancho II de Portugal consegue novamente, junto ao papa, indulgências para seu exército. (?) A Ordem de Santiago conquista Paderne (Paio Peres Correia). Paio Peres Correia, prior da Ordem de Santiago em Castela. Papado de Celestino IV, milanês.

1241-1242 — Revolta de Diogo Lopes de Haro, irmão de Mécia Lopes de Haro (esposa do rei Sancho II de Portugal), contra Fernando III de Castela e Leão.

1241-1243 — Sede pontifical vacante.

1242 — (17.06) Em Paris, primeira destruição oficial da literatura rabínica (talmude) pela Igreja católica. (Julho) O infante português (conde) Afonso de Bolonha participa da batalha de Saintes, como vassalo de Luís IX de França, contra Henrique III de Inglaterra. Torna-se seu protegido.

1242-1246 — Castela toma Múrcia, Arjona e Jaén.

1243 — Sancho II de Portugal ataca os bispos de Braga, Coimbra e Porto que conseguem com o papa Inocêncio IV sua deposição em 1245. O reino de Múrcia rende-se pacificamente ao infante D. Afonso de Castela (futuro rei Afonso X) — auxiliado pela Ordem de Santiago (Paio Peres Correia). O infante Fernando de Serpa (irmão mais novo de Sancho II) volta a Portugal como governador da Beira Oriental. O infante português Afonso de Bolonha faz a peregrinação a Santiago de Compostela.

1243-1254 — Papado de Inocêncio IV, genovês.

1244 — (09.01) A Ordem de Santiago conquista Tavira. Tratado de Almizra entre Jaime I, o Conquistador, de Aragão e Afonso, futuro rei de Portugal. D. Afonso de Castela (futuro Afonso X) conquista Lorca e Mula com o auxílio da Ordem de Santiago (Paio Peres Correia). É nomeado bispo o galego Aires Vasques, dando fim às disputas do cargo desde a morte de João de Abbeville (1232). O infante português Afonso de Bolonha retorna de Santiago de Compostela e se encontra com Luís IX de França e sua mãe Branca de Castela em Limoges.

1245 — Afonso, conde de Bolonha e irmão de Sancho II de Portugal, recebe do papa Inocêncio IV convite para uma cruzada. (04.02) O papa Inocêncio IV manda Sancho II de Portugal separar-se de Mécia Lopes de Haro, por ter se casado sem dispensa de consagüinidade (a acusação partiu de Afonso de Bolonha). (Março) Bula Inter alia desiderabilia dirigida aos barões, concelhos, bispos e clero (franciscanos e dominicanos) e principalmente às ordens militares: responsabiliza Sancho II de Portugal pela situação do reino (lutas entre a nobreza e contra os bispos). Fim da reconquista aragonesa. (Junho) 1o. Concílio de Lião: os bispos portugueses são convocados para prestar contas do reinado de Sancho II de Portugal, considerado negligente. (24.07) Bula Grandi non immerito: deposição de Sancho II de Portugal; seu irmão, Afonso, conde de Boulogne-sur-Mer, é o escolhido para governar o reino: guerra civil. Afonso (X, o Sábio), primogênito de Fernando III de Leão e Castela apóia Sancho II. (Agosto?) Abril Pires de Lumiares e Rodrigo Sanches (tio de Sancho II) ataca o rei em Gaia: as tropas do rei vencem e ambos morrem na batalha. (Setembro) Afonso de Bolonha, em Paris, jura respeitar as liberdades da Igreja. Chega em Lisboa no final do ano, em plena guerra civil. O papa Inocêncio IV confirma as doações feitas à Ordem de Santiago em Portugal — entre elas menciona a vila de Tavira, os castelos de Mértola e Cacela, a vila de Sesimbra, o padroado das igrejas de Alcácer, Palmela e Alhambra e algumas terras de Santarém.

1246 — Fernando III de Castela e Leão conquista Jaén com a ajuda da Ordem de Santiago (Paio Peres Correia). Sancho II permanece em Coimbra (seu ponto de apoio). Os concelhos do Centro e sul e os castelos de Santarém, Alenquer, Torres Novas e Alcobaça apóiam Afonso de Bolonha (futuro Afonso III). A rainha Mécia Lopes de Haro é raptada por Raimundo Viegas de Portocarrero, o Torres e levada para o castelo de Ourém. Violentos combates entre Coimbra e Leiria.

1247 — (Janeiro) Afonso, conde de Bolonha, é derrotado em Leiria: centenas de mortos. (Fevereiro) Franciscanos e dominicanos da Guarda informam as determinações pontifícias aos partidários do rei. Nascem as cortes de Aragão. Paio Peres Correia, prior da Ordem de Santiago, acompanha o infante Afonso de Molina na conquista de Aljarafe e nas campanhas contra o rei de Niebla.

1247-1267 — Governo de Egas Fafes na diocese de Coimbra.

1248 — (Janeiro) Morte de Sancho II de Portugal em Toledo, sem filhos. Os castelhanos (Fernando III de Castela e Leão) reconquistam Sevilha com o auxílio de Paio Peres Correia, prior da Ordem de Santiago. Acordo entre o bispo de Évora e a Ordem do Hospital sobre os direitos eclesiásticos de Moura e Serpa.

1248-1254 — Sexta Cruzada. São Luís IX tenta reconquistar a Terra Santa a partir do Egito.

1248-1279 — Reinado de Afonso III de Portugal.

