A Tapeçaria de Bayeux é uma
obra bordada em linho entre 1070-1080, sob a encomenda do bispo Odo
de Bayeux (c. 1030-1097), meio-irmão de Guilherme, o Conquistador.
Não temos uma informação segura e definitiva a
respeito de sua autoria. Uma lenda atribui seu bordado a Matilde de
Flandres e suas aias; há quem afirme que a Tapeçaria
foi executada em Canterbury com base em desenhos de um artista associado
à abadia de Santo Agostinho; por fim, é também
possível que o bordado tenha sido feito por religiosas da abadia
de Barking (Essex), sob a direção da abadessa Elfgiva.
Seja de quem for a autoria, o fato é que a Tapeçaria
de Bayeux, com seus 69 metros de comprimento, cerca de 50 cm de
largura e 58 cenas, narra a história da conquista normanda da
Inglaterra em 1066 (sob o ponto de vista normando), e representa magnificamente
muitas cenas da vida cotidiana nobre do final do século XI, além
da derrota anglo-saxã das forças de Haroldo II, rei da
Inglaterra (1066) na batalha de Hastings (veja artigo).
Abaixo, vocês podem observar as cenas do tapete, com
um breve comentário sobre os personagens representados e o significado
das cenas - na primeira frase, em negrito,
encontra-se a tradução do texto em latim bordado no tapete,
texto localizado sempre acima das cenas.
Cena 1

Rei Eduardo. O chefe inglês Haroldo e seus milites para
Bosham
O ano é 1064. No Palácio
Real de Westminster, o rei Eduardo, o Confessor (1042-1066) em
seu trono, no interior do palácio, com a coroa e o cetro em sua
mão direita, recebe dois personagens, um deles Haroldo, sobrinho
de sua esposa Edith, conde de Wessex e futuro rei (1066) (cena à
esquerda). À direita, Haroldo, à frente de seus cinco milites,
segurando um falcão e tendo à frente seus cães, se
dirige para Bosham, em Sussex, terra de sua família. Nas
linhas acima e abaixo da cena principal, há motivos fantásticos:
quase sempre são animais, reais e imaginários, que compõem
o espaço da narrativa principal.
Cena 2

A Igreja. Haroldo e a sua tripulação
navegam para a costa do território do conde Guy (o texto continua
na cena seguinte)
Haroldo e seus homens entram na igreja de Bosham e oram para
fazer uma boa viagem. À noite, antes da partida, eles se reúnem
em sua casa para um banquete (ao centro). São cinco homens, com
destaque para as bebidas servidas nos cornos de animais. Na escada,
um homem aponta para a direita, informando que chegou a hora da partida.
Haroldo embarca e sua embarcação parte para a costa do
território do conde Guy de Ponthieu.
Cena 3

Haroldo é preso... (texto à
direita)
As embarcações de Haroldo se dirigem para o outro lado
do Canal da Mancha. O mastro é visto por um vigia na terra de
Ponthieu, norte da Normandia, território do conde Guy. No entanto,
ao descer em terra, Haroldo é capturado pelos milites
do conde Guy (à direita). Na cena da lateral inferior (à
direita), dois homens partem em uma caçada, armados apenas com
bastões e acompanhados por cães (a cena é completada
na imagem seguinte).
Cena 4

...pelo chefe Guy, que o leva para Beaurain,
onde o deixa preso
À esquerda, o conde Guy, seguido por quatro cavaleiros, dirige
pessoalmente a prisão de Haroldo (ele aponta para o conde com
sua mão direita). Na cena seguinte (à direita), Haroldo,
apesar de prisioneiro, é conduzido pela escolta com muito respeito
por sua condição: é ele quem cavalga à frente
com seu falcão em direção a Beaurain, capital das
terras de Guy.
Cena 5

Haroldo e Guy conversam. Um mensageiro do duque William (Guilherme)
se aproxima de Guy. Turold é o mensageiro de William
Haroldo é levado à presença do conde Guy. Em seu
trono (à esquerda), Guy conversa com Haroldo. A seguir, à
direita, dois mensageiros do duque Guilherme (William, em inglês)
se aproximam do conde Guy (o homem com o machado, símbolo do
poder) e pedem que Haroldo seja solto. Turold é o menor entre
os mensageiros. Ele segura as rédeas de um dos cavalos (seu nome
está escrito logo acima de sua cabeça). Repare que, pela
primeira vez, no canto da lateral inferior há cenas que retratam
um trabalho camponês (dois homens aram a terra com um animal semelhante
a um burro, outro puxa um cavalo e um quarto parece lançar uma
corda no ar).
Cena 6

O mensageiro se aproxima do duque William
À esquerda, dois mensageiros com longas lanças
e belos escudos com insígnias cavalgam em grande velocidade:
seus cabelos estão esvoaçantes. Eles levam uma mensagem
de Guilherme para o conde Guy. A seguir, o duque Guilherme, em seu trono,
recebe a notícia que Guy prendeu Haroldo. Na extrema-direita,
uma fortificação (na cena da lateral inferior, um cavaleiro
combate um animal semelhante a um javali, protegendo-se com um escudo
e atacando com uma longa espada; à direita, uma cena de caça
com cães: o homem faz soar um corno enquanto seus cães
atacam um animal negro).
Cena 7

O mensageiro leva Haroldo até o duque William da Normandia
O conde Guy obedece a ordem de Guilherme e diz a
Haroldo que ele irá se encontrar com Guilherme. Na cena, o conde
Guy, em seu cavalo negro e segurando um falcão, aponta para Haroldo,
atrás, que também porta um falcão. Na cena lateral
inferior, dois amantes se encontram, cercados de seres fantásticos
(essa estória passará para a narrativa principal na próxima
cena).
Cena 8

O chefe William chega a seu palácio com Haroldo. Conversa com
o clérigo Algiva
À esquerda, Guilherme e Haroldo cavalgam
em direção ao palácio de Rowen, escoltados pelos
cavaleiros de Guilherme, que continua portando um falcão e cavalga
em um cavalo negro. A cena seguinte - um debate no interior de um palácio
e uma conversa com um clérigo de nome Algiva - retrata um misterioso
incidente que não tem relação com a história
principal: trata-se de um escândalo sexual, retratado na cena
lateral inferior (à direita), com um homem nu e agachado.
Cena 9
O chefe
William e seu exército vão para o Monte St. Michel e atravessam
o rio Cuesnon...
Haroldo acompanha Guilherme e seus milites
normandos ao combate contra o duque Conan, da Bretanha. Eles passam
pelo monte St. Michel (no centro), com sua famosa abadia situada na
fronteira entre a Normandia e a Bretanha. Para entrar na Bretanha, eles
têm que atravessar um rio. Alguns erguem então seus escudos
para realizar a travessia; um, a cavalo, afunda nas águas do
rio (à direita), mas Haroldo consegue atravessá-lo (cena
seguinte, à esquerda).
Cena 10

...e o chefe Haroldo é puxado para fora da areia. Eles se aproximam
de Dol. Conan foge. Rennes
Os milites normandos de Guilherme, com
seus típicos elmos com pontas que protegem os narizes, avançam
e atacam o castro de Dol, mas o duque Conan consegue fugir do castelo
(ele está pendurado em uma corda, escapando, no centro da cena).
Com sua fuga, os normandos passam pelo castro de Rennes, capital da
Bretanha, que, na verdade, é apenas uma mota como milhares de
outras construídas a partir do ano mil. Nas cenas laterais acima
e abaixo, seres fantásticos compõem a narrativa (por exemplo,
à esquerda um homem está caído e parece estar sendo
atacado por um leão).
- Continua -