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Ricardo
da Costa (Ufes)
In: Anales del Seminario de Historia de la Filosofía (UCM), vol. 19 (2002) p. 67-96 (ISNN 0211-2337), Universidad Complutense de Madrid.
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso Figura 1 Primavera de 1307. Ramon Llull é um homem velho, muito velho, que viaja incessantemente. Busca reis, papas e príncipes para sua causa: quer que Deus seja amado, conhecido e servido por todo o mundo:
Ramon quer converter todos os infiéis, judeus e especialmente muçulmanos, para o cristianismo, para ele a verdadeira fé. Para isso, estivera viajando incessantemente nos últimos seis anos: em 1301 fora hóspede do mestre dos templários, Jacques de Molay, em Chipre; depois viajara para Gênova, Oriente Próximo — talvez Jerusalém (GAYÀ ESTELRICH) —, Maiorca, Montpellier, e por fim Paris, onde leu sua Arte na universidade, sistema que acreditava ter sido dado a ele por Deus para combater os erros dos infiéis (Vida Coetânia 14. In: OS, vol. I, 1989: 23). Além disso, enquanto viajava nesses anos, escrevia febrilmente, mais de trinta obras, uma atividade frenética para um homem de setenta e três anos. Entre 1301 e 1307 Llull escreveu as seguintes obras: 1. Rhetorica
nova, No entanto, nenhum príncipe, nem o santo papa, nem seus cardeais o escutavam: Llull suplicara inutilmente a Clemente V que fossem construídos mosteiros onde se ensinassem as línguas dos infiéis para que pregadores, à semelhança dos apóstolos, levassem a palavra do Evangelho a todos os infiéis, a todas as criaturas, como ordenara São Marcos (Vida Coetânia 35; citação de Mc 16, 15. In: OS, vol. I, 1989, p. 41). Tudo em vão. Para Ramon, o mundo inteiro se esqueceu do testemunho da verdade da fé cristã: os prelados riam de suas propostas missionárias, o chamavam de louco, de fantástico, de superfantástico! (Disputatio Petri clerici et Raymundi phantastici (= Phantasticus), escrito em outubro de 1311, no caminho de Paris a Vienne. Barcelona, 1985). Por esse motivo, ele constantemente chorava, vertendo deprimido muitas lágrimas pela falta de fervor no mundo, às vezes só, às vezes na companhia de eremitas, de sábios ou mesmo santos homens religiosos:
Assim, decidido a dar sua própria vida como exemplo para esse projeto missional — e porque desde sua conversão há quase quarenta anos ansiava também pelo martírio (Vida Coetânea 5. In: OS, vol. I, 1989: 14) — o “homem louco” voltou para sua terra natal, Maiorca, e dali embarcou para pregar o cristianismo em Bugia, no norte da África, terra dos sarracenos, terra do sultão Abu-l-Baqa Halid (1302-1311) e de sua dinastia hafsida — a dinastia hafsida (ou hafçida) durou de 1228 a 1574 e foi construída a partir das ruínas do Império Almôada (1130-1269) do Magreb. Tendo Túnis como capital, a dinastia hafsida foi um dos quatro “estados” da África do Norte (os outros foram os merínidas - ou marínidas - no Marrocos [1196-1465], o reino berbere dos Abd al-Wâdidas em Tlemcen e o principado Násrida [1230-1492] no sul da Península Ibérica) (MIQUEL, 1971: 242-244). Embora pregar o cristianismo em terras muçulmanas fosse uma empreitada muito perigosa, sua opção não era de todo insensata: na época, Bugia (atualmente Bejaia, na Argélia), cidade localizada entre Argel e Constantina, na costa africana, era praticamente um feudo comercial de Maiorca. Nos anos 1285-1309, um ramo dos hafsidas estabeleceu ali e em Constantinopla um emirado independente (BONNER I BADIA, 1991: 43). Além disso, era a segunda vez que Llull viajava para o norte da África. Quatorze anos antes, em 1293, com esse mesmo objetivo, Lull fora a Túnis, capital do reino hafsida, para pregar. Como fora essa sua primeira viagem? I. A Primeira Viagem de Ramon Llull ao norte da África (1293) A escolha de Túnis era bastante adequada e lógica. A cidade não era um espaço estranho para Llull. Ali circulavam mercadores da Catalunha, Maiorca, Pisa e Gênova; os maiorquinos tinha em Túnis seu próprio funduq – um edifício originário do Magreb, construído por grandes homens da cidade em torno de pátios, com um depósito no térreo e hospedarias no segundo andar para mercadores visitantes (HOURANI, 1994: 139); os de Maiorca tinham ainda uma capela cristã onde residia um cônsul que resolvia problemas legais e comerciais (BONNER, 1989, vol. I: 34); a milícia do sultão Halid era também composta de mercenários catalães (BONNER I BADIA, 1991: 33). Por sua vez, franciscanos e dominicanos já haviam realizado missões a Túnis pelo menos desde 1230 e criaram um studium arabicum na cidade — desaparecido quando Ramon fez sua primeira viagem (GARCIAS PALOU, 1981: 181-182). Todas essas circunstâncias indicam que, em sua primeira viagem à África, Llull não estava sozinho. Em Túnis, Llull parece ter seguido a estratégia tradicional da atividade missionária de então: tentar primeiramente a conversão das elites políticas e religiosas muçulmanas. Uma das formas dessa estratégia — e que exigia bastante coragem e disposição de espírito — era o diálogo com os líderes religiosos. Era sobretudo um sinal de respeito. A grande maioria da população passava ao largo de tais contatos, até para que fossem preservadas as bases de um comércio que se mostrava estável e rendoso para ambas as partes (GAYÀ ESTELRICH). De fato, segundo a Vida Coetânia, Llull entrou em contato com os líderes religiosos de Túnis e conseguiu reunir um pequeno número destes. Após alguns dias de diálogo, Ramon apresentou-lhes as bases de seu método apologético, iniciando seu discurso com as dignidades de Deus — primeiro ponto de concordância com a doutrina muçulmana — para então tentar provar a existência da Santíssima Trindade e a razão necessária da Paixão de Cristo, dogmas cristãos recusados pelos muçulmanos:
