O Nascimento do Ocidente
De Beowulf ao Roman de Renard
In: CARPEAUX, Otto Maria. História da Literatura Ocidental. Volume I.
Local: Editora, 2026, pp. __-__ (ISBN )
(sem as imagens).
In: CARPEAUX, Otto Maria. História da Literatura Ocidental. Volume I.
Local: Editora, 2026, pp. __-__ (ISBN )
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A Dança Macabra, última cena da película O Sétimo Selo (1957) de Ingmar Bergman (1918-2007). A morte (à esquerda) arrasta seis pessoas para seu reino. Mesmo em aclamadíssimos clássicos como O Sétimo Selo, a Idade Média é apresentada anacronicamente (por exemplo, o fenômeno da Caça às bruxas foi moderno, não medieval).
I. Idade Média, eterno conceito impreciso
Para tratar da Literatura Medieval, Carpeaux se vê diante do eterno problema da preconceituosa cronologia herdada dos renascentistas italianos: o termo Idade Média. Para ser justo, devo ser preciso: apesar de publicada no final da década de 50 do século XX, sua História da Literatura Ocidental foi escrita uma década antes, em plena II Guerra Mundial (1939-1945). O que é um assombro: a historiografia de então ainda era calcada sobremaneira nos acontecimentos políticos, na diplomacia e na economia. Por isso, sua abordagem, estética e sociológica, é originalíssima: a expressão literária, ainda que criativamente original e esteticamente pessoal, está imbricada na experiência histórica real. A aplicação dos conceitos históricos deve seguir pari passu à confrontação da experiência da vida.
A aproximação compreensiva de Carpeaux ao período histórico que deu origem à Europa necessitava portanto da estupefação filosófica com o fato de ainda precisarmos explicar um termo tão inexato como o de Idade Média.1 E ele principia com a constatação dos vários renascimentos medievais e do prolongamento das estruturas romanas pelo menos até o período carolíngio (séculos VIII-IX). Adere à famosa (e sedutora) tese de Henri Pirenne (1862-1935) de fechamento do Mediterrâneo por parte dos muçulmanos para explicar o retrocesso do período2, e termina a montagem de seu cenário histórico com a concepção fechada do mundo que a Idade Média absorveu, contextualização mutatis mutandis ainda em vigor até hoje.
Por isso Carpeaux inicia sua história com a poesia anglo-saxã, Cædmon (fl. 657-684) e Cynewulf (fl. séc. IX), e sobretudo o poema épico germânico Beowulf (c.975-1025). Passa muito rapidamente pelas obras do Renascimento Carolíngio (séculos VIII-IX) e Gregório de Tours (c.538-594)3 para então se debruçar com mais pormenor pelas sagas islandesas, textos dos séculos XIII e XIV, mas que registram acontecimentos supostamente ocorridos nos séculos IX, X e XI. Seu juízo é severo (e, para os amantes do gênero, preconceituoso): do ponto de vista cristão, embora batizadas, aquelas populações eram verdadeiramente monstruosas: inclementes, ambiciosas, egoístas e violentas. O poeta Egil Skallagrímsson (c.904-995) escapa de sua rigorosa interpretação: trata-se de um grande poeta, com uma força primitiva em seus versos. E sobretudo Saxo Grammaticus (c.1150-1220), monumento dessa rude mentalidade bárbara-cristã que Carpeaux considera o Tito Lívio (59 a.C. - 17 d.C.) de sua nação.4
Foi esse deprimente elenco humano que devastou o Ocidente a partir do século IX e apagou os últimos vestígios da vida urbana da Antiguidade. A narrativa chega então ao sombrio século X (Saeculum obscurum), tempo da pornografia papal que abrangeu os governos de Sérgio III (c.860-911) a João XII (c.930-964), mas que Carpeaux apenas cita, pois prefere destacar sua pronta reação, a abadia de Cluny5 e os hinários derivados dessa nova mentalidade!
