Mulheres na Idade Média

Imagem 1

Um cavaleiro ajoelhado (à esquerda), com uma túnica vermelha sobre sua armadura, recebe um elmo com um cisne como crista das mãos de uma jovem dama em pé (à direita). Canto inferior direito (drôlerie) de uma página iluminada de uma cópia (1338-1344) do Roman d'Alexander (séc. XII). Pergaminho, Bodleian Library, MS. Bodley 264, folio 101v.

“Como as mulheres eram infelizes na Idade Média! Elas não podiam fazer nada”. Em algum momento você já ouviu isso. É verdade? Como podemos saber o que acontecia na vida das pessoas há mil anos? No coração das mulheres?

De todos os períodos de nossa História, a Idade Média é o mais injustiçado na imaginação popular. Ela é considerada a época com mais ignorância, brutalidade, sujeira, falta de educação. Caro leitor, adianto que é muito difícil desfazer essa mitologia.1 Mas pretendo esclarecer pelo menos esse ponto sobre as mulheres.

Com as invasões bárbaras no século V, a Europa ocidental se fragmentou em vários reinos. O Império Romano não resistiu às pressões externas daquelas tribos. Vândalos no norte da África, visigodos na Península Ibérica, francos na atual França, anglos e saxões na Inglaterra, muitas foram as culturas que se assentaram no território romano.2 O Império já havia se convertido ao Cristianismo – desde o imperador Constantino, o Grande (272-337).3 Os bárbaros foram se convertendo aos poucos. E em boa parte graças às mulheres! Isso porque, na maioria dos casos, elas se convertiam antes de seus maridos.4 As rainhas.

O exemplo mais famoso é o da conversão do rei dos francos, Clóvis I (481-509), ao Catolicismo, graças à insistência de sua segunda esposa, a rainha Santa Clotilde (c. 474-545).5 Aliás, a educação na corte era estendida às mulheres: as esposas de Clotário I (497-561), Ingunda (c. 510-546) e Santa Radegunda (c. 520-587) receberam educação religiosa e intelectual. Radegunda, inclusive, fundou mosteiros e a famosa abadia de Poitiers, que teve como uma de suas monjas a escritora Baudonívia (séc. VI).6 Ou seja: desde muito cedo, a organização da Igreja Católica, a única instituição que sobreviveu à crise do Império Romano, favorecia o estudo e a leitura nas bibliotecas de seus mosteiros – inclusive femininos.

Imagem 2

“Radegunda no jardim”. Iluminura da Vida de Santa Radegunda, Poitiers, Abbey of Saint Croix, manuscrito, França, séc. XI (Photo by DeAgostini/Getty Images).

Essa tradição de educação de corte para as mulheres provavelmente foi mantida. E lentamente expandida. No século IX, uma aristocrata chamada Dhuoda (c. 803-843) escreveu uma obra, Manual para meu filho.7 O rapaz, chamado Guilherme, tinha dezesseis anos e havia entrado na corte do rei Carlos, o Calvo (823-877). São ensinamentos religiosos e apresentação de obrigações morais e sociais – fidelidade ao rei, aos bispos e padres. É um escrito de Educação – hoje diríamos Pedagogia. O fato de ela ter escrito uma obra sugere que deveria haver uma estrutura educacional, mesmo rudimentar, aberta às mulheres. Pelo menos às de nascimento privilegiado.

Por todas as partes nesse período mais recuado da Idade Média encontramos mulheres que se destacaram em seus afazeres. Nas Ilhas Britânicas, Etelfleda de Wessex (c. 869-718), após a morte de seu marido, o rei da Mércia Etelredo II (morto em 911), governou o reino e mandou construir várias cidades fortificadas. No continente, a duquesa Inês da Borgonha (c. 990-1068) foi participante muito ativa da política de seu tempo – chegou inclusive a governar o ducado da Aquitânia durante a menoridade de seu filho, Guilherme VII, a Águia (1023-1058).8

Imagem 3

Rei Alfredo e sua filha Æthelflæd, senhora dos mercianos. Crônica Genealógica dos Reis Ingleses (séc. XIII), © British Library Board, MS Royal 14 B V folio 12r.