II. As dignidades de Deus e o sufismo Ramon iniciara seu discurso com as dignidades de Deus: “São elas: Bondade, Grandeza, Poder, Sabedoria, Amor, Justiça e Perfeição” (O Livro dos Anjos. In: ORL, vol. XXI, 1950: 308), que os místicos muçulmanos chamavam de hadras (HILLGARTH, 1976: 18-19). Em determinadas famílias espirituais islâmicas — místicos que seguiam um caminho comum na busca da união com Deus — havia um ritual que era o ato central da tariqa (a experiência de conhecimento direto com Ele): o dhikr, a repetição do nome de Alá (ELIADE e COULIANO, 1995: 207). O dhikr poderia ser acompanhado por alguma espécie de disciplina corporal, um controle respiratório ou uma concentração em determinada parte do corpo. Poderia haver também o acompanhamento de música, dança e poesia — a recitação poética era uma forma de evocar os estados de graça que poderiam apoiar o caminho para o conhecimento de Deus, o Amante e o Amado se refletindo um ao outro, como um espelho. Llull conhecia bem esta elevada forma de expressão religiosa. Em sua época, o sufismo espanhol estava bastante entrelaçado com o estudo da filosofia e dependia em boa medida do desenvolvimento do misticismo no norte da África (WATT, 1995: 157). Além disso, o Livro do Amigo e do Amado — sua expressão literária mais perfeita de amor a Deus — fora inspirado na tradição sufi:
Por outro lado, uma passagem do Alcorão muito recomendada pelos sufis indicava esta forma mística de meditação:
Esses sufis levavam um modo de vida que buscava a união com Deus por meio do amor, do conhecimento baseado na experiência e ascese que levaria a uma união estática com o Criador bem-amado. Assim, esta invocação tinha o objetivo de desviar a alma das distrações mundanas para libertá-la até o vôo da união com Deus. Uma das formas do dhikr era um ritual coletivo chamado justamente de hadra: os participantes repetiam constantemente o nome de Alá, cada vez mais rapidamente até se chegar a um transe e perda da consciência do mundo sensível (HOURANI, 1994: 164-166). Dessa forma, ao iniciar sua disputatio em Túnis com o tema das dignidades divinas, Llull buscava, através da aproximação desse tema com o misticismo sufi, o primeiro ponto concordante entre as duas religiões para, a seguir, tratar de suas diferenças. Era uma estratégia de diálogo que deveria parecer muito simpática aos ouvintes muçulmanos, já que no século XIV o sufismo já havia se tornado um movimento social com ampla aceitação no mundo muçulmano (LEWIS, 1996: 215). E mais: ao solicitar que a disputa fosse feita com os “espíritos tranqüilos”, Ramon desejava, citando as dignidades divinas, o “sossego dos corações”, conforme ordena o Alcorão, uma paz coletiva, para então expor suas razões necessárias e provar a existência da Santíssima Trindade. Além disso, mostrava compreender bem a beleza da linguagem litúrgica do Islã, numa atitude bastante rara para a época, já que o comum nesse tipo de debate religioso era iniciá-lo destacando os erros da doutrina oposta (HILLGARTH, 1976: 23-25) — para se ter uma boa idéia do ambiente histórico que envolvia esses debates públicos, basta estudar o famoso Debate de Barcelona (1263), coincidentemente o ano da conversão de Ramon Llull (MACCOBY, 1996). Por outro lado, parece claro que a iluminura do Breviculum não parece sugerir esta momento de quietude (figura 1): apesar da postura corporal de Llull indicar tranqüilidade — suas mãos abertas sugerem calma e paciência — dois dos cinco líderes muçulmanos retratados gesticulam muito e denotam inquietação e nervosismo. Isso se explica em parte pela narrativa da Vida Coetânia: após expor suas razões e desejar a disputatio, um “homem de não pouca fama entre os sarracenos” teria percebido as intenções de Ramon e solicitou então ao sultão hafsida Abu-Hafs (1284-1295) sua decapitação. Llull foi preso, mas o conselho do sultão, influenciado pelas palavras de “um espírito prudente e científico”, decidiu expulsar Ramon do reino de Túnis, alertando-o que, se retornasse, seria apedrejado até a morte (Vida Coetânia 28. In: OS, vol. I, 1989: 37). Num estado de profunda dor, pois já havia preparado a conversão de “alguns homens de reputação”, Llull abandonou o navio que o levaria de volta para a cristandade. Decidira terminar sua obra