Em uma rápida sequência, cita Rábano Mauro (c.780-856), Notker, o Gago (c.840-912), Hermano de Reichenau OSB (1013-1054) e Pedro Damião (c.1007-1072), até chegar à personalidade do século XII, Bernardo de Claraval (1090-1153).6 Em outras palavras, após séculos difíceis, que presenciaram uma lenta e frágil recuperação literária, a civilização ressurgiu sob o signo do hino litúrgico e, por isso, Carpeaux se debruça sobre esse estilo poético, musical e lírico.7
Os três ciclos literários – gestas – são o tema seguinte da narrativa analítica de Carpeaux: 1) de Carlos Magno (Matéria da França), 2) da Bretanha (sobre o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda) e 3) da Matéria de Roma (mitologia greco-romana e a Guerra de Troia). Considera ele que, apesar de seu interesse histórico, são obras de valor literário reduzido, pois inexistem sentimentos mais delicados textualmente expressos, já que não há traços psicológicos em seus personagens. Por exemplo, a Canção de Rolando (século XI), do ciclo francês, é um monumento poético tão distante de nós que mal enxergamos os seus contornos – de fato, apesar de várias passagens de batalhas, sua leitura é densa, já que o ritmo do texto é recitativo e calcado em uma variabilidade métrica.8
Mais simpática é sua percepção de outras duas importantes gestas, uma hispânica, outra germânica: o Cantar de Mio Cid e a Canção dos Nibelungos, ambas redigidas por volta de 1200. A primeira, dura e sólida, sóbria e realista; a segunda, canto de cisne do paganismo germânico, única obra do período em que se pode perceber ecos distantes do espírito trágico grego. O que todas propiciaram literariamente foi a introdução do gérmen da dissolução linguística no universalismo medieval.
Assim Carpeaux conclui o primeiro capítulo da Parte II do primeiro volume de sua História da Literatura Ocidental: a composição de um multifacetado mosaico híbrido formado por vários troncos culturais que darão origem aos sentimentos nacionais posteriores, todos ainda fragilmente amalgamados sob a égide cristã a lhes civilizar os espíritos bravios.
II. A Christianitas, universalismo cristão medieval
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As felizes multidões dos casados. Les Visions du chevalier Tondal (1475), Ms. 30 (87.MN.141), Getty Museum. As Visões do Cavaleiro Tondal contam a história de um cavaleiro irlandês rico e errante, cuja alma parte em uma jornada pelo Inferno e Paraíso com um anjo como guia. Como resultado de sua experiência, Tondal é espiritualmente transformado e promete levar uma vida mais piedosa. Antes da Divina Comédia, a história de Tondal era uma das mais populares de uma longa tradição de literatura visionária e moralizadora. Originalmente escrita em latim no século XII por Marcus, monge irlandês em Regensburg, a história foi posteriormente traduzida para quinze línguas vernáculas.
Em comparação com o anterior, o capítulo II é bem mais enxuto, quase uma preparação para o seguinte, pois aborda um momento muito importante no desenvolvimento das sensibilidades literárias do período medieval. Como no capítulo anterior em que destaca a tese de Pirenne, Carpeaux igualmente adere à notável analogia criada por Erwin Panofsky (1892-1968) entre o pensamento escolástico e a arquitetura gótica.9 É quando então toca no ponto nevrálgico para se entender a mentalidade literária medieval: seu pensamento analógico.10 A importantíssima Escola de Chartres é recordada11 para, a seguir, tratar dos enciclopedistas Alexander Neckam (1157-1217) e Vicente de Beauvais (c.1184-1264) além de Jacopo de Varazze (1228-1298) e sua famosíssima hagiografia Legenda Áurea (c. 1253-1270).12
Carpeaux se permite certa liberdade cronológica em sua narrativa, pois após os enciclopedistas recua no tempo para tratar dos devaneios da literatura visionária. Ela merece espaço pois é precursora da Divina Comédia de Dante Aliguieri (1265-1321). São as famosas Viagens ao Além – especialmente ao Purgatório (mas também a lugares paradisíacos): Visio Wettini (824), Tractatus de Purgatorio Sancti Patricii (c.1180-1184), Visio Tungdali (1150) (imagem 2)13, Navigatio Sancti Brendani (c.900).14 Tudo isso para concluir que a Idade Média não distinguia as realidades materiais das imaginárias. Ambas tinham a mesma significação alegórica e sugeriam interpretações morais para a vida terrena, provisória, entendida como uma peregrinação para a futura, eterna.15
A sátira – violenta e vulgar na pena daqueles espíritos rudes – tem seu lugar: os fabliaux.16 Mas também o amor: André Capelão (fl. c.1185) e Pedro Abelardo (1079-1142), quando então Carpeaux se detém em João de Salisbury (1110-1180), glória humanista de seu tempo, precursor de Thomas Morus (1478-1535) e prova viva da notável assimilação do pensamento clássico pelos medievais.
