Bibliofilia medieval. A felicidade da vida interior no amor aos livros

Parte II – Idade Média

Ricardo da COSTA

Resumo: Estudo sobre a Educação fundada no Espírito baseada na tradição bibliotecária ocidental e medieval, no amor à palavra impressa. Na Primeira Parte, há uma sequência cronológica, da Grécia a Roma, com informações a respeito dos primeiros centros bibliotecários existentes no Ocidente. Na Segunda Parte, sua trajetória a partir da disseminação do Cristianismo e o protagonismo da Igreja Católica. Dos primeiros religiosos cristãos, a tradição fundada por Bento de Núrsia (480-547) e Cassiodoro (c.485-585), até o enciclopedismo de Isidoro de Sevilha (c.560-636) e, finalmente, Richard de Bury (1287-1345) e sua obra Philobiblon.

Abstract: Study on Education founded on the Spirit in the Western and medieval library tradition, in the love of the printed word. In the First Part, there is a chronological sequence, from Greece to Rome, with information about the first library centers in the West. In the Second Part, its trajectory from the spread of Christianity and the leading role of the Catholic Church. From the first religious Christians, the tradition founded by Benedict of Nursia (480-547) and Cassiodorus (c.485-585), to the encyclopedism of Isidore of Seville (c.560-636) and finally, Richard de Bury (1287-1345) and his work Philobiblon.

Palavras-chave: Bibliofilia – História da Leitura – Bibliotecas – Bento de Núrsia – Cassiodoro – Isidoro de Sevilha – Richard de Bury.

Keywords: Bibliophile – History of Reading – Libraries – Benedict of Nursia – Cassiodorus – Isidore of Seville – Richard de Bury.

IV. Bento (480-547) e Cassiodoro (c.485-585), fundadores da Europa

Na Idade Média, os livros foram provavelmente mais decisivos na elaboração de teorias do que na Antiguidade e na Idade Moderna. Certamente, o Sócrates platônico explicava seu itinerário filosófico seguindo o fio de leituras de filósofos pré-socráticos, mas em seu conjunto a filosofia antiga surgiu do contexto imediato dos problemas políticos do momento (...) Em comparação, a filosofia medieval foi muito mais livresca (...) Um dos interesses básicos da filosofia medieval foi a harmonização das vozes discordantes no contexto da tradição (os grifos são meus).1

O Cristianismo é uma religião do Livro – aliás, como o Judaísmo e o Islamismo. Mas não só do livro, pois, diferentemente do Islamismo, por exemplo (em que o Alcorão regula a vida dos muçulmanos), o Cristianismo crê que Cristo é o Verbo (λóγος) encarnado e vivo2, isto é, palavra pensada, meditada, refletida: plenitude do pensamento.

O instrumento material que auxiliou a trilha dessa via do ser foi a Bíblia.3 O amor aos livros profanos daí decorreu.4 Por isso, as bibliotecas surgiram como espaços ideais para a meditação daquelas palavras escritas.5 E uma das primeiras dessa nova tradição foi a de Vivarium, de Cassiodoro (c. 485-585).

IV.1. Vivarium, locus amoenus

Imagem 9

Representação do mosteiro Vivarium, com grande destaque para seus tanques de piscicultura. Institutiones (séc. IX), Mainz, Universität Würzburg.