de conversão, apesar do perigo de morte. No entanto, soube que um cristão que lhe era semelhante “em aspecto e vestimenta” foi capturado na cidade e quase apedrejado. Assim, ele permaneceu durante três semanas nessa hesitação, até que decidiu partir de Túnis para Nápoles, para ler sua Arte. Era o ano de 1293. Antes de presenciar a eleição do papa Celestino V, Llull recebeu permissão para pregar na colônia muçulmana de Lucera (próxima de Foggia), e ainda visitou prisioneiros muçulmanos no castelo dell’Ovo em Nápoles (BONNER, 1989, vol. I: 37-38). É importante destacar que os especialistas delimitam o ano de 1293 — este ano do primeiro contato real de Ramon Llull com o mundo islâmico — como um “divisor de águas” em seu tratamento da questão do diálogo inter-religioso: até 1293 sua vida seria marcada pelo diálogo; de 1293 até sua morte, pela disputa (LLINÀRES, 1968: 192). Assim, as duas viagens de Llull ao norte da África, de certa forma, marcam enfaticamente os dois distintos momentos de sua trajetória apologética, além de servirem como fatos concretos para a análise crítica de seu diálogo com o Islamismo. Assim, se tomarmos como base o ano de sua conversão, podemos estabelecer as seguintes datas que delimitam, grosso modo, o diálogo inter-religioso luliano: Fase A) os primeiros trinta anos, 1263-1293 = período dos escritos de tolerância e do diálogo respeitoso, Fase B) 1293-1315 = período das disputas, da defesa da cruzada para a imposição do diálogo e o desejo do martírio. III. A segunda viagem à África (1307): o desejo do martírio Na primavera de 1307, após a decepção de ter seus pedidos de construção de escolas de línguas negado pelo papa Clemente V em Lyon, Ramon Llull embarcou novamente para o norte da África, dessa vez para Bugia. Agora, parecia que abandonara sua estratégia de diálogo. Um desejo manifestou-se claramente: receber o martírio imediato (HILLGARTH, 1976: 27). Essa insistência pelo martírio se explica em parte por sua visão de reforma social baseada no ascetismo e no ideal apostólico. Uma passagem do Livro das Maravilhas mostra bem esse ideal: ...a maior bem-aventurança que Deus pode dar ao homem neste mundo é lhe dar a graça de ser pobre, atribulado, menosprezado, atormentado e morto para louvar, amar, conhecer, honrar e servir a Deus e levar ao caminho da salvação aqueles que por ignorância e pelo caminho do pecado vão para a danação perdurável. (Félix ou O Livro das Maravilhas, op. cit., Livro VIII - Do Homem, p. 251) Esse retorno de Llull às origens do cristianismo primitivo tinha o martírio como uma base autêntica — na perspectiva cristã, morrer como ser humano seguindo Cristo e Sua mensagem é ter a certeza de acesso à glória do Paraíso e à vida eterna (VAUCHEZ, 1989: 212). Por outro lado, talvez Llull também quisesse conseguir adesões e converter as pessoas para o cristianismo através do exemplo do martírio, uma técnica franciscana (BONNER I BADIA, 1991: 43; LE GOFF, 2000). Ao entrar na cidade, Llull imediatamente começou a discursar na “língua sarracena” e ofender a Lei de Maomé, chamando-a de falsa e errônea, num gesto que contrariava totalmente tanto a política costumeira de primeiro procurar as autoridades religiosas e a partir delas converter o restante da população quanto sua própria tática de 1293 em Túnis. Nas palavras da Vida Coetânia, a “multidão de pagãos” que Ramon conseguira reunir atacou-o “com mãos criminosas”, desejando apedrejá-lo até a morte. Sua salvação foi o cádi da cidade — cargo ao mesmo tempo de juiz, notário e representante distrital, o na’ib do sultão (SOUZA, 1986: 196-197) — a Vida Coetânia o chama curiosamente de “bispo” (Vida Coetânia 36. In: OS, vol. I, 1989: 42). Em sua presença, Ramon iniciou novamente sua argumentação a respeito da perfeição divina:
Figura 2
No dia seguinte a esta verdadeira epopéia, foi feita uma reunião entre os legistas da Lei de Maomé. Neste período faziam parte desse conselho (chamado de sûra) um escriba (kâtib), uma pessoa encarregada de esmiuçar o inquérito sobre os costumes e a moral das testemunhas (muzakki) e quando fosse preciso, poderia ser um intérprete (mutargin) (SOUZA, 1986: 195). A sûra decidiu que Ramon deveria ser interrogado: se vissem que se tratava de um homem “pleno de conhecimentos”, seria morto sem perdão; se fosse um “homem simples e tolo”, deixariam-no ir embora com sua tolice (Vida Coetânia 39. In: OS, vol. I, 1989: 44). Um dos legistas muçulmanos conhecia Ramon. Tinha escutado suas prédicas e viajara com ele de Gênova para Túnis: mesmo em alto-mar Llull não desperdiçava a chance de pregar e dialogar com os muçulmanos. O legista aconselhou que a Sûra não o trouxesse ao palácio para ser interrogado pois ele tinha “tais razões contra a nossa lei que será difícil, senão impossível, responder-lhe.” Os genoveses e catalães que viviam em Bugia se reuniram e conseguiram que ele fosse colocado em um lugar mais decente. A Sûra decidiu então transferi-lo para uma “prisão mais suave”. Ramon ficou encarcerado em Bugia durante seis meses. A iluminura do Breviculum (figura 2) mostra muito fielmente o texto da Vida Coetânia: a fúria da multidão, as pedras atiradas contra Ramon, ele sendo puxado por sua longa barba, seu diálogo com a autoridade muçulmana, o cádi e depois sendo conduzido à prisão (à direita). Durante os seis meses de sua prisão em Bugia,