A seguir, os goliardos (clérigos vagabundos) merecem destaque (talvez excessivo) e, logo depois, inesperadamente, nosso autor comenta o filósofo do diálogo: Ramon Llull (1232-1316), para ele, um gênio confuso – na ocasião, o maiorquino era pouco conhecido, o que mostra a erudição de Carpeaux e a abrangência de seu olhar. De suas duzentas e oitenta obras (!), cita Blaquerna (1276-1283), o Livro das Maravilhas (1288-1289)17 e o Livro dos Mil Provérbios (1302)18 para concluir que seu legado é essencialmente poético!19 Termina o capítulo com as efusões extáticas (e eróticas) das místicas femininas: Santa Gertrudes de Helfta (1256-1302), Matilde de Magdeburg (c.1207-1294), Matilde de Hackeborn (1240-1298) e a marcante Hildegarda de Bingen (c.1098-1179).20
III. Castelos, damas e trovadores
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Inicial iluminada com o trovador Perdigon (fl. 1190-1220). Coletânea dos poemas dos trovadores com suas vidas (1201-1300), BnF ms. 854, folio 49r.
O lirismo medieval é o grande tema do capítulo III. Carpeaux se debruça pelo eterno problema de suas origens, incertas, e considera suas diversas ramificações (peninsular, escandinava, inglesa, alemã). E não se faz de rogado: trata-se de um fenômeno cultural estupendo!21 Dos mais de quatrocentos autores (inclusive trovadoras!), ele cita mais detidamente apenas os mais conhecidos: o “excepcional” Bernard de Ventadorn (c.1130-1200); o “formal” Arnau Daniel (fl. 1180-1200) – eternizado por Dante no Purgatório22 –; Giraut de Borneil (c.1138-1215), “o maior dos provençais”; o “furioso e diabólico” Bertran de Born (c.1140-1215) – Dante o colocou no Inferno23 –, e Peire d’Auvergne (n. c.1130).
Também não pode deixar de comentar o trovadorismo alemão (Minnesang) e seu poeta mais famoso, Walter von der Vogelweide (c.1170-1230).24 E conclui belissimamente: a poesia profana provençal imprimiu no espírito europeu uma nova e inédita atitude, positiva, diante da vida. Acrescento eu: com ela o amor (cortês) heterossexual e a sujeição masculina às vontades delas.25
Depois do amor cortês e dos trovadores, do prazer da vida e da música, tudo parece opaco. Mas como o fôlego da literatura medieval é pulsante, Carpeaux prossegue, e chega ao Roman Courtois, gênero literário definido como uma forma épica (narrativa) da poesia cortês, primeiro em verso (octossilábico), depois em prosa. Seu mais brilhante autor é Chrétien de Troyes (fl. c.1160-1191), primeiro autor a narrar de modo “moderno”.26 O mundo cavaleiresco, em decadência, foi idealizado, sublimado, e os temas amorosos ficaram textualmente livres para exaltações adúlteras e enaltecimento do amor livre. Carpeaux faz uma analogia: esses textos, consumidos pelo público feminino nobiliárquico, ocuparam, mutatis mutandis, o mesmo espaço ocupado pelo romance moderno no século XIX. Além do autor francês, outros merecem sua lembrança: Gottfried von Strassburg (†1210) e o maior dos poetas germânicos, Wolfram von Eschenbach (c.1160-1220) e seu clássico Parzifal.27