No mesmo século XI, outra mulher de grande destaque foi a Condessa Matilde de Canossa (ou de Toscana, 1046-1115).9 Além de governante, também ficou famosa por seu desempenho militar.10 Ela teve participação ativa na Questão das investiduras (1075-1122) – disputa pela autoridade que faria as nomeações na Igreja Católica, o imperador ou o papa – e como mediadora do conflito entre o Imperador Henrique IV (1050-1106) e o Papa São Gregório VII (c. 1015-1085).11

Imagem 4

Matilde de Canossa entronada. Vita Mathildis des Donizo (c. 1115). Cidade do Vaticano, BAV, Sra. Vat. lat. 4922, folio 7v. Nesse quadro de dedicação (dedicatio), Matilde está sentada em um trono sob um elevado baldaquino, entre um monge (com um livro aberto) e um cavaleiro (com uma espada). Ela tem um cetro em forma de planta na mão direita. A legenda diz: Mathildis lucens precor hoc cape cara volumen ("Querida Mathilde, rogo que pegue este precioso livro").

Isso para nos referirmos somente às mulheres bem-nascidas, casadas com governantes ou elas próprias governantes. Em toda a Alta Idade Média (sécs. V-X), elas dedicaram suas vidas à Igreja. Santas, monjas. Poderosas abadessas – isso sem contar as que ofereceram seu sangue, as mártires (por exemplo, entre muitas centenas de outras, Santa Inês de Roma [c. 291-304], Santa Cecília [†c. 230], Santa Ágata [séc. III], Santa Blandina [séc. II], Genoveva [423-c.512])!12

Além da já citada rainha Clotilde (c. 474-545), cuja conversão e influência na conversão de seu marido mudou o rumo da História do Ocidente, são influentes mulheres medievais de perder a conta: Attracta (séc. V-VI), Cwyllog (séc. VI), Dimpna (sécs. VI-VII), Bertha de Kent (c. 565-601), Rictrude (c. 614-688), Chrodoara (†c. 633), Helena de Bruxelas (†c. 640), Burgundofara (†c. 643 ou 655), Begga de Landen (613-693), Batilda (626-680), Aldegunda (c. 639-684), Valdetrude de Mons (†688), Amalberga de Maubege (séc. VII), Begneta (séc. VII), Cwenburh of Wimborne (séc. VIII), Amalberga de Temse (c. 741-772), Anstrudis († 688), Angadrisma (†c. 695), Berlinda (†c. 702), Bertha de Artois († 725), Edburga de Minster-in-Thanet (†759), Ava (séc. IX), Edith de Polesworth (†c.960), Santa Cunegunda de Luxemburgo (975-1033), Santa Gisela (c. 985-1065) – esta última se casou com Estêvão, príncipe dos húngaros, convertendo-o (é o famoso Santo Estêvão [c. 975-1038], fundador da Dinastia de Arpad).13 Santa Gisela era irmã do imperador Santo Henrique II (973-1024), que foi casado com Santa Cunegunda de Luxemburgo (975-1033). A lista feminina medieval é interminável.14

E o que mais impressiona é a determinação, a profunda (e fecunda) força cristã da fé feminina. Vou contar só um (belo) exemplo de vida. Rictrude (c. 614-688) nasceu pagã, se converteu e se casou com Adalberto I de Ostrevent, duque de Douai (†c. 652). Após o assassinato de seu marido por parentes dela (provavelmente ressentidos por ela ter se casado com um inimigo de seu povo, os gascões), Rictrude recusou se casar novamente. Resistiu à pressão do rei da Nêustria e da Borgonha, Clóvis II (633-657), e entrou para o mosteiro de Marchiennes (condado de Flandres).15 E se tornou abadessa, ou seja, administradora da vida espiritual dos monges e monjas daquele mosteiro (sim, Marchiennes era um dos mosteiros duplos – monasteria duplicia – isto é, masculino e feminino, todos submetidos a uma só regra, vivendo em alas separadas, mas sujeitos a uma mesma autoridade, que podia ser exercida, como no caso de Marchiennes, por uma mulher). E governante de suas posses, ampliadas graças ao trabalho de secagem dos pântanos, drenagem e desmatamento.