Este trecho é baseado em duas passagens bíblicas: “Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha.” (Mt. 7, 25); “Assemelha-se a um homem que, ao construir uma casa, cavou, aprofundou e lançou o alicerce sobre a rocha.” (Lc. 6, 48). De qualquer modo, em 1307, terminou a segunda aventura de Ramon Llull em terras muçulmanas. Sua terceira viagem para a África, para Túnis em 1316 (GAYÀ ESTELRICH) seria a última de sua longa vida. IV. As bases do diálogo inter-religioso luliano Nunca o diálogo apologético luliano foi tão colocado à prova quanto nas duas viagens de Llull à África. Como disse anteriormente, são os dois melhores fatos comprovados que permitem uma análise da eficácia de conversão do método luliano — motivo central de toda a sua produção literária. Assim, gostaria de abordar brevemente alguns aspectos filosóficos de seus discursos nessas duas viagens, para, a seguir, confrontar suas falas com os líderes islâmicos com suas propostas de conversão dos muçulmanos nos textos direcionados exclusivamente aos leitores cristãos, especialmente o Livro das Maravilhas. Embora em sua segunda viagem (a Bugia) Llull tenha partido conscientemente para o martírio, em ambos os diálogos — tanto com os líderes religiosos de Túnis quanto com o cádi de Bugia — ele iniciou sua locução da mesma forma. Em primeiro lugar, estabelecendo o diálogo buscando uma base de argumentação comum a ambas as religiões, portanto, fugindo de qualquer tipo de discussão baseada em uma autoridade religiosa ou filosófica. Um bom exemplo desse pressuposto da racionalidade é o Livro do Gentio e dos Três Sábios: logo no Prólogo, quando o judeu, o cristão e o muçulmano estão refletindo a respeito das palavras da senhora Inteligência, um deles diz:
Em uma passagem do Livro das Maravilhas, Llull metaforicamente lamenta o fato de os pregadores de se tempo não utilizarem a razão para converter os muçulmanos. Coloca então o seguinte diálogo na boca de Félix, o protagonista da novela:
Llull acreditava que a base de seu sistema de pensamento, sua Arte, oferecia essa capacidade de argumentação com os muçulmanos (e judeus) baseada exclusivamente na razão: eram suas dignidades divinas. Deus, por ser perfeito, possuía atributos perfeitos. Está claro então porque ele iniciou seus dois diálogos na África com o atributo da bondade divina. Iniciemos então com ela. Deus é bom em grau superlativo, é perfeitamente bom. Ramon estava consciente de que essa idéia — neoplatônica — era bem conhecida de muçulmanos e judeus (bonum est diffusivum sui) (BONNER I BADIA, 1994: 64) — Bonum est diffusivum sui é uma frase que tem sua origem e se fez axioma no Neoplatonismo e através do Pseudo-Dionísio, o Areopagita e Santo Agostinho tornou-se um lugar comum especialmente na chamada Alta Escolástica (séculos XI e XII). É possível que Proclo (410-485) tenha sido um dos primeiros a formulá-la. No entanto, mais importante que sua origem é sua frutífera história que veio determinar o conceito filosófico-ontológico de bonum, considerado algo que é, que tem que existir, intrínseca e necessariamente ativo e operante. Essa condição determinou necessariamente as reflexões sobre o conceito no campo da Ética e a definição de Deus como SUMMUM BONUM, fonte e origem de todo o bem passado, presente e futuro, natural e sobrenatural (Santo Anselmo, Felipe, o Chanceler, Abelardo, etc.)” (DOMÍNGUEZ REBOIRAS, 2001). Segundo Ramon Llull, as outras dignidades de Deus seriam: 1. Bondade (B) Na etapa ternária (1290-1308) do sistema luliano são 9 dignidades, tal qual encontram-se nesta obra; na etapa quaternária (c.1274-1289) seriam 16: 1. Bondade (B) A partir das dignidades divinas, Llull fazia três afirmações que considerava possíveis de serem aceitas por judeus e muçulmanos: 1) As dignidades eram reais, concordantes, sem nenhuma contrariedade e se mesclavam (“convertiam”) mutuamente em uma simples essência divina, isto é, Deus. Por exemplo: a bondade de Deus é grande, a grandeza de Deus é boa, a bondade de Deus é eterna, a eternidade de Deus é boa, etc. Isso dava ensejo à criação de um sistema gráfico explicativo, onde esses conceitos se entrecruzavam, figuras de sua Arte que estavam relacionadas a um processo de ascensão das coisas sensíveis à contemplação de Deus (GAYÀ ESTELRICH). Essa primeira afirmação está intrínseca na passagem de seu diálogo em Túnis (“Convém que cada sábio tenha aquela fé que atribua em maior igualdade e concordância ao Deus eterno, na qual crêem todos os sábios do mundo, a maior bondade, sabedoria...” (Vida Coetânia 26, 27. In: OS, vol. I, 1989: 34-36); 2) As dignidades divinas são ativas, têm atos próprios, eternos e intrínsecos (ad intra); são os chamados