Antes de se retirar da vida pública, Cassiodoro foi um político: questor (507-511), cônsul ordinário (514), prefeito da pretoria (533) e chanceler real (magister officiorum) por trinta anos.6 Tudo sob o reinado da Itália do rei ostrogodo (e ariano) Teodorico, o Grande (454-526).7 Também foi um notável literato, autor de uma vasta obra: escreveu tratados históricos, filosóficos, gramaticais, panegíricos e cartas.8

Cassiodoro foi contemporâneo de Boécio (c.477-524).9 Como ele, ansiou transmitir aos pósteros a cultura da Antiguidade. Católico, com o papa Agapito I (c. 490-536) planejou a fundação de uma escola de estudos cristãos em Roma, mas o projeto foi abortado por causa da Guerra Gótica (535-554), estopim bélico que o obrigou a se exilar em Constantinopla com o papa Vigílio (c. 500-555).10

Com o fim da guerra, Cassiodoro retornou para a Itália. Tinha cerca de sessenta anos quando decidiu se retirar da vida pública e fundar um mosteiro em uma de suas propriedades, possivelmente em Squillace, na Calábria (sul da Itália): Vivarium (ou Castellum). Além do mosteiro, havia uma biblioteca, um scriptorium – aposento preparado para o trabalho de copiar e ilustrar (iluminar) obras antigas11 – e um viveiro para a criação de peixes (imagem 9).

Lá Cassiodoro lançou um programa cultural baseado no estudo do Trivium (Gramática, Dialética e Retórica) e no Quadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astronomia).12 Essas disciplinas haviam sido apresentadas como auxiliares (servas) da Filologia na obra Sobre o Casamento da Filologia e Mercúrio (De Nuptiis Philologiae et Mercurii, séc. V) de Marciano Capela (fl. 410-420)13, texto que serviu de inspiração para a base curricular de toda a Educação ocidental, do séc. V ao Renascimento do séc. XII.14 As disciplinas do Trivium são assim definidas:

A gramática é a arte de discursar com beleza, uma habilidade que adquirimos através dos poetas e autores ilustres (Inst., Livro II, cap. I, 1).15

A retórica é a ciência do bem falar acerca de questões civis (Inst., Livro II, cap. II, 1).16

Varrão definiu a dialética e a retórica em Nove livros das disciplinas, usando a seguinte comparação: “Dialética e retórica são o punho fechado e a palma aberta da mão de um homem”. Uma encerra os argumentos numa breve oração, a outra percorre os campos da eloqüência com um discurso abundante; uma contrai a linguagem, a outra a distende (Inst., Livro II, cap. III, 2).17

E o Quadrivium:

Os escritores das letras seculares estabeleceram a aritmética como a primeira entre as disciplinas matemáticas, porque a música, a geometria e a astronomia, que a seguem, precisam dela para explicar suas noções (Inst., Livro II, cap. IV, 1).18

Ao tratar da Música, Cassiodoro nos proporcionou uma de suas mais belas definições:

A música difunde-se por todos os atos de nossa vida à medida que praticamos sobretudo os mandamentos do Criador e obedecemos de coração puro às regras por Ele instituídas. O que quer que digamos, o que quer que nos mova desde dentro pelo pulsar das veias, está associado pelos ritmos musicais à força da harmonia. A música é, como se vê, a ciência da correta modulação. A ela nos ligamos quando fazemos uso do bom convívio em nossas relações.

Mas quando praticamos iniquidades, já não possuímos música. O céu, a terra e todas as coisas neles realizadas pelo governo divino estão vinculadas à disciplina musical; ora, Pitágoras atesta que este mundo foi criado e pode ser governado por meio da música (Inst., Livro II, cap. IV, 2).19

E a Geometria e a Astronomia:

Voltemo-nos agora à geometria, que é a descrição especulativa das formas e a prova visível de que dispõem os filósofos (...) Tudo o que é bem arranjado e acabado pode ser atribuído às qualidades dessa disciplina (...) A geometria é, em verdade, a ciência da extensão imóvel e das formas (Inst., Livro II, cap. VI, 1 e 2).20

