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Poema VIII de Guilherme de Aquitânia
(1071-1127)

Iluminura das Cantigas de Santa Maria
(Ms. escurialense).
I.
Farei uma cançãozinha nova
antes que vente, gele ou chova.
Minha senhora me tenta e me prova,
para saber de qual guisa é o amor.
E eu, por mais pleitos que me movam,
não me desatarei de seus nós.
II.
Antes, eu me submeto e me entrego a ela,
pode me inscrever em sua lista,
e que não me tenhas por ébrio,
se a minha boa senhora amo,
pois não posso viver sem ela,
tão faminto estou de seu amor.
III.
Ela é mais branca que o marfim,
por isso, a outra não adoro.
Se em breve não receber seu auxílio,
que minha boa senhora me ame,
morrerei, pela cabeça de São Gregório, [2]
caso ela não me beije no quarto ou sob a relva.
IV.
Qual proveito tereis, nobre senhora,
se de vosso amor me distanciar?
Parece que desejais tornar-se monja!
Saibais que a amo tanto,
que temo que a dor me fira,
caso não façais direito o erro que vos clamo.
V.
Qual proveito tereis se eu me enclaustro
e não me tiverdes como vosso?
Todo o gozo do mundo é nosso,
Senhora, se nos amarmos.
A meu amigo Daurostro
direi e ordenarei que cante, não relinche. [3]
VI.
Por isso, temo e estremeço,
porque te amo com um tão bom amor,
que penso nunca ter nascido igual
na grande linhagem de Adão. [4]
*
Notas
[1] Tradução
feita a partir da edição Guillermo IX. Duque de Aquitania
y Jaufré Rudel. Canciones completas (edicion bilingue preparada
por Luis Alberto de Cuenca y Miguel Angel Elvira). Madrid: Editora Nacional,
1978, p. 62-65.
[2] Impossível
saber com exatidão qual São Gregório Guilherme se
refere!
[3] A forma de cantar
o amor é fundamental: sem harmonia não há poesia!
[4] Parece claro que o
poema se dirige a uma dama que não cedeu aos encantos do poeta.
Guilherme está todo o tempo a louvar sua submissão, a demonstrar
paciência pela espera e ao mesmo tempo decisão de saber que
quer somente ela para si, pois seu amor é o maior que já
existiu, desde Adão.
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