1249 — Conquista portuguesa de Faro e do resto do Algarve - que estavam nas mãos dos mouros — por Afonso III de Portugal (e a Ordem de Santiago): fim da reconquista portuguesa. Afonso III de Portugal concede o Algarve à Ordem de Avis.

1250 — (01.03) Afonso III de Portugal doa o castelo de Albufeira à ordem de Avis, na pessoa de seu mestre, D. Martinho Fernandes. (Fevereiro) Afonso III de Portugal, em Santa Maria de Faro, doa o castelo de Porches a seu chanceler, D. Estêvão. Afonso III de Portugal reúne as Cortes em Guimarães: os bispos ainda se queixam de banditismo em Portugal. Fome e carestia em Portugal. (17.06) Morte da infanta D. Teresa, filha de Sancho I de Portugal, no mosteiro de Lorvão. (04.08) Afonso III de Portugal doa a seu chanceler D. Estêvão os bens outrora pertencidos ao mouro Aboaale e sua mulher, Zaporona, em Santa Maria de Faro. (Outubro) Bula do papa Inocêncio IV a respeito da questão do Algarve (Niebla) entre Afonso III de Portugal e Afonso (X, o Sábio) primogênito de Fernando III de Leão e Castela.

1250-1254 — Conrado IV, rei alemão (interregno 1256-1273).

1250-1258 — Viagens constantes de Afonso III de Portugal ao norte do Douro, afim de estancar a apropriação de direitos régios por fidalgos, bispos, ordens monásticas e sobretudo por ordens militares.

1251 — (Janeiro) Em Portugal lei geral que prevê severas penas contra malfeitores que invadissem as casas dos fidalgos, cortassem vinhas ou roubassem gado. Privilégios de Fernando III, de Leão e Castela à colônia genovesa de Sevilha. Em Toledo, tradução de Kalila e Dimna. A Ordem do Hospital faz um empréstimo de 14.000 maravedis ao Bispo de Coimbra: isso mostra sua capacidade financeira e acumulação de espécies em dinheiro. Conquista de Aroche e Aracena (em Niebla) por Afonso III de Portugal: protestos de Afonso (X, o Sábio), primogênito de Fernando III de Leão e Castela.

1252 — (Maio) Morte de Fernando III, o Santo, 5o. rei de Castela, em Sevilha. (Outubro) Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela, reúne cortes em Sevilha. Pede ao papa a restauração do bispado de Silves. (?) Crise agrícola em Portugal. (? — ou 1256) Morte de D. Mafalda, filha de Sancho I de Portugal. Sepultada no mosteiro de Arouca.

1252-1253 — Conflitos de Afonso III de Portugal com as classes privilegiadas: com o bispo do Porto e com o mestre dos Templários (o rei teria se apoderado dos tesouros da ordem ou exigido algum empréstimo forçado).

1252-1284 — Reinado (6o.) de Afonso X, o Sábio, rei de Leão e Castela, filho de Fernando III, o Santo, de Castela.

1253 — Reunião da Cúria plena ou extraordinária (que incluiu representantes dos concelhos) em Leiria. (?) Em Portugal, lei que proíbe a exportação de cereais. O papa exorta os dois reis (Afonso III de Portugal e Afonso X de Leão e Castela) a resolverem pacificamente a questão do Algarve. (Maio) Casamento de Afonso III de Portugal e D. Beatriz (filha bastarda de Afonso X de Leão e Castela e Maria Guilhén de Gusmão). Afonso III era casado também com D. Matilde de Bolonha. Morte de Teobaldo I, 12o. rei de Navarra. (20.08) Afonso X de Leão e Castela doa a aldeia de Lagos (território português) a D. Frei Roberto. (26.12) Lei da Almoçataria: tabelamento de preços em Portugal; repressão a uma alta de preços.

1253-1258 — Promulgação de grande quantidade de forais e aforamentos em Portugal.

1253-1270 — Reinado (13o.) de Teobaldo II, de Navarra.

1254 — (22.01) Afonso III de Portugal protesta na Sé de Lisboa contra atos unilaterais de Afonso X de Leão e Castela — principalmente a nomeação de um bispo (D. Frei Roberto) para um território nacional (ver 20.08.1353). (Fevereiro e Março) Cortes de Leiria (tidas como as primeiras do reino): decisão de proibir a exportação de metais preciosos, panos, couros e mel. O mosteiro de S. Cucufate é colocado sob a obediência de S. Vicente de Lisboa pelo concelho da cidade de Beja. Conflito de Afonso III de Portugal com o bispo de Coimbra. (Agosto) O papa censura Afonso III de Portugal em bula. O alcaide de Lisboa consegue a nomeação do seu capelão Mateus Martins para o bispado de Viseu.

1254-1261 — Papado de Alexandre IV, de Anagni.

1255 — (20.02) Na Cúria reunida em Santarém, Afonso III de Portugal, com o consentimento de sua esposa, D. Beatriz, doa o castelo de Cacela e o de Aiamonte para o mestre da ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia. (22.02) Afonso III de Portugal confirma o castelo de Sesimbra à ordem de Santiago. (24.02) Afonso III de Portugal confirma à ordem de Santiago, nas pessoas do mestre D. Paio Peres Correia e do comendador, os castelos, outrora doados por Sancho I e confirmados por Afonso II, de Alcácer do Sal, Palmela, Almada e Arruda. Fuero Real, redigido por inspiração de Afonso X de Leão e Castela. (Março) Afonso III de Portugal jura perante o bispo de Évora que não procederá à quebra da moeda e à cobrança do imposto do "monetágio". Envia cópias do documento aos mestres das ordens militares, mais ligados a uma economia monetária. (Maio) A condessa Matilde de Bolonha, esposa de Afonso III de Portugal, protesta na cúria romana pela bigamia do rei. Afonso III é convocado para ser julgado. Foral de Vila Nova de Gaia concedido por Afonso III de Portugal, para incrementar seu comércio internacional.

