Tapeçaria de Bayeux (c. 1070-1080)

Tradução: Profa. Débora Rosa Stein
Supervisão: Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes)

A Tapeçaria de Bayeux é uma obra bordada em linho entre 1070-1080, sob a encomenda do bispo Odo de Bayeux (c. 1030-1097), meio-irmão de Guilherme, o Conquistador. Não temos uma informação segura e definitiva a respeito de sua autoria. Uma lenda atribui seu bordado a Matilde de Flandres e suas aias; há quem afirme que a Tapeçaria foi executada em Canterbury com base em desenhos de um artista associado à abadia de Santo Agostinho; por fim, é também possível que o bordado tenha sido feito por religiosas da abadia de Barking (Essex), sob a direção da abadessa Elfgiva.

Seja de quem for a autoria, o fato é que a Tapeçaria de Bayeux, com seus 69 metros de comprimento, cerca de 50 cm de largura e 58 cenas, narra a história da conquista normanda da Inglaterra em 1066 (sob o ponto de vista normando), e representa magnificamente muitas cenas da vida cotidiana nobre do final do século XI, além da derrota anglo-saxã das forças de Haroldo II, rei da Inglaterra (1066) na batalha de Hastings (veja artigo).

Abaixo, vocês podem observar as cenas do tapete, com um breve comentário sobre os personagens representados e o significado das cenas - na primeira frase, em negrito, encontra-se a tradução do texto em latim bordado no tapete, texto localizado sempre acima das cenas.


Cena 1

Rei Eduardo. O chefe inglês Haroldo e seus milites para Bosham
O ano é 1064. No Palácio Real de Westminster, o rei Eduardo, o Confessor (1042-1066) em seu trono, no interior do palácio, com a coroa e o cetro em sua mão direita, recebe dois personagens, um deles Haroldo, sobrinho de sua esposa Edith, conde de Wessex e futuro rei (1066) (cena à esquerda). À direita, Haroldo, à frente de seus cinco milites, segurando um falcão e tendo à frente seus cães, se dirige para Bosham, em Sussex, terra de sua família. Nas linhas acima e abaixo da cena principal, há motivos fantásticos: quase sempre são animais, reais e imaginários, que compõem o espaço da narrativa principal.

Cena 2

A Igreja. Haroldo e a sua tripulação navegam para a costa do território do conde Guy (o texto continua na cena seguinte)
Haroldo e seus homens entram na igreja de Bosham e oram para fazer uma boa viagem. À noite, antes da partida, eles se reúnem em sua casa para um banquete (ao centro). São cinco homens, com destaque para as bebidas servidas nos cornos de animais. Na escada, um homem aponta para a direita, informando que chegou a hora da partida. Haroldo embarca e sua embarcação parte para a costa do território do conde Guy de Ponthieu.

Cena 3

Haroldo é preso... (texto à direita)
As embarcações de Haroldo se dirigem para o outro lado do Canal da Mancha. O mastro é visto por um vigia na terra de Ponthieu, norte da Normandia, território do conde Guy. No entanto, ao descer em terra, Haroldo é capturado pelos milites do conde Guy (à direita). Na cena da lateral inferior (à direita), dois homens partem em uma caçada, armados apenas com bastões e acompanhados por cães (a cena é completada na imagem seguinte).

Cena 4

...pelo chefe Guy, que o leva para Beaurain, onde o deixa preso
À esquerda, o conde Guy, seguido por quatro cavaleiros, dirige pessoalmente a prisão de Haroldo (ele aponta para o conde com sua mão direita). Na cena seguinte (à direita), Haroldo, apesar de prisioneiro, é conduzido pela escolta com muito respeito por sua condição: é ele quem cavalga à frente com seu falcão em direção a Beaurain, capital das terras de Guy.

Cena 5

Haroldo e Guy conversam. Um mensageiro do duque William (Guilherme) se aproxima de Guy. Turold é o mensageiro de William

Haroldo é levado à presença do conde Guy. Em seu trono (à esquerda), Guy conversa com Haroldo. A seguir, à direita, dois mensageiros do duque Guilherme (William, em inglês) se aproximam do conde Guy (o homem com o machado, símbolo do poder) e pedem que Haroldo seja solto. Turold é o menor entre os mensageiros. Ele segura as rédeas de um dos cavalos (seu nome está escrito logo acima de sua cabeça). Repare que, pela primeira vez, no canto da lateral inferior há cenas que retratam um trabalho camponês (dois homens aram a terra com um animal semelhante a um burro, outro puxa um cavalo e um quarto parece lançar uma corda no ar).

Cena 6

O mensageiro se aproxima do duque William

À esquerda, dois mensageiros com longas lanças e belos escudos com insígnias cavalgam em grande velocidade: seus cabelos estão esvoaçantes. Eles levam uma mensagem de Guilherme para o conde Guy. A seguir, o duque Guilherme, em seu trono, recebe a notícia que Guy prendeu Haroldo. Na extrema-direita, uma fortificação (na cena da lateral inferior, um cavaleiro combate um animal semelhante a um javali, protegendo-se com um escudo e atacando com uma longa espada; à direita, uma cena de caça com cães: o homem faz soar um corno enquanto seus cães atacam um animal negro).

Cena 7

O mensageiro leva Haroldo até o duque William da Normandia

O conde Guy obedece a ordem de Guilherme e diz a Haroldo que ele irá se encontrar com Guilherme. Na cena, o conde Guy, em seu cavalo negro e segurando um falcão, aponta para Haroldo, atrás, que também porta um falcão. Na cena lateral inferior, dois amantes se encontram, cercados de seres fantásticos (essa estória passará para a narrativa principal na próxima cena).

Cena 8

O chefe William chega a seu palácio com Haroldo. Conversa com o clérigo Algiva

À esquerda, Guilherme e Haroldo cavalgam em direção ao palácio de Rowen, escoltados pelos cavaleiros de Guilherme, que continua portando um falcão e cavalga em um cavalo negro. A cena seguinte - um debate no interior de um palácio e uma conversa com um clérigo de nome Algiva - retrata um misterioso incidente que não tem relação com a história principal: trata-se de um escândalo sexual, retratado na cena lateral inferior (à direita), com um homem nu e agachado.

Cena 9
O chefe William e seu exército vão para o Monte St. Michel e atravessam o rio Cuesnon...

Haroldo acompanha Guilherme e seus milites normandos ao combate contra o duque Conan, da Bretanha. Eles passam pelo monte St. Michel (no centro), com sua famosa abadia situada na fronteira entre a Normandia e a Bretanha. Para entrar na Bretanha, eles têm que atravessar um rio. Alguns erguem então seus escudos para realizar a travessia; um, a cavalo, afunda nas águas do rio (à direita), mas Haroldo consegue atravessá-lo (cena seguinte, à esquerda).

Cena 10

...e o chefe Haroldo é puxado para fora da areia. Eles se aproximam de Dol. Conan foge. Rennes

Os milites normandos de Guilherme, com seus típicos elmos com pontas que protegem os narizes, avançam e atacam o castro de Dol, mas o duque Conan consegue fugir do castelo (ele está pendurado em uma corda, escapando, no centro da cena). Com sua fuga, os normandos passam pelo castro de Rennes, capital da Bretanha, que, na verdade, é apenas uma mota como milhares de outras construídas a partir do ano mil. Nas cenas laterais acima e abaixo, seres fantásticos compõem a narrativa (por exemplo, à esquerda um homem está caído e parece estar sendo atacado por um leão).

- Continua -