Imagem 5

Inicial iluminada (S) de um Antifonário para uso da Abadia de Santa Rictrude de Marchiennes (c. 1569-1570). Na cena, a santa, rodeada pelas armas da França e de Marchiennes, apresenta um modelo reduzido de uma igreja. Hainaut, Douai, BM, Ms. 0121. Iluminador: Hubert Cailleau (c. 1526–1590).

Em Marchiennes, Rictrude foi enterrada – na lápide está escrito virtutis ager, pietatis imago (“campo de virtude, modelo de piedade”).16 Após sua morte, foram registrados milagres no túmulo de Rictrude. Por isso, seus ossos foram trasladados para Paris. No século XVIII, infelizmente com o Terror da Revolução Francesa (1793), seus restos mortais foram perdidos, provavelmente profanados – os sedentos revolucionários já haviam fechado o mosteiro, em 1791.17

Cada mulher, um mundo, uma história. Sempre fascinante. Desde a peregrina Egéria (séc. IV)18 e Santa Monica (c. 332-387), mãe de Santo Agostinho19, até a escritora Cristina de Pisan (1364-1430)20 e a mártir Joana D’Arc (1412-1431)21 – passando por Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179)22 e Heloísa (c. 1100-1163)23, Eleanor de Aquitânia (1122-1204)24 e Blanca de Castela (1188-1252)25 –, a Idade Média foi um tempo pródigo de mulheres fortes. E devotas. E foi também, como não podia deixar de ser, pródigo de mulheres que viveram plenamente sua sexualidade26 Mundo esquecido pelos movimentos feministas do séc. XX porque as mulheres da Idade Média semearam o Cristianismo pelo continente europeu, religião odiada pelas testosterônicas revolucionárias porque considerada “opressora”.27 Pelo contrário, segundo essa fé, criados conjuntamente e queridos por Deus, homem e mulher têm a mesma dignidade. E Ele quer o homem e a mulher um para o outro, porque foram feitos um para o outro.28

Com essa nova dignidade, as mulheres ascenderam socialmente. Culturalmente. Processo longo e não sem retrocessos, como é natural com tudo o que diz respeito ao que é humano. E para não dizer que não falei de espinhos, encerro essa brevíssima nota sobre as mulheres medievais com a primeira escritora na História a viver de seus escritos – após a morte do marido, com três filhos para criar! – Cristina de Pisan (1364-1430), que escreveu um livro para defender seu gênero contra discursos misóginos: a Cidade das Damas (1405), um manual de Educação dedicado a Margarida de Borgonha (1393-1442), Delfina da França.

Imagem 6

Cristina de Pisan entrega uma obra sua ao rei Carlos VI da França (1368-1422). Iluminura do Livro da Rainha. British Library, Harley MS 4431, folio 178r.

Como muitos textos medievais, a Cidade das Damas foi escrito em forma de alegoria.29 Cristina narra, em primeira pessoa, que recebeu a visita de três damas coroadas: a Razão, a Retidão e a Justiça. Em um dos diálogos, a personificação da Razão diz a Cristina:

Como a Natureza, discípula do Mestre Divino, poderia ter mais poder do que Aquele quem lhe confere sua autoridade? Deus teve em Seu pensamento eterno a ideia do homem e da mulher. Quando quis criar Adão do limo da terra no campo de Damasco, assim O fez, e levou-o até o Paraíso Terreno, que era e continua sendo o lugar mais formoso deste mundo. Ali o deixou dormindo e formou o corpo da mulher com uma de suas costelas, para significar que ela deveria permanecer a seu lado como sua companheira, não estar a seus pés como uma escrava, e que ele haveria de querê-la como a sua própria carne.

Se o Soberano Trabalhador não se envergonhou criando o corpo feminino, por que a Natureza se envergonharia? Dizer isso é o cúmulo da loucura e, além disso, como foi formado o corpo da mulher? Não sei se vos dais conta de que ela foi formada à imagem de Deus. Como pode haver línguas que lhe neguem uma marca tão nobre? No entanto, há loucos que acreditam, quando ouvem dizer que Deus fez o homem à Sua imagem, que se trata do corpo físico. Nada mais falso, já que Deus ainda não havia tomado o corpo humano. Pelo contrário, se trata da alma, reflexo da imagem divina, e esta alma, na verdade, Deus a criou tão boa, nobre e idêntica no corpo do varão quanto no da mulher. Como dizíamos, a mulher foi criada pelo Soberano Trabalhador no Paraíso Terreno, e de qual substância? Não de vil matéria, mas da mais nobre criada, pois Deus a fez do corpo do homem.30