1255-1262 — Anos de colheita ruim em Castela.

1256 — Início da redação da obra jurídica Las Siete Partidas. (Julho) A questão da bigamia de Afonso III de Portugal: o papa ordena a Afonso III que se separe da condessa Matilde de Bolonha e lhe restitua o dote.

1256-1257 — Viagens constantes de Afonso III de Portugal à Beira para estancar a apropriação de direitos régios por parte de fidalgos, bispos, ordens monásticas e sobretudo por ordens militares. Afonso III de Portugal interfere nas questões entre o bispo de Coimbra e o Mosteiro de Santa Cruz, além das violências físicas praticadas em Lisboa contra o bispo Aires Vasques (morto em 1258).

1257 — Constituição da universidade dos prohomes de la ribera, em Barcelona. Eleição de Afonso X de Leão e Castela e de Ricardo de Cornualha para o Sacro Império.

1258 — Novas inquirições em Portugal: cinco alçadas que colhem informações nos locais por onde passam. Imenso e minucioso inquérito, um dos mais impressionantes monumentos da documentação medieval portuguesa. (Abril) A questão da bigamia: bula papal acusando Afonso III de adultério e incesto, ordenando a restituição do dote da condessa Matilde de Bolonha. Morte da condessa Matilde de Bolonha. Afonso III de Portugal promulga um Regimento da Casa Real, com o intuito de moderar as despesas e definir as responsabilidades dos membros da corte (parcialmente reformulado em 1261). Morte do bispo de Lisboa, Aires Vasques, assassinado. O alcaide de Lisboa apresenta Pedro Anes como bispo de Lamego. Nascimento de Sancho IV de Castela, filho de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela. (?) Início da construção do mosteiro do Marmelal, dos cavaleiros hospitalários (tendo como prior Afonso Peres Farinha). Reclamações dos bispos portugueses entregues ao papa (a 39a. rezava que o monarca português empregava judeus em cargos oficiais).

1258-1262 — Afonso III de Portugal concede cartas de privilégios a várias feiras, para isentar de impostos os seus freqüentadores, estimulando o comércio interno.

1259 — D. Beatriz, esposa de Afonso III de Portugal, dá a luz a D. Branca. (Abril) Afonso III de Portugal protege e funda o convento das clarissas em Santarém, autorizado pelo papa Alexandre IV — o convento é considerado um dos primeiros exemplos de igreja gótica portuguesa. (Setembro) Afonso III de Portugal doa a seu chanceler D. Estêvão o couto de Alvito, no Alentejo.

1260 — O papa Alexandre IV induz Afonso III de Portugal a participar da Cruzada à Terra Santa. O alcaide de Lisboa influencia a eleição de Vicente Mendes no Porto. (?) Construção de uma sinagoga em Lisboa, por parte de José Ibn Jachia, pai de Salomão Ibn Jachia (autor de um comentário do Talmude hoje desaparecido).

1261 — (Janeiro a Março) Afonso III de Portugal, em Guimarães, promulga uma lei geral que regulamenta os direitos que os padroeiros podiam exigir das suas igrejas e mosteiros (política de repressão dos abusos senhoriais). Afonso III de Portugal promulga uma solene proibição dos abusos das ordens militares quanto à cobrança do direito de montado, que prejudicava os criadores de gado não pertencentes a tais corporações. Cobra, ainda, um imposto geral proporcional aos rendimentos dos contribuintes, excetuando, os bispos, chefes das ordens militares, cavaleiros e cônegos. Em Portugal, importante atividade legisladora. Nascimento de Dinis, primeiro filho varão de Afonso III de Portugal e D. Beatriz. O Regimento da Casa real promulgado por Afonso III de Portugal em 1258 é parcialmente reformulado. (Abril) Cortes de Coimbra: (?) criação do cargo de meirinho-mor, encarregado de vigiar e coordenar as intervenções dos meirinhos regionais. Nomeado Nuno Martins de Chacim (meirinho regional Entre Douro e Minho).

1261-1264 — Papado de Urbano IV, de Troyes.

1262 — (Fevereiro) Supressão do reino de Niebla pela conquista da cidade a Ibn Mahfut por Afonso X de Leão e Castela. (01.04) Doação do castelo de Ulgoso a Rodrigo Paes, mestre do Hospital, e à sua ordem. Confirmam: D. Henrique Mendes, mordomo-mor, D. Martinho de Sousa (Annes?), alferes del rei, D. Gonçalo Mendes, D. Poncio Affonso, Pedro Peres, D. Jo, Fernandes. Todos os prelados. Feita em Lisboa e incluída em sentença de 1742 (G. 6, M. único no. 32, no Arq. Nac.). (Maio) Os bispos portugueses escrevem ao papa pedindo a legitimação do casamento de Afonso III de Portugal com D. Beatriz e os filhos já dela  nascidos (o pedido é apoiado por Luís IX de França, Teobaldo, rei de Navarra, Carlos, conde de Anjou e Provença, e vários senhores portugueses). O prior do Hospital, D. Afonso Pires dá o primeiro foral a Tolosa.

