A Tapeçaria de Bayeux é uma
obra de arte bordada entre 1070-1080 pelos artesãos da catedral
de Canterbury a pedido do bispo Odo de Bayeux (c. 1030-1097), meio-irmão
de Guilherme, o Conquistador. Além de representar magnificamente
muitas cenas da vida cotidiana nobre do final do século XI, a
Tapeçaria retrata a vitória normanda na batalha
de Hastings (1066), que teve como conseqüência a posterior
conquista normanda da Inglaterra com a derrota anglo-saxã das
forças de Haroldo II, rei da Inglaterra (1066) (veja artigo).
Abaixo, vocês podem observar as cenas do tapete,
com um breve comentário sobre os personagens representados e
o significado das cenas - na primeira frase, em
negrito, encontra-se a tradução do texto
em latim bordado no tapete, texto localizado sempre acima das cenas.
Cena 11

Os miles do duque William lutam contra os moradores de Dinan,
e Conan é a chave para desvendar o mistério
Trata-se de uma cena típica
de um combate por um castelo. Os normandos cercaram Conan na mota de
Dinan (no centro). Durante essa batalha, os milites, a cavalo,
arremessaram suas lanças em direção às muralhas,
enquanto outros ateavam fogo às muralhas (dois normandos abaixo
do castro). Conan se entrega: ele está de pé, na muralha
do castro, passando a chave de Dinan para Guilherme na ponta de sua
lança (cena no centro) - Guilherme está montado em um
cavalo vermelho, e pega a chave também com sua lança.
Cena 12

William fornece armas para Haroldo. William chega a Bayeux. Haroldo
sacramenta sua lealdade ao duque William
Para recompensar esse serviço,
Guilherme presenteou Haroldo com uma arma (cena à esquerda).
Retornando a Bayeux, na Normandia (representada pelo belo castelo no
monte), Guilherme realiza a cerimônia feudal de compromisso, sacramentando
a lealdade de Haroldo a ele. Guilherme está agora sentado em
seu trono, e Haroldo, à sua esquerda, de pé, faz seu juramento,
tocando relíquias sagradas guardadas em duas ricas caixas, com
suas duas mãos.
A cena bordada mostra a terceira parte do contrato vassálico
(o juramento sobre as relíquias), como atesta um relato feito
por Galbert de Bruges em 1127: "Em primeiro lugar,
prestaram homenagem da seguinte maneira: o conde perguntou ao futuro
vassalo se queria tornar-se seu homem, sem reserva, e este respondeu:
“quero”; depois, estando as suas mãos apertadas pelas
do conde, aliaram-se por um beijo. Em segundo lugar,
aquele que havia prestado homenagem fez compromisso da sua fidelidade
ao “avant-parlier” do conde, nestes termos: “Prometo,
pela minha fé, ser, a partir deste instante, fiel ao conde Guilherme
e guardar-lhe, contra todos e inteiramente, a minha homenagem, de boa-fé
e sem dolo”; em terceiro lugar jurou o mesmo
sobre as relíquias dos santos."
Cena 13

O duque Haroldo retorna para sua terra inglesa e Haroldo se aproxima
do rei Eduardo
Após prestar seu juramento
de fidelidade a Guilherme, Haroldo fica livre e então retorna
para o reino inglês (à esquerda). A seguir, Haroldo viaja
acompanhado ao encontro do rei Eduardo, o Confessor.
Cena 14

O corpo do rei Eduardo é carregado para a igreja de São
Pedro. O rei Eduardo fala a seus fiéis em seu leito de morte
e morre
Na cena à esquerda, o rei
Eduardo recebe Haroldo. Ele está em seu trono, como o cedro em
sua mão esquerda, enquanto a direita aponta para Haroldo - sinal
de diálogo. Ele tem um aspecto muito doente (repare em suas longas
barbas douradas). Na cena a seguir, é retratado o enterro de
Eduardo, que morreu no dia 5 de janeiro de 1066. As pessoas carregam
o caixão decorado do rei defunto em cortejo fúnebre. O
funeral ocorreu na catedral de Westminster, na igreja de Abbey. Eduardo
estava doente desde 28 de dezembro de 1065.
Cena 15