Não posso discordar de Cristina: a mulher foi criada para estar ao lado do homem como sua companheira, não estar a seus pés como uma escrava! Graças ao pensamento teológico católico, à Igreja Católica, o Ocidente se abriu para a igualdade entre os sexos, diferentemente do mundo islâmico!31

Imagem 7

Um padre realiza uma cerimônia de casamento. Decretais de Gregório IX (com glossa ordinária de Bernardo de Parma), de Raimundo de Peñafort. Séc. XIII, Paris, British Library, Royal 10 D VII, folio 233. Observe-se a ênfase na igualdade entre homem e mulher diante do padre expressa na paleta de cores escolhida pelo iluminador: ambos estão com vestes com s mesmas cores (violeta e vermelho). Ademais, como no hieratismo medieval a importância do personagem representado era expressa pelo tamanho da figura, o padre está mais alto que o casal, e tanto o homem quanto a mulher têm rigorosamente a mesma altura!

Notas

  • 1. ECO, Umberto. “Introdução à Idade Média”. In: ECO, Umberto (dir.). Idade Média - bárbaros, cristãos e muçulmanos. Lisboa: D. Quixote, 2014, p. 13-40.
  • 2. COSTA, Ricardo da. “Do fim do Mundo Antigo à Alta Idade Média (100-600 d.C.)”. InInternational Studies on Law and Education – 7 (janeiro-abril 2011), p. 97-102.
  • 3. LEITHARD, Peter. Em defesa de Constantino. O crepúsculo de um Império e a aurora da cristandade. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2020.
  • 4. WEMPLE, Suzanne Fonay. “As mulheres do século V ao século X”. In: DUBY, Georges, PERROT, Michelle (dir.). História das Mulheres no Ocidente. Vol. 2: a Idade Média. Porto: Edições Afrontamento, s/d, p. 228.
  • 5. COSTA, Ricardo da. “A gênese da concepção monárquica no Ocidente cristão (sécs. IV-VI)”. InMirabilia 25 (2017/2), p. 1-24.
  • 6. DUMÉZIL, Bruno. “Santa Radegunda. Cerca de 520-587”. In: LE GOFF, Jacques (dir.). Homens e mulheres da Idade Média. São Paulo: Estação Liberdade, 2013, p. 48-50.
  • 7. DHUODA. La Educación Cristiana de mi hijo (introd., trad. y notas de Marcelo Merino). Pamplona: Ediciones Eunate, 1995.
  • 8. LABARGE, Margaret Wade. La mujer en la Edad Media. Madrid: Nerea, 1989, p. 22-23.
  • 9. FUMAGALLI, Vito. Matilde di Canossa. El poder y la soledad de una mujer del Medioevo. México: Fondo de Cultura Económica, 1999.
  • 10. GOLINELLI, Paolo. “Nonostante le fonti: Matilde di Canossa donna”. In: PIO, Berardo Pio (ed.). Scritti di Storia Medievale offerti a Maria Consiglia De Matteis. Spoleto: Fondazione Centro Italiano di Studi Sull’Alto Medievo, 2011, p. 249-266.
  • 11. MAIRE VIGUEUR, Jean-Claude. “Matilde de Canossa. 1045/1046/1115”. In: LE GOFF, Jacques (dir.). Homens e mulheres da Idade Média. São Paulo: Estação Liberdade, 2013, p. 147-149.
  • 12. PERNOUD, Régine. Idade Média. O que não nos ensinaram. São Paulo: Linotipo Digital, 2016, p. 143.
  • 13. SODANO, Giulio. “A Hungria”. In: ECO, Umberto (dir.). Idade Média – Catedrais, cavaleiros e cidades. Lisboa: D. Quixote, 2013, p. 101-102.
  • 14. Female / Women Saints A-Z”. In: Catholic Online Saint & Angels.
  • 15. UGÉ, Karine. “The Legend of Saint Rictrude”. InAnglo-Norman Studies 23, 2000, pp. 281-297.
  • 16. Rictrudis, S.”. InVollständiges Heiligen-Lexikon (Léxico Completo de Santos), Band 5. Augsburg 1882, s. 95-96.