O elenco de obras apresentado por Carpeaux e que foram lidas com tanta avidez pelo público aristocrático europeu serve de lamento: são o canto de cisne de um marcante segmento da História da Literatura que jaz hoje abandonado no melancólico cemitério da Literatura Universal. Foram obras que marcaram solidamente a nascente coesão cultural do continente europeu. Mas, se posso consolá-lo post mortem, ouso afirmar que é nossa missão não deixar que elas morram para as próximas gerações. Nesse sentido, a reedição de sua obra preserva e finca uma chama acesa no fim do tenebroso túnel neste início do século XXI, acinzentado tempo em que todos os gatos são pardos.28
IV. Entre o Roman de Renart e São Francisco de Assis (c. 1181-1226), o fim do universalismo medieval
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Roman de Renart (1301-1350), BnF, Département des Manuscrits. Français 12584, folio 25r (detalhe). O Roman de Renart, mais que uma sátira socia ácida, é um épico da cultura ocidental. Ao incorporar elementos do folclore popular e tradições de fábulas e bestiários, a obra parodiou gêneros e tradições literárias nobiliárquicas como as chansons de geste, os romances cortesãos e a poesia lírica.29
Notas
- 1. Todos os estereótipos a respeito da Idade Média estão elencados em ECO, Umberto. “Introdução à Idade Média”. In: ECO, Umberto (dir.). Idade Média. Volume I. Bárbaros, Cristãos e Muçulmanos. Lisboa: D. Quixote, 2014, pp. 13-40.
- 2. PIRENNE, Henri. Maomé e Carlos Magno. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1970.
- 3. O Primeiro Livro de sua História dos Francos (c.591) está disponível em meu website.
- 4. Tive a oportunidade de abordar seu contexto histórico em COSTA, Ricardo da; BIRRO, Renan Marques. “Como a Cristandade veio para a Islândia. Nú hefr þat, hversu kristni kom á Ísland: os ricos proprietários rurais e a cristianização da Islândia (sécs. IX-XIII)”. In: Brathair 9 (1), 2009, pp. 22-37.
- 5. Cluny é passagem obrigatória para qualquer medievalista: COSTA, Ricardo da. “Cluny, Jerusalém celeste encarnada (sécs. X-XII)”. In: Revista Mediaevalia. Textos e Estudos 21 (2002), pp. 115-137.
- 6. Talvez eu seja o medievalista brasileiro com mais trabalhos sobre São Bernardo de Claraval, personagem preterido pelos medievalistas por sua defesa da ortodoxia católica: 1) COSTA, Ricardo da; SEPULCRI, Nayhara. ““Querer o bem para nós é próprio de Deus. Querer o mal só depende de nosso querer. Não querer o bem é totalmente diabólico”: São Bernardo de Claraval (1090-1153) e o mal na Idade Média”. In: Anais do II Simpósio Internacional de Teologia e Ciências da Religião. Belo Horizonte, ISTA/PUC Minas, 2007; 2) COSTA, Ricardo da. “Duas imprecações medievais contra os advogados: as diatribes de São Bernardo de Claraval e Ramon Llull nas obras Da Consideração (c.1149-1152) e O Livro das Maravilhas (1288-1289)”. In: História e Direito - Revista de Direito do UniFOA. Centro Universitário de Volta Redonda - Fundação Oswaldo Aranha. Volta Redonda, RJ, Vol. 3, n. 3, Nov. 2008, pp. 23-35; 3) COSTA, Ricardo da. “El Alma en la mística de San Bernardo de Claraval”. In: Revista Humanidades 17-18. Departamento de Artes y Humanidades de la Universidad Andrés Bello. Santiago de Chile, junio-diciembre 2009, pp. 201-210; 4) COSTA, Ricardo da. “‘Há algo mais contra a razão que tentar transcender a razão só com as forças da razão?’: a disputa entre São Bernardo de Claraval e Pedro Abelardo”. In: LAUAND, Jean (org.). Anais do X Seminário Internacional: Filosofia e Educação - Antropologia e Educação - Ideias, Ideais e História. São Paulo: Editora SEMOrOc (Centro de Estudos Medievais Oriente & Ocidente da Faculdade de Educação da USP). Núcleo de Estudos de Antropologia UNIFAI / Factash Editora, 2010, pp. 67-78; 5) COSTA, Ricardo da. “O que é Deus? Considerações sobre os atributos divinos no tratado Da Consideração (1149-1152), de São Bernardo de Claraval”. In: Revista Coletânea. Revista de Filosofia e Teologia da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Lumen Christi, Ano IX, fasc. 18, jul-dez 2010, pp. 223-238; 6) COSTA, Ricardo da. “‘O verdadeiro amor nasce de um coração puro, de uma consciência boa e de uma fé sincera, e ama o bem do próximo como se fosse seu’: a mística de São Bernardo de Claraval”. In: COSTA, Marcos Roberto Nunes (org.). A Experiência humana do divino. Perspectiva Filosófica. Recife, v. I, n. 35, jan./jun. 2011, pp. 125-140; 7) COSTA, Ricardo da. “Os Epistolários Medievais como espaço narrativo fundante: o universo do eu amoroso nas cartas de Bernardo de Claraval”. In: ZIERER, Adriana; VIEIRA, Ana Livia; ABRANTES, Elizabeth Sousa (orgs.). História Antiga e Medieval, vol. 5. Sonhos, Mitos e Heróis: Memória e Identidade. São Luís: EDUEMA, 2015, pp. 293-314; 8) COSTA, Ricardo da. “El concepto de Naturaleza en la Metafísica Teológica de San Bernardo de Claraval (1090-1153)”. In: FUERTES HERREROS, José Luis; PONCELA GONZÁLEZ, Ángel (eds.). DE NATURA. La Naturaleza en la Edad Media. Ribeirão, Portugal: Edições Húmus, 2015, pp. 363-373.
- 7. Para o conceito de civilização, ver BUTIÑYÀ I JIMÉNEZ, Júlia; COSTA, Ricardo da. “A Decadência do Estilo como Decadência da Alma na Filosofia Estoica de Sêneca, o Jovem (4 a.C.-65 d.C.)”. In: COSTA, Ricardo da. Mirabilia Journal 42 (2026/1). The rise and fall of Western tradition – from Classical Greece to the Rococo of the Ancien Régime, jan-jun 2026, pp. 01-45.
- 8. “Trata-se, pois, menos de uma tradução palavra-palavra, e mais de um exercício de estilística comparada; menos de um trabalho de língua de origem para língua de destino, e mais de obras com sua historicidade que buscam equivalência de sentido pleno...” – O Cantar de Roldão – Chanson de Roland (transcrição, tradução, textos e notas: Ronald Costa). Cotia, SP; Ateliê Editorial; Uberlândia, MG: Editora da Universidade Federal de Uberlândia (EdUFU), 2025, pp. 130-131.
- 9. PANOFSKY, Erwin. Arquitetura Gótica e Escolástica. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
- 10. SILVA, Matheus Corassa da; COSTA, Ricardo da. “A Alegoria. Do mundo clássico ao Barroco”. In: COSTA, Ricardo da. Delírios da Idade Média. Santo André, SP: Armada, 2023, pp. 113-143.
- 11. COSTA, Ricardo da. “A Verdade é a medida eterna das coisas. A divindade no Tratado da Obra dos Seis Dias, de Teodorico de Chartres (†c.1155)”. In: ZIERER, Adriana (org.). Uma viagem pela Idade Média: estudos interdisciplinares. UFMA, 2010, pp. 263-281.
- 12. JACOPO DE VARAZZE. Legenda Áurea. Vidas de Santos (trad. do latim, apres., notas e seleção iconográfica: Hilário Franco Júnior). São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
- 13. ZIERER, Adriana; OLIVEIRA, Solange Pereira. “A Visão de Túndalo. Harmonia, Paraíso e Salvação no Além Medieval”. In: TÔRRES, Moisés Romanazzi (org.). Mirabilia 16 (2013/1). A Filosofia Monástica e Escolástica na Idade Média, jan-jun 2013, pp. 221-247.