A coroa real é concedida a Haroldo, que é coroado no trono
como rei dos ingleses. Arcebispo Stigand. As pessoas estão olhando
uma estrela
Enquanto esteve acamado, Eduardo
recebeu seu camareiro (à esquerda, cena superior), que lhe informou
que seu sucessor poderia ser Haroldo ou a rainha Edith - na parte inferior
da cena, o rei já está à beira da morte, e recebe
um padre (como essa parte está cortada, o padre se encontra na
cena 14, à direita, acima). A seguir, a coroa e o machado são
oferecidos a Haroldo, que aceita. Haroldo é então coroado
rei da Inglaterra (a coração ocorreu no dia 6 de janeiro
de 1066 e o funeral de Eduardo aconteceu no mesmo dia pela manhã).
O novo rei está sentado no trono, com o cedro em sua mão
direita e o globo terrestre em sua mão esquerda. Ele está
cercado de nobres (à sua direita) e o arcebispo Stigand (à
sua esquerda) - repare que o nome do arcebispo está bordado acima
de sua cabeça. Cinco pessoas à sua esquerda aplaudem a
coroação. Na cena à direita, entretanto, um homem
mostra a outras cinco pessoas aterrorizadas a passagem do cometa de
Halley (que se encontra na cena 16, acima, à esquerda). A passagem
do cometa foi interpretada como um mau presságio.
Cena 16

Haroldo. O navio inglês se aproxima da terra do duque William,
que determina a construção de embarcações
(também na cena 17)
Um homem informa a Haroldo (no trono)
a passagem do cometa. Repare que na cena lateral inferior há
sombras das embarcações normandas que logo invadiriam
o reino - o cometa seria então um presságio funesto do
futuro que aguardava o novo rei. No centro da cena, a chegada de um
navio às terras de Guilherme representa a informação
que este recebe sobre a morte de Eduardo e a coroação
de Haroldo.
Cena 17

Guilherme, em seu trono, recebe
as notícias da Inglaterra. Furioso porque crê que Haroldo
usurpou o trono que seria seu - e aconselhado por seus pares - Guilherme
ordena a construção de navios e organiza uma frota para
invadir a ilha. Sentado à esquerda do rei está o bispo
Odo de Bayeux, seu meio-irmão que pela primeira aparece em uma
cena da tapeçaria que mais tarde patrocinaria. Ele aponta para
o trabalho dos madeireiros, que cortam as árvores com longos
machados, trabalham no preparo das toras e finalmente constroem os navios.
A gesticulação do bispo sugere que ele participou ativamente
na concepção do ataque, além de aconselhar diretamente
o rei naquelas querelas dinásticas.
Cena 18
As embarcações
são levadas para o mar. São transportadas armas embaixo
das embarcações e as carroças carregadas de armamentos
são puxadas
Os homens de Guilherme se preparam
para a invasão. Após os barcos serem construídos,
eles são puxados e levados para o mar. Uma equipe de homens armados
com espadas transporta comida nos ombros para os navios; um homem carrega
um tonel de bebida, outro, armado com um machado, um saco. O armamento
(elmos, lanças e espadas) é levado acorrentado e coberto
em carroças puxadas por homens.
Cena 19

O duque William navega no mar
Em seu elegante cavalo negro, Guilherme
conduz seus homens para as embarcações. Armados com lanças
e escudos, eles embarcam para a invasão. Calcula-se que partiram
para a conquista mais de 700 navios, com cerca de 12.000 homens (dos
quais cinco mil cavaleiros, vindos de todas as partes da Europa - Anjou,
Bretanha, Aragão, Apúlia e Flandres).
Cena 20
As embarcações
se aproximam de Pevensey
O mar se agita com os barcos lotados
de guerreiros e cavalos. Guilherme, Mora e Matilde, sua esposa, estão
nas embarcações.
Cena 21

Os cavalos estão em terra firme. Os milites vão
apressados para Hastings em busca de comida.
Os normandos chegam no dia 28 de
setembro em Pevensey. Os cavalos são retirados dos navios. Já
com suas cotas de malha, os milites cavalgam: vão para
um banquete comemorar a chegada na ilha.
Cena 22
Aqui está
Wadard. Cozinhando carne. O empregado serve a comida
Um touro é abatido para o
banquete, além de outros animais. O homem armado montado no cavalo
é Wadard, discípulo do bispo Odo de Bayeux. Dois homens
assam uma carne, outro prepara os pratos.
Cena 23

Eles estão jantando. O bispo abençoa a comida e o vinho.
Bispo Odo. William. Robert
O banquete foi servido ao ar-livre.
Guilherme está sentado com seus nobres. Há muita bebida
e vários tipos de carnes (repare no frango no espeto servido,
à esquerda). Seu meio-irmão, o bispo Odo de Bayeux, no
centro da mesa, faz uma prece de agradecimento. Os empregados trazem
a comida. Na cena ao centro, em um castelo, Guilherme conversa com Odo
(à sua direita) e Robert, conde de Mortain (seus nomes estão
bordados acima de suas cabeças). Eles decidem construir uma base
militar para a invasão em Hastings (o que chamamos hoje na terminologia
militar de "cabeça-de-ponte"). Assim, seus homens partem
com utensílios para construir um castelo de defesa em Hastings.
Dois deles parecem estar brigando.
- Continua -