  • 17. GADY, Alexandre. “O vandalismo revolucionário”. In: ESCANDE, Renaud. O Livro Negro da Revolução Francesa (dir.). Lisboa: Alethéia Editores, 2010, p. 208-216, e OZOUF, Mona. “Descristianização”. In: FURET, François; OZOUF, Mona. Dicionário Crítico da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989, p. 26-39.
  • 18. ARCE, Agustín (ed.). Itinerario de la Virgen Egeria (381-384). Madrid: Biblioteca Autores Cristianos, 1996.
  • 19. COSTA, Ricardo da. “Santa Mônica – A criação do ideal da mãe cristã”. InGrupos de Trabalho III — Antigüidade Tardia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1995, p. 21-35.
  • 20. CRISTINA DE PIZAN. La Ciudad de las Damas (edición a cargo de Marie-José Lemarchand). Madrid: Ediciones Siruela, 2000.
  • 21. SACKVILLE-WEST, V. Santa Joana D’Arc. Nascida em 6 de janeiro de 1412, queimada como herege em 30 de maio de 1431, canonizada em 16 de maio de 1920. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.
  • 22. HILDEGARDA DE BINGEN. Libro de las obras divinas (trad. de María Isabel Flifisch, María Eugenia Góngora y María José Ortúzar). Barcelona: Herder, 2009; PERNOUD, Régine. Hildegarda de Bingen. A consciência inspirada do século XII. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
  • 23. ABELARDO E HELOÍSA. Historia calamitatum. História das minhas calamidades e Cartas de Heloísa (prefácio, tradução e notas de Abel Nascimento Pena). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.
  • 24. MEADE, Marion. Eleonor de Aquitânia. Uma biografia. São Paulo: Brasiliense, 1991.
  • 25. PERNOUD, Régine. La reina Blanca de Castilla. Barcelona: El Acantilado, 2013.
  • 26. COSTA, Ricardo da; SANTOS, Armando Alexandre dos. “A imagem da mulher medieval em O Sonho (1399) e Curial e Guelfa (c. 1460)”. IneHumanista/IVITRA vol. 5 (2014), p. 424-442.
  • 27. Um clássico do gênero feminista de meias-verdades é o de RANKE-HEINEMANN, Uta. Eunucos pelo Reino de Deus. Mulheres, sexualidade e a Igreja Católica. Rio de Janeiro: Record, Rosa dos Tempos, 1996.
  • 28. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Paulus Editora, 1992, p. 94-95.
  • 29. SILVA, Matheus Corassa da; COSTA, Ricardo da. “A Alegoria. Do Mundo Clássico ao Barroco”. In: OSWALDO IBARRA, César; LÉRTORA MENDONZA, Celina (coords.). XVIII Congreso Latinoamericano de Filosofía Medieval – Respondiendo a los Retos del Siglo XXI desde la Filosofía Medieval. Actas. Buenos Aires: Ediciones RLFM, 2021, p. 87-96.
  • 30. CRISTINA DE PIZAN. La Ciudad de las Damas (edición a cargo de Marie-José Lemarchand). Madrid: Ediciones Siruela, 2000, cap. I, 9, p. 81.
  • 31. “...impressiona-me o progresso que ela [a mulher] fez na sociedade cristã da Idade Média – o que evidentemente não nos pode levar a pensar que ela atingiu a igualdade com o homem; mas avançou-se muito... E será pior mais tarde; creio profundamente que não há pior período para a condição feminina na Europa do que o século XIX. (...) Guardemo-nos da ideia de que o progresso é irreversível, linear, constante, dos tempos mais longínquos até a época contemporânea. Hoje, o número de mulheres que chegam às mais altas funções é muito pequeno. No Ocidente, não se compara o número de mulheres primeiras-ministras com o que havia de rainhas governando ou de regentes na Idade Média (o grifo é meu).” – LE GOFF, Jacques. Uma longa Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 112-113.
                Agradeço ao amigo Prof. Dr. Armando Alexandre dos Santos por sua leitura crítica, correções e sugestões ao texto.

Aprenda mais