1263 — Desvalorização da moeda em Portugal. (Abril) É nomeada uma comissão para solucionar as divergências da questão do Algarve entre Portugal e Castela. (Junho) Acordo entre Portugal e Castela para o Algarve: discussão sobre a legitimidade das concessões de terras algarvias às ordens militares feitas por ambos os soberanos. (Junho) Concessão papal para o casamento de Afonso III de Portugal e D. Beatriz.

1263-1266 — Sublevação mudéjar e contra-ofensiva cristã no baixo Guadalquivir e antigo reino de Múrcia: Afonso X de Leão e Castela é obrigado a reunir um grande exército para recuperar várias praças.

1264 — (Setembro) Afonso X de Leão e Castela cede a Afonso III de Portugal as regalias sobre o Algarve que tinha conseguido no acordo de 1263. Afonso III aproveita a ocasião para exigir um empréstimo forçado dos concelhos. Em Portugal, lei que proíbe a mudança de estatuto de terras foreiras, rengueiras e de cavalaria (para o rei não perder os respectivos foros quando fossem adquiridas por privilegiados). Incompatibilizado com Afonso III de Portugal, Gil Martins de Riba de Vizela deixa de ser mordomo-mor português (abandonou o país para se fixar na corte do rei de Castela), passando o cargo para D. João de Aboim (fiel cortesão de categoria inferior) — Afonso III de Portugal apóia-se também nos seus bastardos, casando-os com as melhores herdeiras do reino. Neste ano, sede pontifical vacante. Neste ano é concluída a construção do mosteiro do Marmelal, pertencente à Ordem do Hospital (e tendo como prior Afonso Peres Farinha).

1265 — Cortes de Egea: se delineia a figura de Justiça de Aragão. Tomada de Múrcia por Jaime I, o Conquistador, de Aragão. O papa dá uma concessão a Afonso X de Leão e Castela para financiar a cruzada: a décima parte dos rendimentos eclesiásticos de Castela e Portugal. Em Portugal, lei que regulamenta o pagamento das anúduvas, ou prestações em trabalho para a reparação de muralhas e castelos. Afonso III de Portugal dota o tribunal régio de um corpo de magistrados.

1265-1268 — Papado de Clemente IV, francês.

1266 — O alcaide de Lisboa consegue eleger para Évora o capelão da rainha, Durando Pais. Em Portugal, lei que procura reprimir a usura. Em Santarém, um caso referente a profanação de hóstia por um judeu. Afonso III de Portugal promulga então uma lei considerada imparcial em relação a tais casos.

1266-1267 — Em Portugal, criação de um corpo de leis processuais que regula os mecanismos de justiça.

1267 — Assinalam-se mercadores portugueses na feira de Lille. (16.02) Tratado de Badajoz, demarcando a fronteira entre Portugal e Castela: o rio Guadiana a partir da foz do Caia para o sul. Legitima definitivamente a integração do Algarve a Portugal (é reconhecida por Afonso X de Leão e Castela a soberania portuguesa do Algarve). (07.05) Afonso X de Leão e Castela dispensa o rei de Portugal da obrigação de, eventualmente, lhe prestar auxílio militar com 50 homens de lança.

1267-1268 — Todos os bispos do reino de Portugal se encontram na cúria pontifícia, apresentando um libelo de 43 artigos de acusações contra Afonso III de Portugal.

1268 — Lei de taxas de preços e salários de Afonso X de Leão e Castela. Afonso III de Portugal toma a cruz e obriga-se a uma expedição à Terra Santa (nunca chegou a ir). O papa Clemente IV outorga dinheiro de cruzada a Afonso III de Portugal, depois de obter a promessa de uma cruzada à Terra Santa. (31.07) O papa levanta por seis meses o interdito que os bispos portugueses lançaram sobre Portugal, permitindo ao rei receber durante algum tempo o produto de legados pios e esmolas para a Terra Santa, para preparar sua expedição. (Novembro) Morte do papa Clemente IV — vacância da Santa Sé até março de 1272.

1268-1282 — Pero Anes de Portel, filho de D. João de Aboim (um dos personagens principais da corte de Afonso III de Portugal), governador de Leiria e Sintra.

1268-1271 — Sede pontifical vacante.

1270 — Nova cunhagem de moeda em Portugal: sinal de estabilização da coroa. Afonso III de Portugal dá a seu infante um importante senhorio, constituído das vilas de Portalegre, Marvão, Arronches e (castelo de) Vide. Sétima Cruzada: São Luís IX de França ataca a Tunísia muçulmana. Morte de Teobaldo II, 13o. rei de Navarra. O bispo de Silves, D. Bartolomeu e seu cabido, declaram não reconhecerem outro senhor senão D. Afonso III de Portugal, renunciando a todas as doações e direitos outorgados pelos reis de Castela, mesmo que tivessem sido confirmadas por autoridade pontifícia.

1270-1274 — Reinado (14o.) de Henrique I, de Navarra.

1270-1285 — Filipe III, rei de França.

1271 — Em seu testamento, Afonso III de Portugal deixa alguns legados para a Terra Santa. Num diploma, manda-se suscitar a observância do direito estabelecido de apelação da justiça administrada pelas ordens militares em suas terras. (?) Nascimento de D. Isabel de Aragão, futura esposa do rei de Portugal, D. Dinis.

1271-1276 — Papado de Gregório X, placentino.