correlativos lulianos (também presente em seu diálogo de Túnis: “Eu chamo esses atos de bondade de bonificativo, bonificável e bonificar, e os atos de grandeza, magnificativo, magnificável e magnificar, e o mesmo de todas as outras dignidades divinas ditas acima e similares.” (Vida Coetânia 26, 27. In: OS, vol. I, 1989: 34-36) — Anthony Bonner afirma que podemos compreender melhor os correlativos se os associarmos ao trio potência-objeto-ato ou ao trio ativo-passivo-ação (BONNER, 1989, vol. I: 35) 3) Deus, a suma causa, possui a maior concordância e conveniência com seu efeito, isto é, a criação. É um Deus eternamente ativo e que proporciona uma ação eterna, difundindo Sua bondade por todos os seres criados (a chamada ação ad extra). Por esse motivo, Ramon percebia o mundo como uma grande teofania, um imenso espelho onde poderíamos encontrar a Santíssima Trindade refletida em todas as coisas, desde as pedras, passando pelas plantas, até o homem, e cada coisa criada possuiria também essa mesma atividade ad intra de Deus de acordo com a sua capacidade própria de recepção dessa bondade. Numa passagem do Livro das Maravilhas, Llull expõe muito bem essa idéia:
Assim, Llull considerava que essas três premissas poderiam ser racionalmente aceitas pelos “infiéis”, e, em nosso caso específico aqui tratado, pelos muçulmanos. O maiorquino considerava-as verdades absolutas, pois via toda a realidade através das dignidades divinas, passando por seus correlativos. Um bom exemplo disso são suas definições a respeito das operações racionais da alma. Para Llull, a alma possui todos os princípios naturais à semelhança do Criador (bondade, grandeza, duração, poder, sabedoria e vontade; virtude, verdade, deleitação, diferença, concordância, princípio, meio e fim; maioridade, igualdade e menoridade), os correlativos (“os essenciais bonificante, bonificável e bonificar [...] tem também em si os essenciais magnificante, magnificável e magnificar, e o mesmo dos outros), além de seus acidentes próprios, (“...quantidade, qualidade, relação, e os outros nove predicados deles.”) e as três potências, a memória, o entendimento e a vontade (O Livro da Alma Racional, Segunda Parte, II, 1-4) Percebe-se assim que o pensamento luliano trabalhava sempre em trilogias, à semelhança da Santíssima Trindade. V. A necessidade da prova racional da Trindade: discordâncias com a doutrina islâmica Como bom cristão, Llull acreditava que a Trindade é a verdade, como Deus. E esta questão — a definição do que é verdade — era para ele, sem dúvida, um ponto crucial para o estabelecimento de seu diálogo inter-religioso:
Llull compartilhava, como os de seu tempo, a postura exclusivista, que entendia que o único caminho da salvação e de participar da graça divina era a Igreja católica — tese desbancada oficialmente somente no século XX (FIDORA, 2001). Assim parece claro que, à exceção do primeiro ponto (as dignidades de Deus) — e mesmo assim com fortes divergências — os três pilares do pensamento luliano que serviam de premissas para seu diálogo não eram compartilhados nem por judeus, nem por muçulmanos. Apesar de seu generoso espírito de diálogo, presente sobretudo no Livro do Gentio e dos Três Sábios — escrito, por sinal, na fase A —a proposta apologética luliana em relação aos muçulmanos esbarrava sempre nas diferenças teológicas entre as duas crenças. No caso das dignidades divinas, sabemos que havia um abismo profundo entre a teologia islâmica e o pensamento luliano. Como destacou Garcias Palou, os muçulmanos discordavam a respeito não só da natureza e do número das dignidades, mas principalmente no que dizia respeito a seus atos intrínsecos (GARCIAS PALOU, 1981: 184), segundo axioma luliano que era um pressuposto para o terceiro — a prova cabal da existência da Trindade. Em relação a esse dogma cristão a doutrina islâmica é bem clara:
Ou nesta outra passagem:
Apesar disso, o Alcorão Sagrado afirma logo a seguir que os cristãos são aqueles que estão mais próximos do afeto dos crentes, porque possuem sacerdotes e monges e nunca são tomados de soberba (Os significados dos versículos do Alcorão Sagrado. Trad. Prof. Samir El Hayek, 1989, 5.ª Surata, 82, p. 89). De qualquer modo, o islamismo recusa o dogma da Trindade, base da visão de mundo de Ramon e da própria doutrina católica. Mas e as dignidades divinas, tão caras a Llull? Para o teólogo e místico Algazel, ou al-Ghazali (Abu Hamid Muhammad ibn Muhammad al-Gazzâli, 1059-1111) — motivo da redação das duas primeiras obras de Ramon, o Compendium logicae Algazelis e a Lògica del Gatzel (ORL, XIX, Palma de Mallorca, 1936) — as dignidades (que ele chama de atributos divinos absolutos) são cinco: 1) a necessidade absoluta Para Algazel, o principal atributo divino é a vontade, causa da determinação do ato; os correlativos — que ele nomeia de operativos — são: 1) vontade Em uma de suas principais obras, Maqâsid al-Falâsifa (Tendências dos filósofos) — obra traduzida para o latim por Domingo de Gundisalvo, em Toledo, antes de 1185 (GOMES, 1991: 99-100; FIDORA, 2000: 127-136) — Algazel propusera o justo meio da crença contra os níveis racionais atingidos pela filosofia. Para o místico muçulmano, “Deus é vontade absoluta e liberdade operativa. Essencial, sensível, inteligível e semelhante.” (GOMES, 1991: 102) Não me deterei nem entrarei nas sutilezas teológico-metafísicas dos diálogos reais entre Ramon e os líderes muçulmanos, pois parece-me claro que apesar da possibilidade e concretização do diálogo com as elites islâmicas norte-africanas, o projeto apologético luliano na prática redundou em fracasso: não temos conhecimento de um único crente muçulmano convertido ao cristianismo graças à Arte luliana ou às suas pregações em praça pública na África. Ao invés disso, à guisa de conclusão, tratarei das propostas lulianas em relação aos muçulmanos contidas no Livro das Maravilhas como um contraponto à suas discussões na África. VI. Como converter os muçulmanos? Na vida real, vimos que Ramon Llull não teve sucesso em converter os muçulmanos para o cristianismo. Os diálogos inter-religiosos que aconteceram na África aparentemente resultaram em fracasso. Não temos notícia comprovada de nenhuma conversão de um muçulmano para o cristianismo baseada na Arte luliana ou em suas pregações públicas. Em contrapartida, ao longo de sua vasta obra, Llull criou milhares de diálogos imaginários e corteses entre judeus, cristãos e muçulmanos. Na utopia luliana, ao contrário da vida real, na maior parte das vezes esses debates aconteciam entre sábios tolerantes e generosos, em cenários paradisíacos, quase sempre à sombra de frondosas árvores, fontes maravilhosas, como no Livro do Gentio e dos Três Sábios, onde o gentio caminha antes de encontrar os três sábios das religiões do Livro: Estando o gentio nesta consideração
e neste tormento, veio-lhe em seu coração a idéia
de partir daquela terra e se dirigir a uma terra estranha para ver se
porventura poderia encontrar remédio para sua tristeza. Pensou
então em ir a uma grande floresta desabitada, que era abundante
de fontes e de muitas belas árvores carregadas de frutos com os
quais o corpo humano poderia sustentar a vida. Naquela selva havia muitas
bestas e muitas aves de diversos tipos. Por isso, o gentio cogitou que
naquele eremitério, por ver e odorar as flores e pela beleza das
árvores, das fontes e das ribeiras, ele poderia ter algum consolo
para seus graves pensamentos, que muito fortemente o atormentavam e o
afligiam. Em relação aos muçulmanos, Ramon demonstrava em seus escritos basicamente duas grandes preocupações. Em primeiro lugar, a perda da Terra Santa e a expansão do Islamismo:
Por não darem a devida importância à questão da Terra Santa, os reis desse mundo não eram merecedores de reverência e honra. Para mostrar essa insatisfação, Félix conta ao ermitão o exemplum de um peregrino que não fez a devida reverência a um rei:
Os príncipes cristãos eram motivo de censura por parte de Ramon porque preferiam caçar e ouvir jograis do que reconquistar a Terra Santa. Na visão de Llull, a falta da Fé — “...luz do entendimento humano, pois supõe o que o entendimento não entende e o entendimento, pela suposição, se eleva e entende o que o ato de entender não é capaz sem a suposição da fé.” (Félix ou O Livro das Maravilhas, op. cit., Livro I - Do Homem: 211) — era o grande problema de seu tempo. A mesma fé que Deus
Em um grande exemplum do Livro das Maravilhas há uma típica construção literária luliana que aborda o tema Terra Santa/Islamismo: diante de Félix, o ermitão chora longamente porque a “santa fé cristã está desonrada”. Os sarracenos, “filhos da descrença” possuem a Santa Terra de Ultramar “onde a fé foi fundada e entregue à guarda da Santa Igreja”. O ermitão lamenta e pergunta: “Quando virá o dia da chegada de combatentes, amantes, louvadores, que com suas armas corporais e espirituais destruirão o erro e darão honra à fé que neste mundo está tão afrontada?” Essa grande angústia dá ensejo para que o ermitão responda sua própria pergunta com um exemplum onde a Fé e a Descrença debatem entre si qual das duas têm mais servidores neste mundo:
A idéia de um jogral de Deus (joculator Dei) é franciscana e está bem exemplificada nesta passagem, no Jogral de Valor em Blaquerna (cap. 48) e no Libre de contemplació (cap. 118). Há, segundo Bonner, um forte elemento autobiográfico nesta figura literária. Hillgarth chega a chamar Llull de pregador místico do Islã (HILLGARTH, 1979). A Fé é desonrada e a Descrença exaltada, a Acídia vive e a Diligência morre:
Parece claro que para Llull os cristãos deveriam ter mais fé em sua fé e deixar as coisas mundanas de lado — como a caça e a música profana dos jograis — para reconquistar a Terra Santa e converter os muçulmanos. Essa conversão deveria ser feita de duas formas: com a força das armas dos homens leigos e com a força da razão, razão baseada nas Escrituras, nas orações e no exemplo da vida santa dos homens religiosos. E dessas duas formas aceitáveis, a melhor delas era a razão, que ele chama no Livro contra o Anticristo de batalhas intelectuais:
O cristão dialoga com o muçulmano sempre baseado na razão e com o objetivo de tentar provar a existência da Trindade:
Apesar de ser um homem de razão, percebe-se uma mudança em sua postura pacifista e unicamente missionária presente em seus primeiros escritos, que passa pela união entre a missão e a cruzada — visível no Livro das Maravilhas — até desembocar em sua idéia fixa de reconquistar a Terra Santa. Isto poderia parecer apenas o abandono de sua utopia do diálogo pacífico em detrimento da realidade política do final do século XIII, como já foi muito bem destacado (ALTANER, B. Glaubenszwang und Glaubenfreiheit, l.c., p. 609. Citado em COLOMER I POUS, 176). Mas, apesar de, vista em retrospecto, sua posição diante judeus e muçulmanos oscilar entre a simpatia e o dogmatismo (COLOMER I POUS: 178), sua crença no diálogo racional como uma forma superior de contato o coloca como um precursor legítimo do verdadeiro diálogo inter-religioso, calcado em um profundo e sincero respeito, em que pese suas características psicológicas históricas típicas do homem do século XIII. VII. Conclusão
Acredito que na longa história dos contatos e disputas entre as chamadas três religiões do Livro, Ramon Llull ocupa um lugar especial e de destaque. Num tempo em que os debates públicos realizados no ocidente cristão eram organizados num clima de opressão e manipulação, onde os teólogos baseavam sua argumentação nas autoridades de suas respectivas fés, destacando em suas disputas somente os erros da doutrina contrária, Llull é um notável exemplo de tolerância, de busca de uma verdade comum — filosoficamente, tolerância como o oposto de manipulação (LÓPEZ QUINTÁS). Ramon Llull aprendeu árabe, viajou e debateu em terras muçulmanas, tentou ser ele próprio a materialização de seus propósitos de conversão do mundo para o cristianismo. Tinha um grande respeito pela cultura islâmica, bem explicitado numa passagem do Livro das Maravilhas, onde afirma que as roupas e a alimentação sarracenas são mais adequadas ao homem e proporcionam aos muçulmanos uma vida mais longa e sadia:
Nesta passagem Llull trata da umidade radical. Na fisiologia medieval, a umidade radical era o humor vital ao qual era atribuída a conservação da vida animal. Na Idade Média a medicina atribuía grande importância aos humores do corpo. A medicina medieval baseava-se em Galeno de Pérgamo (c. 129-179 d.C.), médico e anatomista grego. Em sua teoria — a famosa doutrina dos temperos — todas as coisas derivam dos quatro elementos e das quatro qualidades (quente, frio, seco e úmido) convenientemente temperadas (no sentido de interpenetração total das partes que se mesclam, e não a simples justaposição das partes) (REALE e ANTISERI, 1990: 361-368). Assim, o bem-estar do corpo estava condicionado aos fluidos corporais: sangue (úmido), fleuma (seco), bílis amarela (quente) e bílis negra (frio). Nesta teoria clássica dos humores, o homem era quente e seco — sua irascibilidade era decorrência da bílis amarela; a mulher era fria e úmida (ARISTÓTELES, Ética a Nicômanos, Livro 3, cap. 8, 1117a; DAVIS, 2001: 122; BLACKBURN, 1997: 165 e 329). Todos os temperamentos humanos pertenciam a um ou outro dos quatro humores: sangüíneo, flegmático, colérico e melancólico. Em várias combinações com os signos do Zodíaco, que governava partes específicas do corpo, os humores e constelações determinavam os graus de calor e umidade do corpo, e a proporção da masculinidade e feminilidade de cada pessoa. (TUCHMANN, 1990: 99). Desnecessário dizer que Llull adota a medicina de Galeno como base para suas observações da natureza. Enquanto o regime alimentar cristão era baseado na trilogia clássica pão-carne-vinho, o dos muçulmanos era rico em frutas doces, vegetais e vitaminas. Sensível às duas culturas, Ramon Llull percebia isso e admitia que muitos muçulmanos viviam muito mais que os cristãos, que sofriam prematuramente de gota e envelheciam antes do tempo por serem vítimas de seus excessos alimentares (DOMÍNGUEZ ORTIZ, 1962: 50; FLANDRIN e MONTANARI: 1998). Filho de seu tempo, Llull tinha sempre em mente a conversão do “infiel” e compartilhava os mesmos preconceitos da maioria dos cristãos em relação ao Islamismo e até mesmo a Maomé — opiniões especialmente explicitadas na obra Doutrina Pueril (1972, Livro LXXI - De Maomé). Contudo, os diálogos inter-religiosos lulianos são pérolas literárias de profundo respeito mútuo. Llull parece ser o ápice do diálogo racional entre o Islã e o cristianismo latino medieval, iniciado no século XI por Pedro, o Venerável, abade de Cluny e todo o impulso das traduções da Escola de Toledo, com Gundisalvo, o bispo João e Gerardo de Cremona (GUERRERO: www.ricardocosta.com). E apesar de não ter conseguido na prática implementar seu ideal de conversão, os ideais lulianos de comunhão e diálogo calcados na razão e na compreensão do outro em sua plenitude tornam sua mensagem sempre atual enquanto nesse mundo houver fé.