- 14. NADLER, Wanessa Asfora. Navigatio Sancti Brendani Abbatis: tempo, espaço, outro mundo e peregrinação no relato da viagem de São Brandão à terra repromissionis. São Paulo: USP, 2002.
- 15. A historiografia posterior considerou esse universo imaginário como riquíssima fonte interpretativa para temas filosóficos, artísticos e literários. Por exemplo, ECO, Umberto. História das Terras e Lugares Lendários. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.
- 16. SEPULCRI, Nayhara; COSTA, Ricardo da. “A donzela que não podia ouvir falar de foder e Da mulher a quem arrancaram os colhões. Dois fabliaux e as questões do corpo e da condição feminina na Idade Média (sécs. XIII-XIV)”. In: COSTA, Ricardo da (coord.). Mirabilia 6. Revista Eletrônica de História Antiga e Medieval. A educação e a cultura laica na Idade Média, dezembro de 2006, pp. 79-100.
- 17. RAIMUNDO LÚLIO. Félix ou O Livro das Maravilhas (apres., trad. e notas: Ricardo da Costa). Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal – 95 e 96. São Paulo: Editora Escala, 2009, 02 volumes.
- 18. RAIMUNDO LÚLIO. O Livro dos Mil Provérbios (1302) (apres., trad. e notas: Ricardo da Costa e Grupo de Pesquisas Medievais da UFES II). Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal - 68. São Paulo: Editora Escala, 2007.
- 19. Ramon Llull (1232-1316) foi o filósofo que dediquei boa parte de minha vida intelectual. Além de minhas traduções, meus principais trabalhos são: 1) “Ramon Llull (1232-1316) e o modelo cavaleiresco ibérico. O Libro del Orden de Caballería”. In: Revista Mediaevalia. Textos e Estudos 11-12 (1997), pp. 231-252; 2) “O pensamento político no final do século XIII. A imagem do Príncipe Tirano na Árvore Imperial, de Ramon Llull”. In: Dimensões 11 - Revista de História da Ufes. Vitória: Ufes, 2000, pp. 349-364; 3) “A cavalaria perfeita e as virtudes do bom cavaleiro no Livro da Ordem de Cavalaria (1275), de Ramon Llull”. In: FIDORA, A. e HIGUERA, J. G. (eds.). Ramon Llull caballero de la fe. Cuadernos de Anuário Filosófico – Série de Pensamiento Español. Pamplona: Universidad de Navarra, 2001, pp. 13-40; 4) “Muçulmanos e Cristãos no diálogo luliano”. In: Anales del Seminario de Historia de la Filosofía (UCM), vol. 19 (2002), pp. 67-96, Universidad Complutense de Madrid; 5) “A experiência religiosa e mística de Ramon Llull. A Infinidade e a Eternidade divinas no Livro da Contemplação (c.1274)”. In: Scintilla - Revista de Filosofia e Mística Medieval. Curitiba: Faculdade de Filosofia de São Boaventura (FFSB), vol. 3, n. 1, janeiro/junho 2006, pp. 107-133; 6) “Las definiciones de las siete artes liberales y mecánicas en la obra de Ramón Llull”. In: Anales del Seminario de Historia de la Filosofía. Madrid: Universidad Complutense de Madrid (UCM), vol. 23 (2006), pp. 131-164; 7) “A meditatio mortis no Livro do Homem (1300) de Ramon Llull”. In: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Série de Filosofia, II Série, volume XXIII/XXIV. Porto, 2006/2007, pp. 237-260; 8) “A Eternidade de Deus na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)”. In: Mundos medievales: Espacios, Sociedades y Poder. Homenaje al Profesor José Ángel García de Cortázar. Santander: PUbliCan, Ediciones de la Universidad de Cantabria, 2012, tomo II, pp. 1215-1227; 9) “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão. A imagem do Profeta na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)”. In: Revista NOTANDUM, n. 27, Ano XIV, set-dez 2011, pp. 19-35, Editora Mandruvá - Univ. do Porto; 10) “La Retòrica Nova (1301) de Ramón Llull. La Belleza a servicio de la conversión”. In: BERLIN, Henry (coord.). eHumanista/IVITRA. Volume 8, 2015 (A. Monogràfic I. Arts of Finding Truth: Approaching Ramon Llull, 700 Years Later), pp. 28-43.
