A Tapeçaria de Bayeux é uma
obra de arte bordada entre 1070-1080 pelos artesãos da catedral
de Canterbury a pedido do bispo Odo de Bayeux (c. 1030-1097), meio-irmão
de Guilherme, o Conquistador. Além de representar magnificamente
muitas cenas da vida cotidiana nobre do final do século XI, a
Tapeçaria retrata a vitória normanda na batalha
de Hastings (1066), que teve como conseqüência a posterior
conquista normanda da Inglaterra com a derrota anglo-saxã das
forças de Haroldo II, rei da Inglaterra (1066) (veja artigo).
Abaixo, vocês podem observar as cenas do tapete,
com um breve comentário sobre os personagens representados e
o significado das cenas - na primeira frase, em
negrito, encontra-se a tradução do texto
em latim bordado no tapete, texto localizado sempre acima das cenas.
Cena 24
William
recebe notícias de Haroldo. Estão colocando fogo no domus.
Os milites partem para...
À esquerda, os homens de Guilherme
constroem o castro de Hastings (continuação da cena 23).
No centro, o duque Guilherme está sentado em seu trono, e recebe
de um mensageiro as notícias de Haroldo e seu exército.
A seguir, dois homens incendeiam uma casa senhorial - abaixo uma mulher
foge com seu filho. À direita, um cavaleiro - que representa
todos os de sua ordem - sai de seu castelo completamente preparado - com
elmo, espada, cota de malha e lança - para a batalha de Hastings.
Ele recebendo de seu escudeiro seu cavalo negro (a seguir).
Cena 25
...para
lutar contra Haroldo
À esquerda, o cavalo negro que o cavaleiro recebe para
sua partida (cena anterior). Nessa manhã da batalha de Hastings
- 14 de outubro de 1066 - em formação cerrada, os cavaleiros
normandos vão furiosamente ao encontro das forças inglesas
de Haroldo.
Cena 26
O
duque William pergunta a Vital se ele está vendo o exército
de Haroldo
Em seu cavalo castanho, o duque William pergunta ao cavaleiro Vital
(em um cavalo negro, munido de escudo e lança), vassalo do bispo
Odo de Bayeux, se ele já conseguiu identificar a posição
das forças de Haroldo. A seguir, o exército de Guilherme
avança.
Cena 27
Um
homem informa a Haroldo sobre as forças do duque Guilherme
A cena (à esquerda) retratada agora é do lado inglês.
Um homem observa o campo de batalha, outro informa ao rei Haroldo, em
seu cavalo negro, a situação da batalha. Uma árvore
divide a cena. A seguir, as forças do duque Guilherme que, em
seu cavalo rubro e tendo o cetro em sua mão direita, incentiva
(com a mão esquerda) seus cavaleiros, que partem para o combate.
Cena 28
A
cavalaria normanda investe contra as forças de Haroldo. Começa
a batalha de Hastings. Na cena, são sete cavaleiros, tendo à
frente arqueiros.
Cena 29
À
esquerda, a cavalaria normanda ataca, arremessando suas lanças
contra a infantaria inglesa (à direita). Flechas e lanças
voam pelos ares e atingem homens e escudos; há mortos no chão
que passam a ocupar o lugar dos seres fantásticos colocados anteriormente
nas cenas laterais inferiores. Os soldados ingleses se defendem do ataque
que vem de dois lados (a cena continua a seguir).
Cena 30

Queda de Levvine e Gyre
A batalha prossegue. À esquerda, um inglês
se defende do avanço da cavalaria normanda com um grande machado.
Há muitos mortos no chão, vários com a cabeça
decepada. Escudos e espadas também
jazem na relva. À direita, Levine e Gire, irmãos do rei
Haroldo, são mortos em combate.
Cena 31

Irmãos do rei Haroldo. Na batalha, ingleses e franceses são
derrotados
À esquerda, ainda a cena da morte dos irmãos
do rei Haroldo. A seguir, a batalha prossegue: homens e cavalos ao chão.
Cena 32
Aqui está
o bispo Odo com sua maça encorajando os jovens homens. Aqui está
o duque William. Eustace. Os franceses estão
lutando...
À esquerda os ingleses se defendem no topo
da colina contra os ataques normandos. Na cena seguinte, destacam-se
o bispo Odo (o segundo cavaleiro da esquerda para a direita), em seu
cavalo negro, brandindo sua grande maça. Ele também comanda
seus homens. À direita, o duque Guilherme se vira e abre seu
elmo, mostrando seu rosto a seus homens para tranquilizá-los:
ele havia caído de seu cavalo. Agora, já montado em seu
cavalo negro, ele novamente comanda o ataque para o assalto final. Logo
depois do duque, há a representação do conde Eustace,
que cavalga a seu lado segurando a bandeira que havia sido presenteada
pelo papa. Ele também aponta para os homens, seguindo à
frente e incentivando-os para o ataque. Nas cenas da lateral inferior,
de um lado os mortos no combate; do outro (à direita), arqueiros
fugindo.
Cena 33
...e aqui
outros caem...
No centro da cena, há guerreiros de pé
com as mãos levantadas. Um deles é golpeado na cabeça,
outros dois parecem se render. Um quarto combate com seu machado um
cavaleiro, que o golpeia bem no ombro. Ele tem seu escudo cheio de flechas.
É o início do fim. Nas cenas laterais inferiores, mais
arqueiros correm e disparam suas flechas no inimigo.
Cena 34

...que estavam com o rei Haroldo. Aqui o rei Haroldo é morto
e ocorre a fuga...
Trata-se da cena mais famosa do Tapete e que trata
da morte do rei Haroldo. Em um primeiro momento, ele está caído,
atingido por um cavaleiro normando que o golpeia com sua espada (no
centro da cena); seu longo machado cai de suas mãos. A
seguir, ele está de pé, atrás de vários
guerreiros que tentam inutilmente defendê-lo. No entanto, ele
tem uma flecha no rosto, vazando seu olho direito. Nesse momento, a
interpretação das duas cenas é dúbia. De
qualquer modo, o rei foi morto no final da batalha. Nas cenas laterais
inferiores, mais corpos estão estirados no chão, muitos
já desnudos (o que indica que já havia começado
o botim).
Cena 35

...dos ingleses
Com a morte de Haroldo, os ingleses fogem, sendo
perseguidos pela cavalaria normanda. A cena final da Tapeçaria
se perdeu; seria a coroação de Guilherme como rei da Inglaterra.