1272 — Em Portugal, renovação da lei de 1261, que reprime o abuso de fidalgos contra bens de mosteiros e igrejas. Afonso III de Portugal emite lei para reprimir a vingança privada.

1272-1275 — Afonso III de Portugal retoma a política de concessão de cartas de privilégios a várias feiras.

1272-1307 — Eduardo I, rei da Inglaterra.

1273 — Privilégios de Afonso X de Leão e Castela ao Honrado Concejo de la Mesta. Morte de Ricardo de Cornualha, última tentativa de Afonso X de Leão e Castela para convencer o papa (1275). Em bula, o papa Gregório X retoma a questão entre os bispos e o rei.

1273-1274 — Cortes em Santarém reunidas para tratar da questão entre os bispos e o rei Afonso III de Portugal. Durando Pais é designado um dos "corregedores" para arbitrar as questões.

1273-1291 — Rodolfo de Habsburgo, rei alemão.

1273-1303 — Reinado (2o.) de Maomé II, de Granada.

1274 — O papa Gregório X ordena que seja pregada a cruzada também em Portugal. Morte de Henrique I, 14o. rei de Navarra. Concílio de Lião: já se pensa em suprimir as ordens militares especialmente os templários. Pedro Dubois, autor do livro De recuperatione terrae sanctae, propôs que os templários fossem obrigados a residir na Palestina, que os seus bens fossem arrendados e que suas comendas e priorados se transformassem em escolas destinadas ao ensino das ciências.

1274-1305 — Reinado (15o.) de Joana I, de Navarra.

1275 — Gregório emite a bula De regno Portugaliae, historiando toda a controvérsia entre os reis e os bispos portugueses desde Afonso II de Portugal. A partir desse ano até sua morte, Afonso III de Portugal não sai mais de Lisboa, provavelmente por sua saúde.

1275-1315 — Ramon Llull escreve sua obra Libro de la orden de Caballeria.

1275-1277 — O breve pontificado do papa João XXI (português, 1276-1277, de nome Pedro Julião) constituiu um intervalo no conflito entre o clero e a nobreza lusa.

1276 — (Janeiro) Morte do papa Gregório X. (Fevereiro) Eleito o papa Inocêncio V, que designa um franciscano (frei Nicolau Hispano) para ir a Portugal com plenos poderes para executar a bula apostólica; retorna sem ter conseguido. (Junho) Morte de Inocêncio V. (Julho a Agosto) Adriano V papa. (Setembro) Pedro Hispano, português, papa João XXI, dá novos poderes ao franciscano Nicolau Hispano para ir a Portugal. Ramon Llull funda o colégio de Miramar para o estudo do árabe e a formação de missionário para países muçulmanos. Morte de Jaime I, o Conquistador, 9o. rei de Aragão.

1276-1285 — Reinado (10o.) de Pedro III, o Grande, de Aragão (n. 1239), filho de Jaime I, o Conquistador.

1276-1277 — Papado de João XXI, português (não existe João XX na lista de papas).

1277 — (Janeiro) Sob ordens de João XXI, o franciscano Nicolau Hispano chega a Portugal e consegue com o rei uma solene audiência, lendo a constituição de Gregório X. (Fevereiro e Março) Vários encontros entre Nicolau Hispano e Afonso III de Portugal, sem resultado. (Março) Bula Jucunditatis et exultationis, onde o papa português João XXI exprime seu desejo de resolver a questão entre os bispos e Afonso III de Portugal. (Abril e Maio) Nicolau Hispano em Santarém, Coimbra, Porto, Braga, Guimarães, Lamego, Viseu e Guarda. (Maio) Morte do papa João XXI. (06.10) Nicolau Hispano é chamado a outra audiência com o rei, na presença dos infantes D. Dinis e D. Afonso, em que Afonso Peres Farinha discursa elogiando o zelo do legado papal. Afonso III de Portugal proíbe aos nobres, incluindo os ricos-homens, pousarem nos casais foreiros da coroa e nos reguengos — implantação da autoridade e do poder régio.

1277-1280 — Papado de Nicolau III, romano.

1278 — (Abril) Bula do papa Nicolau III, onde o papa, nomeando um novo arcebispo de Braga, comunica sua decisão a Afonso III, pedindo sua proteção. Afonso III de Portugal entrega o governo do reino a seu filho D. Dinis. Já nesse ano, num documento oficial, vem citado o "arrabi moor dos judeus", conseqüência da regulamentação de Afonso III de Portugal ao sistema de rabinato.

1279 — (Janeiro) Ainda excomungado, Afonso III de Portugal manda redigir um documento em que declara sua submissão ao papa, ordena a entrega de várias terras à Igreja e recebe a absolvição de frei Estêvão, abade resignário de Alcobaça. (16.02) Morte de Afonso III de Portugal: recebe exéquias litúrgicas. (Março) O papa Nicolau III nomeia o frei franciscano Telo para uma visita a Leão e Castela para solicitar a Afonso X, o Sábio que intervenha junto a D. Dinis a respeitar as liberdades eclesiásticas. Tratado de D. Dinis com os judeus de Bragança (em número de 19). Estes comprometem-se a pagar ao rei anualmente, no mês de agosto, um tributo de 600 maravedis leoneses, além de adquirir bens de raiz de estado pela quantia de 3.500 maravedis: 2.000 maravedis de linhas, 1.000 maravedis de terras para lavoura e 500 maravedis em edificações.

1279-1325 — Reinado de D. Dinis, o Lavrador, de Portugal.