- 20. COSTA, Ricardo da. “Mulheres na Idade Média (520-1430)”. In: CAMPAGNOLO, Ana Caroline (org.). Guia de bolso contra mentiras feministas. Campinas, SP: Vide Editorial, 2021, pp. 33-39.
- 21. COSTA, Ricardo da; GABY, André; HARTMANN, Ernesto; RIBEIRO, Antonio Celso; SILVA, Matheus Corassa da. “Um tributo à arte de ouvir. O amor cortês nas cançons de Berenguer de Palou (c.1160-1209)”. In: eHumanista/IVITRA 15 (2019), pp. 396-455.
- 22. (XXV, 17)
- 23. (XXVIII, 133)
- 24. PEREIRA, Beatriz Passamai. “O apogeu da lírica do Minnesang na Tradição Ocidental: Walther von der Vogelweide (1170-1230)”. In: COSTA, Ricardo da. Mirabilia Journal 42 (2026/1). The rise and fall of Western tradition. From Classical Greece to the Rococo of the Ancient Régime, pp. 76-94.
- 25. COSTA, Ricardo da. “O papel do amor cortês e dos jograis na Educação da Idade Média. Guilherme IX da Aquitânia (1071-1127) e Ramon Llull (1232-1316)”. In: CASTRO, Roberto C. G. (org.). O Intérprete do Logos. Textos em homenagem a Jean Lauand. São Paulo: Factash Editora/ESDC, 2009, pp. 231-244.
- 26. ESTRELLA, María. “La configuración del cuerpo amado en el roman medieval: idealización y erotismo en El caballero de la Carreta de Chrétien de Troyes (c. 1135-1185)”. In: BEATRIZ VIOLANTE, Susana; COSTA, Ricardo da (orgs.). Mirabilia 28 (2019/1) The Medieval Aesthetics: Image and Philosophy, pp. 179-189.
- 27. WOLFRAM VON ESCHENBACH. Parsifal (trad. de A S. Schmidt Patier). São Paulo: Antroposófica, 1995.
Tratei um pouco desse notável poeta em COUTINHO, Priscilla Lauret; COSTA, Ricardo da. “Entre a Pintura e a Poesia. O nascimento do Amor e a elevação da Condição Feminina na Idade Média”. In: GUGLIELMI, Nilda (dir.). Apuntes sobre familia, matrimonio y sexualidad en la Edad Media. Colección Fuentes y Estudios Medievales 12. Mar del Plata: GIEM (Grupo de Investigaciones y Estudios Medievales), Universidad Nacional de Mar del Plata (UNMdP), diciembre de 2003, pp. 4-28. - 28. “Retornar periodicamente à nobreza do Velho Mundo, reinterpretá-la, resgatá-la do historicismo sem limite, nesta noite em que todos os gatos são pardos, como bem disse Werner Jaeger (1888-1961), é beber do tesouro inesgotável que é a cultura antiga e medieval, é examinar novamente os nossos próprios fundamentos histórico-culturais, principalmente em um momento crítico como esse, em que presenciamos o ocaso de seus frutos.” – COSTA, Ricardo da. “A nobreza, fonte espiritual da Civilização”. In: Julia BUTIÑÁ JIMÉNEZ; Ricardo da COSTA (orgs). Mirabilia 9 (2009). Aristocracy and nobility in the Ancient and Medieval World, pp. 01-04.
- 29. MERCUZOT, Delphine; MAFFRE, Sabine. Le Roman de Renart. BnF, 14 oct. 2019.