Resta tratar da astronomia. Se a buscamos com espírito moderado e casto, ela esclarece nossas ideias, como dizem os antigos, com grande luminosidade. É como subir com a alma até os céus, examinar racionalmente toda aquela máquina suprema e colher, em parte, com a sutileza contemplativa da inteligência, o que os mistérios de tanta grandeza esconderam. Ora, diz-se que o próprio mundo foi encerrado na circularidade esférica para encerrar as formas das coisas no espaço circular de sua órbita. Donde Sêneca compôs um livro em forma de diálogo, como é costume entre os filósofos, cujo título é Da forma do mundo. Livro que também vos deixamos para ler (...) A astronomia é, portanto, como já foi dito, a ciência que versa sobre o curso dos astros no céu. Ela investiga todas as formas e percorre as configurações das estrelas em relação a si mesmas e à Terra (Inst., Livro II, cap. VII, 2, 1 e 2).21

A proposta de Cassiodoro era preservar o patrimônio cultural antigo. Por isso, na biblioteca do mosteiro figuravam obras gregas de Homero (séc. VIII a.C.), Hipócrates (c.460-370 a.C.), Platão (c.427-348 a.C.), Aristóteles (384-322 a.C.), Euclides (fl.300 a.C.), Arquimedes (c.287-212 a.C.), Galeno (129-216) e Ptolomeu (c.100-170). De autores latinos, textos de Ênio (c.239-169 a.C.), Terêncio (c.195-159 a.C.), Varrão (116-27 a.C.), Cícero (106-43 a.C.), Lucrécio (c.99-55 a.C.), Salústio (86-35 a.C.), Virgílio (70-19 a.C.), Horácio (65-8 a.C.), Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), Plínio, o Velho (23-79), Quintiliano (c.35-95) e Macróbio (fl.400).22

Após a morte de Cassiodoro, o mosteiro de Vivarium desapareceu. Sem deixar vestígios! Quanto a seus livros, alguns foram para a biblioteca papal, outros para bibliotecas de cidades episcopais (Pavia, Milão, Ravena e Verona). Mas o mais importante fora semeado: se não fosse o trabalho de seus monges copistas em Vivarium, possivelmente não teríamos conhecido as obras clássicas completas (com exceção das de Virgílio).23

Por tudo isso, Cassiodoro já foi considerado um dos pais da Idade Média, não só por ter defendido a sabedoria antiga, a leitura dos clássicos e a necessidade de copiar suas obras para que não desaparecessem, mas sobretudo por ter influenciado Isidoro de Sevilha (c.560-636), Beda, o Venerável (c.672-735) e Alcuíno de York (c.735-804).24

IV.2. Bento e a centralidade da leitura

Imagem 10

Um livro de presente: entronado, São Bento (à esquerda) presenteia sua Regra a São Mauro (seu primeiro discípulo), admoestando-o a segui-la, enquanto outros dois monges observam a cena e comentam. Regula Sancti Benedicti (séc. XII), Saint Gilles, Nîmes, França, BL Add MS 16979, folio 21v.

Contemporâneo de Cassiodoro, Bento de Núrsia (480-547) foi declarado pela Igreja Católica patrono da Europa.25 Com sua Regra (c. 530)26, fundou um programa de vida, com disciplina e moderação, ordem e obediência, hierarquia na igualdade.27

Sua Ordem, a beneditina, espalhou-se pela Europa e, para o tema que aqui nos interessa, criou escolas monásticas por todo o continente que, pelas circunstâncias históricas refratárias ao estudo, se transformaram em refúgios da cultura intelectual.28

Na Regra, há determinações expressas para que os monges beneditinos se dediquem à leitura:

Capítulo 38 - Do leitor semanário

1. Às mesas dos irmãos não deve faltar a leitura; não deve ler aí quem quer que, por acaso, se apodere do livro, mas sim o que vai ler durante toda a semana, a começar do domingo.

Capítulo 48 - Do trabalho manual cotidiano

1. A ociosidade é inimiga da alma; por isso, em certas horas devem ocupar-se os irmãos com o trabalho manual, e em outras horas com a leitura espiritual (...).