1280 — (Agosto) Morte do papa Nicolau III — vacância da sede pontifícia até janeiro de 1281. D. Dinis em Trancoso: ordena uma embaixada portuguesa que vá a Aragão: início das negociações para o casamento de D. Dinis e Isabel, filha de Pedro III, o Grande.

1281 — Lutas entre D. Dinis I de Portugal e o irmão D. Afonso: o primeiro ataca o segundo em Vide, por este ter decidido cercar a vila e transformá-la em castelo (aumentando-lhe em uma torre) sem lhe pedir autorização. Em Portugal, leis que restringem os abusos dos padroeiros sobre igrejas e mosteiros, favorecendo o clero contra extorsões dos nobres. Embaixada aragonesa em Portugal, nas negociações do casamento de D. Dinis e Isabel de Aragão. (Abril) Generosa carta de dotação da futura rainha (D. Isabel), com o senhorio de três vilas e a segurança de doze castelos. O prior do Hospital, D. Gonçalo Fagundes, dá o segundo foral a Tolosa.

1281-1285 — Papado de Martinho IV, francês.

1281-1295 — Intensificação da política de D. Dinis da prática de aforamentos (758 aforamentos, a uma média de 54 por ano).

1282 — (Fevereiro) Em Barcelona, casamento por procuração, entre D. Dinis de Portugal e Isabel de Aragão. (Fevereiro) Acordo de Estremoz entre D. Dinis e o infante D. Afonso a respeito da questão de Vide (1281). (Abril) Cortes de Évora: é apresentado um texto final entre D. Dinis e os bispos, mandado ao papa Martinho IV (a resposta veio em 1284). (Junho) D. Dinis em Trancoso: celebração do casamento com D. Isabel de Aragão. (04.08) D. Dinis subscreve um diploma na Guarda. (Outubro) D. Dinis e D. Isabel em Coimbra: A corte permanece nessa cidade até o fim do ano. Guerra civil castelhana: insurreição de um irmandade geral em apoio a Sancho IV contra seu pai Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (D. Dinis de Portugal apóia o príncipe Sancho). A sublevação da Sicília contra Anjou coloca a ilha em mãos de Pedro III, o Grande, de Aragão — "Vésperas Sicilianas" — os angevinos são expulsos. Em Portugal, proteção a empresários que se consagraram à exploração de minas de ferro e de mercúrio (azougue). Pero Anes de Portel, governador de Trás-os-Montes.

1282-1290 — Período de maior concessão de forais, política de D. Dinis. A maior parte beneficiava povoações transmontanas, com fraca densidade demográfica.

1283 — Criação do Consulado de Comércio de Valência. Pedro III, o Grande, de Aragão, concede à União Aragonesa seu Privilégio Geral. Nascem as cortes de Valência. Morte de Durando Pais, ex-chanceler da rainha e bispo de Évora. (Novembro-dezembro) Cortes de Coimbra. (Dezembro) Inquirição em Silvade, na Terra de Santa Maria.

1284 — O papa Martinho IV envia resposta a D. Dinis sobre as questões dos bispos, com exigências de emendas. (Fevereiro) D. Dinis manda fazer inquirições: cadastro geral no julgado de Gaia e na Terra de Santa Maria, prolongando-se até agosto de 1284. Início da indústria têxtil em Barcelona. Afonso III de Aragão apóia os infantes de La Cerda. Sancho (IV de Leão e Castela) obtém a aliança de Filipe IV de França. Morte de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela, no meio de grave conflito com seu filho, Sancho IV. Nomeia D. Beatriz sua testamenteira, deixando-lhe o antigo reino de Niebla. Sancho IV autoproclama-se rei, é coroado em Toledo e impõe sua autoridade sobre Castela.

1284-1295  — Período de maior concessão de cartas de privilégio de feiras francas, política de D. Dinis I de Portugal. Privilegiou-se os lugares perto das fronteiras galega, leonesa e castelhana, junto às vias de penetração e de circulação no interior, como o Douro e a estrada da Beira. Reinado de Sancho IV, de Castela, filho de Afonso X, o Sábio.

1285 — Sublevação em Barcelona encabeçada por Berengário Oller. Morte de Pedro III, o Grande, 10o. rei de Aragão. (Junho) Cortes de Lisboa: os bispos escrevem ao papa Honório IV fazendo acusações a D. Dinis. Os nobres protestam contra a quebra de imunidades senhoriais, face à ofensiva da administração central nas inquirições iniciadas em 1284. Domingos Anes Jardo, chanceler favorável a D. Dinis, para Évora. Em Portugal, definição da taxação dos tabelionatos. Nascimento de Fernando IV de Castela, filho de Sancho IV de Castela. (?) Nascimento de D. Pedro, filho bastardo do rei D. Dinis e autor do Livro de Linhagens e da Crônica Geral de Espanha de 1344.

1285-1287 — Papado de Honório IV, romano.

1285-1291 — Reinado (11o.) de Afonso III de Aragão (filho de Pedro III, o Grande, de Aragão).

1285-1312 — Fernando IV, o Aprazado, rei de Castela e Leão.

1285-1314 — Filipe IV, o Belo, rei de França.

1286 — Lei de desamortização de D. Dinis (favoreciam a coroa e os nobres, prejudicados pela excessiva acumulação de bens fundiários pelo clero). Álvaro Nunes de Lara se revolta abertamente contra seu senhor, Sancho IV de Castela, assolando com seu bando povoações castelhanas junto à fronteira portuguesa (Beira e Trás-os-Montes) — o infante D. Afonso apóia Álvaro Nunes de Lara, um dos motivos de sua contenda com D. Dinis. Um dos combates se deu em Alfaiates (ainda pertencente ao rei de Leão). Nele morreram dois cavaleiros portugueses irmãos do mordomo do infante D. Afonso. Pero Anes de Portel, governador de Panóias.