* Fontes RAIMUNDO LÚLIO. Livro do Amigo e do Amado (introd., trad. do catalão e estudos de Esteve Jaulent). São Paulo: Edições Loyola/Leopoldianum, 1989. RAMON LLULL. Doctrina Pueril (a cura de Gret Schib). Barcelona: Editorial Barcino, 1972. RAMON LLULL. “Vida Coetània”. In: OS, vol. I, 1989, p. 11-50. RAMON LLULL. “Félix o el llibre de Meravelles”. In: OS, vol. II, 1989, p. 19-393. Publicado na INTERNET (tradução do Grupo de Estudos Medievais da UFES I). RAMON LLULL. “Libre del Gentil e dels Tres Savis”. In: OS, vol. I, 1989, p. 89-272. RAMON LLULL. “O Livro dos Anjos”. In: ORL (ed. S. Galmés e outros). Palma de Mallorca: vol. XXI, 1950, p. 305-375. RAMON LLULL. “Libre de Anima Racional”. In: ORL (ed. S. Galmés e outros). Palma de Mallorca: 1950, vol. XXI, p. 161-304. RAMON LLULL. “Llibre què deu hom creure de Déu”. In: NEORL, vol. III, 1996, p. 73-104. RAMON LLULL. “Llibre contra Anticrist”. In: NEORL, vol. III, p. 115-160. RAMON LLULL. O Livro dos Mil Provérbios (tradução: Grupo de Pesquisas Medievais da UFES II). Bibliografia BONNER, Antoni. “Ambient Històric i vida”. In: OS, vol. I, 1989, p. 03-54. BONNER, Antoni. “Catàleg cronològic de les obres de Ramon Llull”. In: OS, vol. II, 1989, p. 539-589. BONNER, Anthony i BADIA, Lola. Ramon Llull. Vida, pensament i obra literària. Barcelona: Editorial Empúries, 1991. COLOMER I POUS, E. “El Diàleg interreligiós en Ramon Llull”. In: El Pensament als Països Catalans, p. 113-179. DAVIS, Natalie Zemon. Histórias de perdão e seus narradores na França do século XVI. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. DOMÍNGUEZ REBOIRAS, Fernando. Entrevista concedida via INTERNET em 01/10/2001. ELIADE, Mircea e COULIANO, Ioan P. Dicionário das Religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1995. FIDORA, Alexander. “La metodología de las ciencias según Boecio: su recepción en las obras y traducciones de Domingo Gundisalvo”. In: Revista Española de Filosofía Medieval 7 (2000), p. 127-136. FIDORA, Alexander. “La recepción de San Isidoro de Sevilla por Domingo Gundisalvo: Astronomía, Astrología y Medicina”. In: Estudios Eclesiásticos 75 (2000), p. 663-677. FIDORA, Alexander. Ramon Llull frente a la critica actual al diálogo interreligioso. El Arte luliana como propuesta para una Filosofia de las religiones. Artigo inédito apresentado no Seminário Internacional Raimundo Lúlio e o Diálogo Inter-Religioso (USP, 17 e 18 de outubro de 2001) e gentilmente cedido pelo autor. FLANDRIN, Jean-Louis e MONTANARI, Massimo (dir.). História da Alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. GARCIAS PALOU, Sebastian. Ramon Llull y el Islam. Palma: 1981. GARCIAS PALOU, Sebastian. El Miramar de Ramon Llull. Palma de Mallorca: Instituto de Estudios Baleáricos, Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, 1977. GAYÀ ESTELRICH, Jordi. Biografía de Ramon Llull. GOMES, Pinharanda. História da Filosofia Portuguesa 3. A Filosofia Arábico-portuguesa. Lisboa: Guimarães Editores, 1991. GUERRERO, Rafael Ramón. Algunos aspectos del influjo de la filosofía árabe en el mundo latino medieval. HILLGARTH, J. N. “La vida i la significación de Ramon Llull”. In: Randa 2. Cultura I História a Mallorca, Menorca I Eivissa. Barcelona: Curial, 1976, p. 05-44. HILLGARTH, J. Los Reinos Hispânicos, 1250-1516, vol I, 1250-1410: Un equilibrio precario. Barcelona-Buenos Aires-México, 1979. HOURANI, Albert. Uma História dos Povos Árabes. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. LE GOFF, Jacques. S. Francisco de Assis. Lisboa: Teorema, 2000. LEWIS, Bernard. O Oriente Médio. Do advento do cristianismo aos dias de hoje. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. LLINÀRES, A. Ramon Llull. Barcelona, 1968. LÓPEZ QUINTÁS, Alfonso. “La Tolerancia y la búsqueda en común de la verdad”. MACCOBY, Hyam (org.). O Judaísmo em Julgamento. Os debates judaico-cristãos na Idade Média. Rio de Janeiro: Imago, 1996. MIQUEL, André. O Islame e a sua civilização. Lisboa: Edições Cosmos, 1971. Raimundus Lullus Ikonographie. REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia I. São Paulo: Edições Paulinas, 1990. SOUZA, João Silva de. Religião e Direito no Alcorão. Lisboa: Editorial Estampa, 1986. TUCHMANN, Barbara W. Um Espelho distante. O terrível século XIV. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1990. VAUCHEZ, André. “O Santo”. In: LE GOFF, Jacques (dir.). O Homem medieval. Lisboa: Editorial Presença, 1989, p. 211-230. WATT, W. Montgomery. Historia de la España Islámica. Madrid: Alianza Editorial, 1995.
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