4. Da hora quarta até mais ou menos o princípio da hora sexta, entreguem-se à leitura (...).

10. De 14 de setembro até o início da Quaresma, entreguem-se à leitura até o fim da hora segunda (...),

13. Depois da refeição, entreguem-se às suas leituras ou aos salmos.

14. Nos dias da Quaresma, porém, da manhã até o fim da hora terceira, entreguem-se às suas leituras, e até o fim da décima hora trabalhem no que lhes for designado.

15. Nesses dias de Quaresma, recebam todos respectivamente livros da biblioteca e leiam-nos pela ordem e por inteiro;

16. esses livros são distribuídos no início da Quaresma (...).

23. Também no domingo, entreguem-se todos à leitura, menos aqueles que foram designados para os diversos ofícios.

24. Se, entretanto, alguém for tão negligente ou relaxado, que não queira ou não possa meditar ou ler, determine-se-lhe um trabalho que possa fazer, para que não fique à toa.29

Ora et labora.30 Acrescente-se que labora também inclui, como se vê nas passagens acima da Regra, a leitura, o estudo – e a consequente meditação do que se leu. Mas também Scienter nescia et sapienter indocta (“conscientemente ignorante e sabidamente sem instrução”): trata-se da douta ignorância, incessante paradoxo na vida cultural da Igreja.31

Claro que essa perplexidade existencial, trabalho manual com trabalho intelectual (ou vida ativa e vida contemplativa) é mais que isso: o sintético aforismo da douta ignorância (posteriormente desenvolvido filosoficamente por Nicolau de Cusa [1401-1464]32), não significa aceitar passivamente nossas dificuldades compreensivas, mas reconhecer que nossa insignificância diante do universo é fundamental pressuposto para a aquisição do conhecimento, predisposição livre de preconceitos, com mente e coração abertos e espontaneamente dispostos a aprender a maravilha da Criação.

Por isso, a tradição beneditina logo desenvolveu o conceito de paisagem cultural33 – a biblioteca como um ambiente total (além de reservatório livresco propriamente dito, local para leitura e cópia de obras manuscritas), lugar privilegiado de estudo diretamente associado aos seus mosteiros.

 
 
 
 

– CONTINUA –

 

 

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Fontes

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CARTA APOSTÓLICA PACIS NUNTIUS DEL SUMO PONTÍFICE PABLO VI. PROCLAMACIÓN DE SAN BENITO COMO PATRONO DE EUROPA. PARA RECUERDO PERPETUO.

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NICOLAU DE CUSA. A Douta Ignorância (trad., introd. e notas: João Maria André). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.

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Bibliografia citada

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STOPPACCI, Patrizia. “A herança do mundo antigo e a nova cultura cristã”. In: ECO, Umberto (org.). Idade Média I. Bárbaros, cristãos e muçulmanos. Alfragide: D. Quixote, 2014, p. 467-470.