1287 — A "Lide dos Alfaiates": luta dos concelhos contra os nobres revoltosos. Morte do papa Honório IV. D. Isabel recebe Sintra como arra de seu rei, D. Dinis. (Outubro e Novembro) D. Dinis associa-se a Sancho IV de Castela para cercar o infante português D. Afonso em Aroches. (Dezembro) o infante D. Afonso, submetido a D. Dinis e Sancho IV de Castela, celebra a paz de Badajoz. Inquirição sobre a herança da fortuna da família de Souza, a mais poderosa representante da nobreza tradicional portuguesa (os herdeiros do conde Gonçalo Garcia de Souza).

1288 — Sancho IV assegura o poder real definitivamente em Leão e Castela. O tratado assinado em Lyon estabelece por dois séculos as linhas gerais da política externa castelhana. A aliança com a França será seu ponto forte. (Fevereiro) Eleito novo papa, Nicolau IV: as negociações sobre as questões dos bispos recomeçam em Roma, com a presença destes. (17.09) Na bula papal Pastoralis officii, Nicolau IV, respondendo a um pedido dos freires portugueses da Ordem de Santiago, permite-lhes eleger provincial próprio, independente do mestre da Hispânia. (?) Início das negociações para a fundação de uma universidade em Portugal. (Junho) Cortes de Guimarães: D. Dinis I de Portugal, numa posição de força após a submissão do infante D. Afonso (1287), responde aos protestos dos nobres prometendo designar uma comissão para averiguar a legitimidade das honras criadas desde o tempo de Afonso II. (Setembro) Sentença sobre o destino dos bens da família de Souza: o rei se arroga no direito de interferir na sucessão do patrimônio senhorial — afirmação do poder régio.

1288-1292 — Papado de Nicolau IV, de Ascoli.

1289 — Concordata de D. Dinis com a Santa Sé para pôr fim às querelas entre o clero português e a nobreza: texto com 40 artigos aprovados pelo papa em 07 de março. Domingos Anes Jardo, chanceler favorável a D. Dinis, de Évora para Lisboa. D. Dinis I de Portugal auxilia Sancho IV de Castela na guerra contra Afonso III de Aragão, apesar deste ser seu cunhado. D. Dinis doa a seu filho D. Pedro (futuro conde de Barcelos, autor do Livro de Linhagens e da Crônica Geral de Espanha de 1344) bens em Lisboa, Estremoz, Évora-Monte, para ele e sua descendência legítima (caso não tivesse descendentes, os bens deveriam reverter para seu irmão Afonso Sanchez, outro bastardo).

1289-1313 — D. Dinis I de Portugal sustenta graves questões com o bispo D. Egas de Viseu, levando este a escrever a obra De libertate Ecclesiae.

1290 — Os judeus são expulsos da Inglaterra pelo rei Eduardo I (1272-1307). O papa Nicolau IV (de Ascoli, 1288-1292) confirma o Estudo Geral de Lisboa, fundado por D. Dinis I de Portugal. Concordata de 1289: suspensão do longo interdito a que o reino estava sujeito desde 1267. (01.03) Fundação da Universidade de Lisboa por D. Dinis I de Portugal. Em Portugal, proteção a empresários que se consagraram à exploração do ouro. (05.11) Provisão régia: sentença judicial sobre o resultado das inquirições de 1288, reprimindo a extensão e a multiplicação de honras de senhores.

1291 — Queda de Acre na Terra Santa; o papa Nicolau IV manda que os clérigos portugueses celebrem concílios provinciais para deliberarem sobre o auxílio a enviar à Terra Santa. (Fevereiro) Nascimento de Afonso, futuro Afonso IV de Portugal, 7o. rei, filho de D. Dinis I de Portugal e da rainha Santa Isabel. 2a. lei de desamortização de D. Dinis (a 1a. em 1286). (Março) Cortes de Coimbra: lei sobre heranças;  novos protestos dos nobres diante da afirmação do poder régio. D. Dinis promulga a lei que proíbe as ordens militares de herdarem bens dos seus professos e de lhes comprarem propriedades fundiárias ou os receberem em doação, alegando justamente que as terras dos fidalgos estavam "minguadas e mui pobres". (Setembro) D. Dinis encontra-se com Sancho IV de Castela em Cidade Rodrigo para combinar o casamento de sua filha Constança com Fernando, príncipe herdeiro de Castela. Morte de Afonso III, 11o. rei de Aragão.

1291-1327 — Reinado (12o.) de Jaime II de Aragão, irmão de Afonso III e filho de Pedro III, o Grande.

1292 — Sancho IV de Leão e Castela conquista Tarifa. Concordata (05 artigos) respondendo a queixas dos bispos do Porto, da Guarda, de Lamego e de Viseu contra o rei D. Dinis. 3a. lei de desamortização de D. Dinis (1a. em 1286, 2a. em 1291).

1292-1294 — Sede pontifical vacante.

1292-1298 — Adolfo de Nassau, rei alemão.

1293 — É criada uma bolsa de mercadores em Portugal, com entrepostos na Flandres, Inglaterra, Normandia, Bretanha e La Rochelle. Liberdade de comércio entre Portugal e Inglaterra. Esmorecimento da aliança luso-castelhana (D. Dinis e Sancho IV): o rei português protege D. João Nunes de Lara nas suas desavenças com Sancho IV e quando este decide romper o acordo acerca do futuro casamento de seu filho, prometendo desposá-lo com uma filha do rei Filipe, o Belo, de França.

1294 — Papado de São Celestino V, dos Abruzzos. O papa Celestino V confirma a bula de 1288 do papa Nicolau IV que concede aos freires portugueses da Ordem de Santiago a eleição independente do mestre da Hispânia (ela foi revogada pouco depois pelo mesmo pontífice e por Bonifácio VIII).

1294-1303 — Papado de Bonifácio VIII, de Anagni.

1294-1313 — João Martins de Soalhães, chanceler favorável a D. Dinis, em Lisboa.

1295 — Em Portugal, fundação do mosteiro de monjas cistercienses de Odivelas, protegido por D. Dinis. Martim Pires de Oliveira, chanceler favorável a D. Dinis, para Braga. (Abril) Morte de Sancho IV de Castela: disputa política entre Fernando IV (de apenas 9 anos), os infantes Henrique (irmão de Afonso X, o Sábio), João (irmão de Sancho IV), Afonso e Fernando de la Cerda. D. Dinis apóia o infante D. João. (20.07) Bula Ab antiquis retro, do papa Bonifácio VIII: revoga a concessão do papa Nicolau IV (de 1288) e os freires de Santiago voltam à sujeição do mestre de Castela (até 1314). (Outubro) Compromisso firmado entre D. Dinis e o novo tutor de Fernando IV, D. Henrique: D. Dinis se compromete a entregar as povoações de Moura, Serpa, Arouche e Aracena, demarcar a fronteira luso-castelhana em litígio e renovar a promessa de casamento de Fernando IV com D. Constança. Carta de D. Dinis a favor dos judeus de Lisboa.

1295-1303 — D. Judá, rabino-mor de Portugal e ministro das finanças de D. Dinis.

1295-1312 — Reinado (8o.) de Fernando IV de Castela, filho de Sancho IV de Castela.

1296 — (Janeiro) Em Aragão, renovam-se as tentativas para retirar o trono a Fernando IV: os infantes D. João e D. Afonso de la Cerda partilham o reino entre si (Leão, Galiza e Astúrias ao primeiro e Castela e Andaluzia ao segundo). (Abril) Os dois infantes são aclamados reis, em Leão e Sahagún. Aragão ocupa Múrcia e Alicante. (Setembro e Outubro) D. Dinis auxilia o infante D. João com centenas de cavaleiros: com Afonso de la Cerda marcham de Salamanca sobre Tordesilhas e Simancas para conquistar Valhadolid. D. Dinis se retira para a Beira. Constituição da "Irmandade da Marinha de Castela com Vitoria", ou "Irmandade das Marinhas". Pedro Martins, chanceler favorável a D. Dinis, para Coimbra. Generalização da adoção da língua vulgar nos documentos oficiais da chancelaria portuguesa.

1296-1317 — Política de D. Dinis de aforamentos (532, a uma média de 25 por ano).

1297 — (Setembro) Tratado de Alcanises: é atribuído a Portugal Sabugal, Castelo Rodrigo e Almeida (questão de Ribacoa). Portugal desiste de Aroche e Aracena, além de Valência, Ferreira, Esparregal e Aiamonte. D. Dinis compromete-se a ajudar Castela com 300 cavaleiros sob o comando de João Afonso de Albuquerque. Este tratado fixou a demarcação entre Portugal e Castela — é considerada a linha de fronteira mais estável da Europa. É acertado o casamento de Fernando IV de Castela e sua irmã, D. Beatriz, com D. Constança de Portugal e seu irmão, o infante D. Afonso. Em Portugal, leis que restringem os abusos dos padroeiros sobre igrejas e mosteiros, favorecendo o clero contra extorsões dos nobres.

1298 — Início da construção da catedral de Barcelona. (Fevereiro) Cortes de Valhadolid: as hermandades de vários concelhos castelhanos pedem o auxílio de D. Dinis para combater o infante D. João e os nobres que o apoiavam. (Maio) Nomeação do primeiro conde territorial português, João Afonso de Albuquerque, conde de Barcelos. (Julho) D. Dinis dirige-se com suas tropas a Castela, encontrando-se em Toro e em Mota del Marqués com o infante D. Henrique. Propôs a D. Maria de Molina que reconhecesse D. João como rei de Galiza: a rainha recusou. (Agosto e Setembro) D. Dinis permanece no Sabugal, aguardando o evoluir dos acontecimentos castelhanos. D. Judá, rabino-mor de Portugal e ministro das finanças de D. Dinis, empresta 6.000 libras a D. Raimundo de Cardona, para a compra da cidade de Mourão.

1298-1302 — A política externa de Portugal é dominada pelas relações com Castela.

1298-1308 — Alberto I, rei alemão.

1298-1347 — Início da construção das catedrais de Barcelona, Gerona, Huesca, Saragoça, Palma de Mallorca e Tortosa.

1299 — Terceira revolta do infante D. Afonso, que desta vez foi cercado em Portalegre (entre maio e outubro), com a ajuda das ordens militares de Avis e do Templo. Como em 1281 e 1287, o resultado foi a submissão do infante e a troca de seus senhorios por outros do interior: recebeu Ourém em vez de Marvão e Sintra em vez de Portalegre.