Notas

  • 1. FLASCH, Kurt. El pensament filosòfic a l’Edat Mitjana. Santa Coloma de Queralt: Obrador Edèndum, 2006, p. 134.
  • 2. “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.” – Jo 1, 1.
  • 3. MIGUEL ALDAZ, Luis. La Encarnación del Logos, plenitud de la naturaleza humana. Quito: Pontificia Universidad Católica del Ecuador, 2014.
  • 4. “Pour moi, il est clair que l’Europe est apparue entre le IVe et le VIIe siècle, sous l’effet de deux phénomènes considérables; le premier étant le métissage entre les anciens habitants de l’Empire romain et ceux que l’on appelle traditionnellement les Barbares; le second étant le christianisme, qui a été incontestablement l’idéal commun de tout le continent. Cette Europe-là a eu beaucoup de chance dans son histoire. À commencer par l’héritage antique. Il n’y aurait pas eu d’Europe sans les bibliothèques, sans la présence du savoir gréco-romain dans l’enseignement. Platon, Aristote, Cicéron, c’est bien le Moyen Âge qui les a fait connaître et qui les a installés dans la pensée européenne!” (“Para mim, está claro que a Europa nasce entre o século IV e VII, sob o efeito de dois fenômenos consideráveis: o primeiro é a mestiçagem entre os antigos habitantes do Império Romano e aqueles que chamamos tradicionalmente de bárbaros; o segundo é o cristianismo, que foi incontestavelmente o ideal comum de todo o continente. Essa Europa teve muitas oportunidades em sua história. A começar pela herança antiga. Não haveria Europa sem as bibliotecas, sem a presença do saber greco-romano no ensino. Platão, Aristóteles, Cícero, é a Idade Média que os tornou conhecidos e que os instalou no pensamento europeu!”) (os grifos são meus) – ROUGE, Jean-François; ARMANET, Max; DESMEDT, Gérard. “Les convictions européennes de l'historien Jacques Le Goff”. In: La Vie.
  • 5. Se producían libros nuevos en gran parte gracias a la religión cristiana que, a diferencia de otras creencias paganas anteriores, transfería ideas a los nuevos fieles mediante la palabra escrita en vez de una simple instrucción oral. Los que se convertían también recordaban las historias, los himnos y los rituales gracias a los textos. Los interminables debates que los eruditos cristianos crearon con ideas nuevas e interpretaciones de textos más antiguos, sus comentarios y los cismas resultantes todos dieron lugar a un auge en la producción de libros y la lectura, aunque también a la destrucción de aquellos libros considerados subversivos.” (os grifos são meus) – CARTWRIGHT, Mark. “Las bibliotecas de la antigüedad”. In: World History Encyclopedia en español.
  • 6. BANNIARD, Michel. “Cassiodoro”. In: LE GOFF, Jacques (dir.). Homens e mulheres na Idade Média. São Paulo: Estação Liberdade, 2013, p. 45.
  • 7. Ario (c. 256-336), presbítero de Alexandria, defendeu que “...o Logos, a Palavra de Deus que em Jesus se fizera carne, não era o próprio Deus, mas uma criatura infinitamente superior aos anjos, embora como eles criada do nada antes do começo do mundo.” – DUFFY, Eamon. Santos & Pecadores. História dos Papas. São Paulo: Cosac & Naif, 1998, p. 22.
  • 8. STOPPACCI, Patrizia. “A herança do mundo antigo e a nova cultura cristã”. In: ECO, Umberto (org.). Idade Média I. Bárbaros, cristãos e muçulmanos. Alfragide: D. Quixote, 2014, p. 469-470.
  • 9. Autor de uma das obras mais influentes na Idade Média: a Consolação da Filosofia. Ver BOÉCIO. Consolação da Filosofia (trad.: Luís M. G. Cerqueira). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2011. Edição brasileira: SEVERINO BOÉCIO. A consolação da Filosofia (trad.: André Gonçalves Fernandes; apres.: Ricardo da Costa). Campinas, SP: Vide Editorial, 2023.
  • 10. STOPPACCI, Patrizia. “A herança do mundo antigo e a nova cultura cristã”, op. cit., p. 469.
  • 11. KAUFFMANN, Martin. “Scriptorium”. In: Grove Arte Online. Oxford University Press, 2003.
  • 12. MINOIS, George. História da Idade Média. Mil anos de explendores e misérias. São Paulo: Editora Unesp, 2023, p. 78.
  • 13. CARDIGNI, Julieta. De nuptis Philologiae et Mercurii o la farsa del discurso. Una lectura literaria de Marciano Capela. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Editorial de la Facultad de Filosofía y Letras Universidad de Buenos Aires, 2018.
  • 14. SILVA, Matheus Corassa da; COSTA, Ricardo da. “A Alegoria. Do Mundo Clássico ao Barroco”. In: OSWALDO IBARRA, César; LÉRTORA MENDONZA, Celina (coords.). XVIII Congreso Latinoamericano de Filosofía Medieval – Respondiendo a los Retos del Siglo XXI desde la Filosofía Medieval. Actas. Buenos Aires: Ediciones RLFM, 2021, p. 91.
  • 15. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 149.
  • 16. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 153.
  • 17. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 167.
  • 18. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 197.
  • 19. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 211.
  • 20. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 219-221.
  • 21. CASSIODORO. Institutiones. Introdução às letras divinas e seculares, op. cit., p. 223.
  • 22. FLASCH, Kurt. El pensament filosòfic a l’Edat Mitjana, op. cit., p. 134.
  • 23. PREVITÉ-ORTON, C. W. Historia del Mundo en la Edad Media. Desde el Bajo Imperio Romano hasta la disolución del Imperio Carolingio. Tomo I. Barcelona: Editorial Ramon Sopena, S. A., 1967, p. 404.
  • 24. M. COLOMBÁS, García. La tradición benedictina. Ensayo histórico II. Los siglos VI y VII. Zamora: Ediciones Monte Casino, 1990, p. 418.
  • 25. “...Con el libro, o sea con la cultura, el mismo San Benito, de quien tantos monasterios tomaron nombre y vigor, salvó con providencial solicitud, en el momento en que el patrimonio humanista estaba desperdigándose, la tradición clásica de los antiguos, transmitiéndola intacta a la posteridad y restaurando el culto del saber (...) Por lo tanto, a propuesta de la Sagrada Congregación de Ritos, tras atenta consideración, en virtud de Nuestro poder apostólico, con el presente Breve y para siempre constituimos y proclamamos a San Benito Abad celestial Patrono principal de toda Europa, con todos los honores y privilegios litúrgicos que de derecho corresponden a los Protectores primarios. Y ello contra cualquier disposición en contrario (os grifos são meus).” – CARTA APOSTÓLICA PACIS NUNTIUS DEL SUMO PONTÍFICE PABLO VI. PROCLAMACIÓN DE SAN BENITO COMO PATRONO DE EUROPA. PARA RECUERDO PERPETUO.
                Ideia, aliás, da qual Jacques Le Goff (1924-2014) discorda. Para o medievalista francês, os fundadores culturais da Idade Média foram Boécio (c. 477-524), Cassiodoro (c.485-585), Isidoro de Sevilha (c. 570-636), Beda, o Venerável (c. 672-735) e o papa Gregório Magno (c. 540-604). Ver LE GOFF, Jacques. ¿Nació Europa en la Edad Media? Barcelona: Crítica, 2003, p. 17-18.
  • 26. SÃO BENTO DE NÚRSIA (480-547). Regra de São Bento (c. 530) (trad.: Dom João Evangelista Enout, OSB).
  • 27. M. COLOMBÁS, García. La tradición benedictina. Ensayo histórico II. Los siglos VI y VII, op. cit., p. 24.
  • 28. NUNES, Ruy Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média. Campinas, SP: Kírion, 2018.
  • 29. SÃO BENTO DE NÚRSIA (480-547). Regra de São Bento (c. 530) (trad.: Dom João Evangelista Enout, OSB).
  • 30. Expressão do séc. XIX. Ver MEEUWS, Marie-Benoît D., OSB. “Ora et Labora: devise bénédictine?”. In: Collectanea Cisterciensia, vol. 54, 1992, p. 193-219.
  • 31. LECLERCQ, Jean. O amor às letras e o desejo de Deus. Iniciação aos autores monásticos da Idade Média. São Paulo: Paulus, 2012, p. 21.
  • 32. NICOLAU DE CUSA. A Douta Ignorância (trad., introd. e notas: João Maria André). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.
  • 33. BARBIER, Fréderic. As paisagens da escrita e do livro. Cotia, SP: Ateliê Editorial; São Paulo: Edições Sesc São Paulo: 2023, p. 11.

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